Ibovespa fecha em alta com indicadores da China e desempenho do varejo

O Ibovespa encerrou em alta nesta segunda-feira (02), repercutindo os indicadores positivos da economia chinesa, apesar das turbulências na guerra comercial com os Estados Unidos.

Em novembro, o Índice de Gerente de Compras (PMI) industrial da China subiu de 51,7 para 51,8 pontos, contrariando as previsões do mercado, que apontavam para uma desaceleração no setor.

A leitura acima de 50 sinaliza expansão das atividades e este foi o maior nível registrado desde 2016, apresentando trajetória de crescimento firme pelo quarto mês consecutivo.

O resultado surpreendeu os investidores e mostrou que, apesar do impacto negativo das tarifas americanas, a política de estímulos adotada pelo governo chinês conseguiu impulsionar os setores estratégicos do país.

Outro fator que contribuiu para o movimento de alta do índice geral foi a valorização das ações das companhias varejistas, que renovaram recordes com as vendas da companha Black Friday.

O sucesso desta importante data, mostrou, por si só, que a economia brasileira está apresentando consistência na retomada do desenvolvimento.

Na B3, os ativos Intermédica (GNDI3), CSN (CSNA3), Cosan (CSAN3), B2W Digital (BTOW3) e Via Varejo (VVAR3) lideraram os ganhos da sessão.

Em contrapartida ao bom humor do mercado local, Donald Trump anunciou em sua conta no Twitter que voltará a sobretaxar o aço e o alumínio importados do Brasil e da Argentina.

Como justificativa, o presidente americano alegou que os dois países estariam depreciando suas moedas propositalmente e isso não é bom para os produtores locais.

“Portanto, com efeito imediato, restaurarei as tarifas sobre aço e alumínio exportados para os EUA a partir desses países” – ressaltou Trump.

Embora as exportações destes produtos para os EUA não exerçam tanta influência na balança comercial brasileira, a atitude do governo americano poderá abrir precedentes para outras medidas semelhantes.

Ainda assim, o índice geral conseguiu se sobressair, acompanhando a alta das commodities no cenário internacional, sobretudo, o petróleo (+1%) e o minério de ferro (+1%).

No fim da sessão, a Bolsa brasileira subiu 0,64% aos 108.927 pontos, registrando um volume financeiro de R$12,221 bilhões.

Dólar volta a R$4,21 com atuação do Banco Central e dados dos EUA

O dólar comercial encerrou em queda nesta segunda-feira (02), o primeiro pregão de dezembro, sendo cotado a R$4,2120 na venda, rondando a mínima do dia.

Depois de flertar com o topo em R$4,28 na última semana, a divisa americana voltou à casa dos R$4,20 com nova intervenção do Banco Central por meio de mais um leilão de recursos à vista.

Outro fator que também pressionou o enfraquecimento do dólar foi a divulgação dos indicadores que mensuraram o desempenho da indústria norte-americana, em novembro.

Segundo o Institute for Suplly Management (ISM), o setor fabril dos EUA caiu para 48,1 pontos durante o mês, sinalizando contração nas atividades, já que a leitura ainda está abaixo de 50.

Com isso, o dólar se depreciou frente à 24 dentre as 33 principais moedas globais mais líquidas, principalmente, as emergentes e atreladas às commodities.

O destaque da sessão vai para o florim da Hungria (+1,41%) e para o dólar neozelandês (+1,32%), que lideraram os ganhos.

A depreciação do real de quase 7% no mês de novembro, despertou interesse nos investidores, devido ao potencial de recuperação da moeda nos próximos dias.

No sentido contrário, os contratos de juros futuros fecharam com aumento nas taxas ao longo da curva, refletindo os sinais de aceleração da economia brasileira.

As vendas fortes no Black Friday e o crescimento do setor industrial brasileiro para 52,9 pontos, conformam um cenário encorajador para adição de prêmio de risco aos DIs.

O DI outubro/2020 subiu a 4,59% (4,55% no ajuste anterior), o DI julho/2024 avançou para 6,44% (6,42% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 cresceu para 6,88% (6,85% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em alta de olho em cortes na produção da Opep

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta segunda-feira (02), reagindo aos relatos de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) poderá acentuar os cortes na produção de 2020.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para janeiro, subiu 1,43%, sendo negociado a US$55,96 o barril.

Já o petróleo Brent para fevereiro, comercializado na ICE de Londres, avançou 0,71%, fechando na cotação de US$60,92 o barril.

Pela manhã, a Reuters divulgou uma notícia informando que a Opep e aliados pretendem aprofundar a redução nas quantidades produzidas de óleo bruto em cerca de 400 mil barris por dia, até junho do ano que vem.

No último domingo, a Dow Jones Newswires havia publicado que a Arábia Saudita se posicionaria a favor de uma extensão nos cortes na próxima reunião do cartel, prevista para os dias 5 e 6 de dezembro.

Um corte mais agressivo na produção poderá limitar a oferta global e, em consequência, apoiar a valorização das cotações, por isso, os preços subiram na sessão de hoje.

Adicionalmente, os dados positivos da indústria da China mostraram que a economia do gigante asiático está mais forte do que se imagina, apesar das incertezas sobre a guerra comercial.

O Índice de Gerente de Compras (PMI) do setor fabril chinês saltou a 51,8 pontos em novembro, alcançando o maior patamar desde 2016.

Sendo a maior importadora líquida da commodity em nível mundial, a China exerce uma grande influência nos níveis de demanda deste mercado, de modo que, os indicadores positivos no país, também o são para o petróleo.

Também no radar, o enfraquecimento do dólar contra as principais divisas globais ajudou a baratear os contratos, tornando-os mais acessíveis e favorecendo os investidores.

Noticiário Corporativo: Vale prevê produção de 355 milhões de toneladas de minério em 2020

Durante um evento para investidores em Nova Iorque, a Vale atualizou suas projeções de produção para 2020, sinalizando que poderá alcançar os 355 milhões de toneladas de minério de ferro.

Para 2021 a expectativa é ainda mais audaciosa, variando entre 375 e 395 milhões de toneladas, fazendo um movimento crescente, conforme explicou a mineradora.

Segundo as estimativas, entre 2022 e 2023, a companhia chegará aos 400 milhões de toneladas, retomando as operações nos locais que estavam paralisados por determinação judicial.

Em relação ao cobre, a Vale prevê que a produção alcance 400 mil toneladas no ano que vem, também aumentando gradativamente, chegando a 430 mil em 2021, 460 mil em 2022 e 480 mil em 2023.

Já no caso do níquel, a estimativa é que produção fique em torno de 240 mil toneladas após as melhorias realizadas nas operações localizadas no Atlântico Norte e a retomada das atividades em Onça Puma.

Assim como os demais produtos, as perspectivas também são crescentes para a produção de níquel, ficando a expansão dependente de apenas fatores estruturais.

E apesar de ter suspendido temporariamente a disposição de rejeitos na barragem Laranjeiras da mina de Brucutu/ MG, a Vale afirmou que a medida não deve impactar suas projeções para os próximos anos.

Sobre os investimentos programados, somente no ano que vem, a mineradora deverá aplicar o montante de US$5 bilhões, valor que deverá se repetir também em 2021.