Ibovespa fecha na máxima histórica pela 3ª vez consecutiva com afago da Previdência

O Ibovespa avançou nesta quarta-feira (23), fechando na máxima histórica pela terceira vez consecutiva, apesar da intensa volatilidade que se abateu sobre a sessão.

O índice geral foi impulsionado pela conclusão da tramitação da reforma da Previdência, que agora está oficialmente aprovada no Congresso Nacional, necessitando apenas de promulgação.

Na noite de ontem, o texto-base da proposta já havia sido aprovado em segundo turno pelo plenário do Senado, por 60 votos a 19, porém, sobraram dois destaques para serem discutidos e apreciados hoje.

Um deles foi proposto pelo PT e mudava as regras para aposentadoria dos trabalhadores que exerciam atividades de periculosidade, apresentando o potencial de desidratar o impacto fiscal da reforma.

Contudo, em um acordo articulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, os parlamentares rejeitaram a emenda com o compromisso de regulamentar a matéria por meio de lei completar.

O outro destaque foi sugerido pela Rede, porém, foi retirado de pauta após a demanda integrar o acordo com os senadores, já que, qualquer modificação substancial do texto poderia fazer a proposta voltar à apreciação da Câmara.

Com isso, as discussões sobre a reforma foram finalizadas prevendo uma economia fiscal de R$800 bilhões nos próximos dez anos, atendendo ao que foi planejado pelo governo.

Os investidores ficaram muito animados porque a convergência da Previdência com diferentes variáveis positivas do exterior contribuiu para a melhora do apetite aos ativos de risco.

Na Europa, os mercados ficaram em compasso de espera da decisão da União Europeia sobre a extensão do prazo para o Reino Unido deixar o bloco econômico.

Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, está articulando a convocação de eleições gerais do parlamento para consolidar sua base de apoio, já que o Partido Conservador está liderando as pesquisas.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump novamente sinalizou que assinará o acordo comercial com a China durante a cúpula de países no Chile, que acontecerá nos dias 16 e 17 de novembro.

Como resultado, a Bolsa brasileira registrou leve alta de 0,15% aos 107.543 pontos, com um volume financeiro de R$13,133 bilhões.

Dólar recua a R$4,03 de olho na conclusão da Previdência

Seguindo sua trajetória de queda, o dólar comercial desvalorizou nesta quarta-feira (23), fechando na cotação de R$4,0330 na venda, rondando as mínimas do dia.

O grande catalisador do câmbio foi a conclusão da reforma da Previdência no Senado, apesar de alguns operadores afirmarem que não houve motivos aparentes para tal comportamento.

O declínio acentuado da divisa americana ocorreu em uma sessão, na qual, os demais ativos não avançaram muito e os juros futuros voltaram a cair em atenção ao cenário de corte na taxa Selic.

O DI fevereiro/2020 caiu para 4,71% (4,72% no ajuste anterior), o DI outubro/2022 recuou para 5,33% (5,42% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 declinou a 6,15% (6,20% no ajuste anterior).

A proposta de reforma já vinha sendo precificada pelo mercado, de forma que esse movimento de queda pode ser apenas um ajuste devido à supervalorização do dólar vista nos últimos meses.

Em função de diversos acontecimentos externos, como a disputa comercial EUA-China, a ofensiva tarifária dos EUA contra a União Europeia e o próprio Brexit, o clima de aversão ao risco levou ao fortalecimento da moeda americana.

Segundo análise da economista-chefe e estrategista de câmbio do banco Ouroinvest, a continuidade das perspectivas otimistas sobre o real dependerá muito da agenda que o governo pretende conduzir no período pós-Previdência e na estabilidade da política local.

Futuros de petróleo fecham em alta com recuo nos estoques dos EUA

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta quarta-feira (23), refletindo a surpreendente queda nos estoques da commodity nos Estados Unidos.

O petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) para entrega em dezembro disparou 2,73%, sendo negociado a US$55,97 o barril.

Já o petróleo Brent para o mesmo mês, comercializado na ICE de Londres, avançou 2,46%, na cotação de US$61,17 o barril.

Segundo informações publicadas pelo Departamento de Energia (DoE) americano, os estoques de óleo bruto no país recuaram 1,699 milhão de barris na semana passada.

O consenso dos analistas indicava um aumento de 2,9 milhões no período e, no total, o governo norte-americano dispõe de 433,151 milhões de barris, conforme o ajuste sazonal.

Em relação à gasolina, os estoques também declinaram, registrando baixa de 3,107 milhões de barris na última semana, restando disponível cerca de 223,094 milhões de barris.

Os especialistas explicaram que este resultado foi beneficiado pela aglutinação de diferentes fatores, como a recuperação na atividade de refino, o aumento das exportações e a diminuição das importações líquidas.

Este novo panorama renovou o apetite ao risco dos investidores, uma vez que, as projeções são de recuperação dos preços do petróleo em 2020, sobretudo, após a resolução dos conflitos EUA-China e o Brexit.

O mercado também monitorou as notícias sobre a possível decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em aprofundar a política de cortes na produção do ano que vem.

Em relatório, analistas do ING afirmaram ceticismo sobre o êxito na articulação da Arábia Saudita para convencer os países a aderir a reduções ainda mais significativas, considerando que a ideia de pressionar a oferta não é bem aceita por todos.

Noticiário Corporativo: Aliansce Sonae foca em desinvestimentos e vende 100% de sua participação em três shoppings

A Aliansce Sonae (ALSO3) informou a venda de 100% de sua participação em três grandes shoppings: West Plaza, Boulevard Shopping Brasília e Santa Úrsula.

A companhia também reduziu sua participação no Boulevard Shopping Campos e no Parque Shopping Belém, alienando as ações por um preço específico acrescido de uma remuneração variável, que dependerá do desempenho de ambos os empreendimentos em 2020.

Ao todo, a empresa estima que o desembolso total com os desinvestimentos será de R$298,1 milhões, com um cap rate (taxa de capitalização) embutido nas transações de 7,3%.

Em nota, a empresa explicou que o motivo da realocação de investimentos é “promover a combinação dos negócios das companhias com o propósito de criar uma companhia líder no setor de shoppings centers no Brasil”.

Isso porque, em junho deste ano, a Aliansce e a Sonae Sierra divulgaram a fusão que deu origem a maior empresa de shoppings centers do Brasil.

A joint venture, cujo nome é Aliansce Sonae Shoppings Centers S/A, possuía um portfólio de 40 shoppings, sendo 29 próprios e 11 administrados, e faturamento de R$14,8 bilhões.

Segundo avaliação do Credit Suisse, a venda foi muito positiva pois os ativos eram de menor produtividade e a medida vai contribuir com a redução dos níveis de desalavancagem da companhia.

Movimentações na B3  

As ações de maior liquidez da B3 fecharam majoritariamente em alta, porém a sessão foi de ganhos foram contidos. A seguir, as máximas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 22/10 23/10 Ativo 22/10 23/10
Petrobras (PETR3) +3,06% +0,48% Vale (VALE3) +0,19% -0,40%
Petrobras (PETR4) +2,88% +1,33% Embraer (EMBR3) +0,39% -0,45%
Eletrobras (ELET3) -1,57% -0,11% Banco do Brasil (BBAS3) +2,16% +0,42%
Eletrobras (ELET6) -0,38% +0,44% Cemig (CMIG4) 00% -0,95%

Carteira Recomendada de Outubro por 17 corretoras

SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 22/10 23/10 Ativo 22/10 23/10
Itaú Unibanco (ITUB3) +1,46% +1,47% Usiminas (USIM3) -0,65% -0,88%
Santander (SANB11) +3,59% +2,09% CSN (CSNA3) +1,19% -0,89%
Bradesco (BBDC3) +2,63% +1,04% Gerdau (GGBR4) +0,38% +0,23%