Ibovespa ignora protecionismo de Trump e avança com varejo e indicadores da China

O Ibovespa iniciou o pregão desta segunda-feira (02) em tom otimista, refletindo o avanço das ações do setor de varejo e os indicadores positivos da economia Chinesa.

O mercado repercutia o bom desempenho das companhias varejistas, que renovaram recordes de vendas no Black Friday e conseguiram impulsionar o consumo através de promoções e descontos no período.

Com destaque para Via Varejo (VVAR3), Sabesp (SBSP3), Iguatemi (IGTA3), CSN (CSN3) e Rumo (RAIL3), que lideravam as máximas no momento.

No exterior, os indicadores chineses acima do esperado catalisavam as movimentações nas principais Bolsas internacionais, renovando o apetite a ativos de risco.

O Índice de Gerente de Compras (PMI) industrial da China, mensurado pelo IHS Markit, subiu de 51,7 para 51,8 pontos em novembro, superando as previsões dos economistas.

Com isso, o gigante asiático conseguiu registrar o melhor ritmo de crescimento do setor em quase três anos, demonstrando a força de sua economia, apesar dos conflitos na guerra comercial.

Segundo relatos da mídia, Pequim só irá assinar a primeira fase do acordo comercial caso Washington se disponha a remover as tarifas que estão em vigor atualmente.

Contudo, o governo dos EUA está irredutível em não aceitar a medida, afirmando que poderá, somente, desistir de elevar as tarifas de 10% para 15% sobre US$156 bilhões em produtos chineses, previsto para valer a partir de 15 de dezembro.

Ainda na esteira do protecionismo norte-americano, o presidente Donald Trump anunciou que voltará a aplicar as tarifas sobre aço e alumínio importados dos países sul-americanos.

“Brasil e Argentina estão permitindo uma desvalorização maciça de suas moedas, o que não é bom para os nossos agricultores” – escreveu Trump em seu Twitter.

Embora as sobretaxas possam prejudicar as siderúrgicas nacionais, os agentes do mercado estão avaliando que o setor já está com um desempenho ruim devido ao contexto internacional e, por isso, a ação não deve impactar o índice geral.

Ás 12h25 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira saltava 0,73%, aos 109.075 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,905 bilhões.

Dólar recua a R$4,22 em linha com o otimismo do exterior

O dólar comercial operava em queda nesta segunda-feira (02), acompanhando o otimismo com os dados econômicos mais fortes na China.

Em novembro, o Índice de Gerente de Compras (PMI) industrial do gigante asiático subiu para 51,8 pontos, contrariando as previsões do mercado, que sinalizavam uma contração no período.

O fato animou os investidores, pois demonstrou o quão forte está a economia chinesa, apesar das turbulências da guerra comercial com os Estados Unidos.

Além disso, o leilão de US$480 milhões em recursos à vista, realizado pelo Banco Central na manhã de hoje, também pressionava o recuo da divisa americana.

Em contrapartida, notícias negativas no front comercial brasileiro adicionavam volatilidade ao câmbio, limitando o movimento de apreciação do real.

 O presidente dos EUA, Donald Trump, informou que retomará as tarifas sobre o aço e o alumínio importados do Brasil e da Argentina, devido à intensa desvalorização de suas moedas.

Ás 12h25 (horário de Brasília), o dólar comercial declinava 0,40% contra o real, sendo cotado a R$4,2230 na venda.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam um comportamento misto, seguindo a tônica cambial e os indicadores econômicos internos.

O Boletim Focus desta semana mostrou que as apostas de queda da Selic em 0,50% continuam em voga, porém, as estimativas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiram para 3,52%, ao final de 2019.

O DI abril/2020 declinava 0,22%, sendo negociado a 4,48% (4,49% no ajuste anterior) e o DI julho/2022 aumentava 0,53%, sendo vendido a 5,67% (5,64% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Oi apura prejuízo quatro vezes maior no 3º trimestre, totalizando R$5,78 bilhões

Em recuperação judicial, a Oi (OIBR3) apurou um prejuízo quatro vezes maior no terceiro trimestre deste ano, no montante de R$5,78 bilhões.

Em 2018, o prejuízo da companhia alcançou R$1,33 bilhão no mesmo período, crescendo exponencialmente em 2019, já excluída a aplicação da norma contábil IFRS 16.

De julho a setembro, a receita líquida da empresa de telefonia recuou 8,7%, passando para R$5 bilhões, sendo que, no mercado brasileiro, a queda foi de 8,8% e no mercado internacional foi de 8,5%.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação, amortização) de rotina caiu 32,9%, somando R$979 milhões e a margem Ebitda desabou de 26,6% para 19,6%.

No segmento de telefonia residencial, a receita líquida da Oi foi de R$1,8 bilhão no terceiro trimestre, o que representa uma queda de 13,5% em comparação com o mesmo período do ano passado.

A base de assinantes recuou 10,8% no intervalo, fechando em 13,53 milhões e a receita média mensal por usuário declinou 1,2%, no total de R$79,20.

O total de clientes com linhas fixas cedeu 12,8%, somando 7,48 milhões e nos serviços de banda larga, a queda foi de 9,7%, totalizando 4,53 milhões.

A carteira do pré-pago registrou 25,67 milhões de assinantes, caindo 11,8% em relação ao mesmo período de 2018, porém, no pós-pago, houve um crescimento de 22,8%, alcançando 9 milhões.

Segundo relatório divulgado pela Oi, em relação ao segundo trimestre, observou-se um aumento na receita líquida da telefonia móvel de 1,8%, que foi impulsionado por “ofertas regionalizadas mais simples e assertivas, pela migração da base de clientes pré-pagos”.

O documento também explica que o aumento o prejuízo foi influenciado por fatores internos como a baixa contábil de ativos e a desvalorização do real ante o dólar.