Ibovespa fecha em queda com tensões EUA-China ofuscando Copom

Em meio a um clima de intensa volatilidade, o Ibovespa encerrou em queda nesta quinta-feira (19), pressionado pelas tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

O novo capítulo da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo trouxe à tona as preocupações sobre os impactos globais de uma ofensiva tarifária duradoura.

Segundo uma notícia publicada por um jornal chinês, um oficial sênior da Casa Branca mencionou que as tarifas impostas pelos EUA aos produtos importados da China podem chegar aos níveis de 50% ou 100%.

Já a CNBC, um canal de notícias americano, informou que o assessor do presidente Donald Trump, Michael Pillsbury, disse que o país está pronto para avançar na disputa comercial, caso os governos não cheguem a um acordo em breve.

Antes desta ocorrência, o índice geral da B3 chegou a avançar 1,4% repercutindo a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir em 0,50% a taxa Selic, que passou a vigorar em 5,5%.

Embora o mercado já tivesse previsto o cenário de flexibilização dos juros, o pronunciamento do Banco Central reforçando a tendência de continuidade do ciclo de cortes agitou os investidores, restaurando o apetite ao risco.

Mas o fôlego não durou muito tempo e a Bolsa sofreu uma inversão de desempenho, devido ao intenso movimento de realização de lucros.

As oportunidades para operações de “day-trade” e os ajustes de posição comprados em ações podem justificar o fluxo de saída visto na reta final do pregão.

Como resultado, o Ibovespa fechou em queda de 0,18% aos 104.339 pontos, anotando um volume financeiro de R$12,525 bilhões.

Dólar dispara a R$4,16 com fuga de capital após corte na Selic

O dólar comercial disparou nesta quinta-feira (19), fechando na cotação de R$4,1630 na venda, um dia depois que o Banco Central cortou em 0,50% a taxa Selic.

O real brasileiro depreciou 1,46% contra a divisa americana, consagrando o movimento de fuga de capital estrangeiro, sobretudo dos fundos especulativos, que saíram em busca de melhores oportunidades de remuneração.

Isso aconteceu porque os investidores avaliam a diferença entre a taxa de juros paga por um país nos títulos de sua dívida e a taxa praticada nos Estados Unidos (que possuem os bonds mais seguros do mundo).

Quanto menor for essa diferença, menor será a atratividade daquele país para o rentismo. E foi isso que aconteceu após a redução da taxa de juros brasileira, já que essa diferença sofreu uma grande redução.

No caso do real, ainda há um agravante, pois o ciclo de cortes na taxa Selic ainda não terminou, de modo que até o final do ano, a expectativa é que o índice fique abaixo dos 5%.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros também apresentaram recuo nas taxas de olho no Copom, mas os DIs de longo prazo avançaram ligeiramente, seguindo a tônica cambial.

O DI junho/2020 recuou para 4,88% (5,04% no ajuste anterior), o DI abril/2023 caiu para 6,29% (6,37% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 subiu a 7,08% (7,01% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Duratex encerra a unidade de Botucatu (SP) e aposta na eficiência para consolidar a liderança

Por meio de fato relevante, a Duratex (DTEX3) informou o encerramento das atividades na planta de Botucatu, em São Paulo, onde era realizada a fabricação de painéis de madeira.

A empresa também divulgou a venda de ativos florestais e imóveis rurais às companhias Turvinho Participações e Bracell SP Celulose, além de ceder parcerias rurais na região central do estado.

Com as operações, fechamento da unidade e alienação de ativos, a Duratex reconhecerá um lucro líquido de aproximadamente R$230 milhões, cujo potencial de impacto no caixa será de R$450 milhões.

“Importante ressaltar que em função da capacidade instalada nas demais unidades da Divisão Madeira, o encerramento da unidade não implicará na descontinuidade do fornecimento de produtos, preservando nossa posição de liderança no mercado e pleno atendimentos aos clientes” – explicou a empresa.

Segundo Thiago Lofiego, analista do Bradesco BBI, as decisões da companhia estão alinhadas com sua estratégia de monetizar ativos florestais, conciliando os processos de desalavancagem sem afetar os insumos de sua produção.

Tal medida seria uma forma de obter eficiência operando com quatro plantas, mas utilizando uma capacidade produtiva maior. A recomendação do banco para as ações é OP, no preço-alvo de R$16.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram majoritariamente em queda, depois de oscilar em alta a maior parte do dia. A seguir, as mínimas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 16/08 19/08 Ativo 16/08 19/08
Petrobras (PETR3) -0,45% +1,36% Vale (VALE3) -0,46% -0,09%
Petrobras (PETR4) -1,32% +0,50% Embraer (EMBR3) -0,28% -0,28%
Eletrobras (ELET3) +2,60% -1,81% Banco do Brasil (BBAS3) -0,26% -1,97%
Eletrobras (ELET6) +2,34% -0,71% Cemig (CMIG4) +3,05% +1,44%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 15/08 16/08 Ativo 15/08 16/08
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,69% +0,40% Usiminas (USIM3) +0,11% +0,53%
Santander (SANB11) -0,31% +0,47% CSN (CSNA3) -2,79% +1,94%
Bradesco (BBDC3) -0,84% +0,24% Gerdau (GGBR4) -4,25% +3,42%