Ibovespa futuro ignora exterior e sobe com PIB, investimento acima do consenso

O futuro do índice Bovespa sobe no início dos negócios desta terça-feira, desafiando a queda das bolsas e os ativos de risco no exterior, após a economia brasileira ter crescido acima das expectativas no terceiro trimestre, em resultado de implicações bastante positivas para a agenda reformista do presidente Jair Bolsonaro e a governabilidade.

O Produto Interno Bruto, a soma de toda a produção de bens e serviços de uma economia em um período específico, teve expansão de 0,6% no terceiro trimestre em relação aos três meses imediatamente anteriores, acima do consenso de 0,40% calculado pela TC Mover. Na base anual, a economia avançou 1,2%, excedendo o prognóstico de 1% do consenso. O IBGE também revisou a alta do PIB em 2018, de 1,1% para 1,3%.

O Ibovespa futuro avançava 0,45% por volta das 09h20, enquanto o fundo de índices EWZ, que replica o Ibovespa na bolsa de Nova Iorque, subia 0,05% no pré-mercado em Wall Street, apesar do tombo nos futuros da bolsa americana. O dólar futuro na B3 recuava mais de meio ponto percentual ante o real, cotado a R$4,2080. Os juros futuros também seguiam o câmbio e recuavam.

A economia brasileira mostrou um desempenho favorável ao longo do terceiro trimestre, tanto na base sequencial quanto na base anual, com os serviços e a indústria mostrando trajetória mais sólida de recuperação, porém em ritmo lento, de acordo com economistas e gestores consultados pela TC Mover. O vetor principal foi o maior consumo das famílias, que cresceu 0,8% ante consenso de 0,6%, em meio a um cenário com juros em queda, inflação controlada e expansão tímida no crédito.

Os dados dão um respiro a Bolsonaro e a seu ministro da Economia, Paulo Guedes, cuja agenda de reformas liberalizantes e de menor gasto público tem sido motivo de discórdia entre o governo, parte do Congresso e a mídia. Eles também deixam a economia brasileira com perspectivas melhores que as que se tinham seis meses atrás. Parte do mercado chegou a temer uma recessão técnica, caracterizada por duas retrações trimestrais seguidas, em algum momento no meio do ano. O principal destaque do trimestre pela ótica da demanda foi o consumo das famílias, seguido pelos investimentos, que cresceram 2,0%, ante consenso de 1,3%. Já a recessão argentina, a redução dos investimentos e dos gastos públicos e o crescente déficit externo tiraram o pé do acelerador.