Ibovespa fecha em queda com disseminação do coronavírus nos EUA e na Europa

O Ibovespa recuou nesta sexta-feira (24), pressionado por um movimento de realização de lucros e pelo aumento das preocupações quanto à propagação do coronavírus.

Após o surto constatado na cidade de Wuhan, localizada na província chinesa de Hubei, a doença alcançou diversos países como Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, Cingapura, Arábia Saudita, Estados Unidos e França.

Nos EUA, o segundo caso de contaminação foi registrado hoje na cidade de Chicago, um dia depois de uma pessoa apresentar os sintomas da doença em Seattle.

Na França, dois casos foram reportados, sendo um na cidade de Bordeaux e o outro nos arredores de Paris, conforme informou a ministra da Saúde, Agnes Buzyn.

Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha decidido não classificar a epidemia de coronavírus como uma emergência internacional, o número de vítimas avançou substancialmente.

Ao todo, já são 26 mortes confirmadas e 900 pessoas manifestando os sintomas da doença, sendo que, grande parte dos infectados está em estado grave.

As autoridades estão tomando todas as providências cabíveis, mas, ainda assim, o clima é de apreensão às vésperas do feriado do Ano Novo Lunar chinês, no qual, normalmente, há intensa movimentação de cidadãos e turistas no país.

Por aqui, depois de renovar a máxima de fechamento acima dos 119 mil, o índice geral teve uma sessão de realização de lucros, com os investidores reduzindo a exposição antes do final de semana.

Também ficou no radar a divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostrando que o Brasil criou cerca de 644 mil novas oportunidades de trabalho formais em 2019, anotando o melhor resultado dos últimos seis anos.

Especificamente em dezembro, foram fechadas 307.311 vagas de emprego, vindo abaixo do consenso dos analistas, que indicavam a perda de 324 mil postos de trabalho no período.

No noticiário político, o ministro da Economia, Paulo Guedes, comentou que está avaliando elevar os impostos incidentes sobre cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes e alimentos feitos com açúcar.

Segundo o ministro, o chamado “imposto do pecado” poderá ajudar na arrecadação e, inclusive, já solicitou que sua equipe realizasse as projeções de cenários com o referido aumento.

Quando questionado sobre a afirmação, o presidente Jair Bolsonaro rejeitou publicamente a ideia, dizendo que discorda da proposta.

Na B3, os setores bancário e siderúrgico viraram para queda, após ensaiar recuperação nos primeiros momentos de negociação.

As companhias CSN (CSNA3), Iguatemi (IGTA3), Gol (GOLL4), Usiminas (USIM5) e Braskem (BRKM5) lideraram as perdas do mercado local.

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 0,96% aos 118.376 pontos, com um volume financeiro de R$13,940 bilhões.

Dólar avança a R$4,18 com receios sobre a disseminação do vírus

O dólar comercial subiu 0,43% nesta sexta-feira (24), fechando na cotação de R$4,1840 na venda, pressionado pelas preocupações com a disseminação do coronavírus.

Com as negociações desta sessão, a divisa americana interrompeu a sequência de dois pregões em queda e anotou ganhos semanais de 0,45%.

A confirmação de novos casos de infecção pelo vírus nos Estados Unidos e na França levou o índice VIX de volatilidade a anotar a maior alta diária desde agosto do ano passado.

O aumento significativo do número de mortos e infectados gerou apreensão dos investidores em relação à dimensão que essa epidemia pode alcançar, o que resultou na elevação da demanda por ativos mais seguros.

O sentimento de aversão ao risco prevaleceu nos mercados internacionais, induzindo o dólar a valorizar contra 26 das 33 principais moedas mais líquidas do mundo.

Apesar disso, o movimento do câmbio local continua descolado da Bolsa na visão de alguns analistas, mostrando que há um certo tom de otimismo com o ambiente interno, o que dá espaço para novas correções da moeda brasileira.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com leve queda nas taxas, com os investidores reagindo ao cenário mais positivo para a inflação.

Além disso, durante um evento da XP Investimentos, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que há uma defasagem na política monetária que não foi devidamente dissipada.

Ele acrescentou que, a partir de agora, as medidas adotadas serão mais potentes, impulsionando os vértices mais curtos e intermediários a devolverem parte das perdas.

O DI outubro/2020 caiu para 4,24% (4,26% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 declinou para 5,54% (5,57% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 recuou para 6,68% (6,71% no ajuste anterior).

Petróleo declina mais de 2% com temores sobre a demanda na China

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta sexta-feira (24), reagindo às preocupações sobre o possível impacto que o surto do vírus possa causar sobre a demanda chinesa.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para março, recuou 2,51%, no preço de US$54,17 o barril. Na semana, o WTI desvalorizou 8%.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega no mesmo mês, registrou queda de 2,17%, fechando na cotação de US$60,69 o barril. Na variação semanal, o Brent perdeu mais de 7%.

Com o agravamento da disseminação do coronavírus na China, as autoridades locais colocaram pelo menos 13 cidades e 40 milhões de pessoas em quarentena, segundo publicação da Bloomberg.

Além dos países Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, Cingapura e Arábia Saudita, a doença já alcançou os Estados Unidos e a França.

Durante o dia, o governo americano reportou o segundo caso do coronavírus em seu território e o governo francês confirmou a contaminação de uma pessoa na região de Bordeaux e outra próximo à Paris.

Enquanto o mercado não tiver plena clareza dos impactos da propagação da doença, os preços do petróleo serão fortemente afetados, sobretudo, porque haverá uma desaceleração nas atividades normais.

A proibição de viagens durante o feriado do Ano Novo Lunar chinês é apenas um dos exemplos de restrições que afetarão a demanda pela commodity no país que é o maior importador líquido do mundo.

Noticiário Corporativo: CSN anuncia captação de até US$1 bilhão com oferta de notes no exterior

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou a captação de até US$1 bilhão (R$4,18 bilhões) através da realização de uma oferta de notes nos Estados Unidos.

A operação será feita por meio de sua subsidiária CSN Islands XI Corp e a data prevista para liquidação dos títulos será 28 de janeiro, segundo informou o comunicado.

Os notes serão emitidos com vencimento para 2028 e os juros remuneratórios foram precificados em 6,75% ao ano.

Com o dinheiro arrecadado na transação a CSN pretende iniciar uma oferta pública de recompra de títulos que foram ofertados pela subsidiária CSN Resources e atualmente estão em circulação no mercado.

Ao todo, serão retiradas do mercado cerca de R$440 milhões em notas, cujo vencimento está marcado para julho deste ano, por isso, a operação deverá ser agilizada.

Os recursos também serão empregados na quitação de outras obrigações de curto prazo, bem como no reforço do fluxo de caixa.

Analisando o CSN (CSNA3), o Morgan Stanley classificou como neutro o desempenho das ações da companhia, mas elevou em 5% o preço-alvo, para R$16,50.

O banco acredita que os preços do minério vão deslanchar no segundo semestre e isso poderá impulsionar os papéis da empresa, que apresenta maior exposição à demanda doméstica.