Ibovespa opera em alta com acordo EUA-China e pesquisa Focus no radar

O Ibovespa operava em alta nesta segunda-feira (13), refletindo a expectativa pela assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

A comitiva liderada pelo vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, desembarcará em território americano entre hoje e amanhã para oficializar os termos negociados pelos dois países.

Em dezembro, as autoridades chegaram a um consenso, estabelecendo que Pequim aumentará as compras de produtos agrícolas dos EUA e Washington não elevará as tarifas sobre os produtos importados do gigante asiático.

Uma vez formalizado o documento, afastam-se as preocupações sobre a continuidade do conflito tarifário entre as duas maiores economias do mundo.

Ainda em âmbito externo, os investidores repercutiam a situação do governo iraniano, que tem sofrido protestos sucessivos após ficar confirmado que o avião ucraniano foi abatido “por engano” pelo exército do país.

No acidente, 176 pessoas morreram e o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, assumiu o erro, caracterizando tal situação como imperdoável.

Por aqui, o mercado segue atento à divulgação do relatório Focus do Banco Central, que apresenta as projeções dos economistas para os principais índices econômicos.

As previsões para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuaram de 3,6% para 3,58% ao final de 2020, ligeiramente abaixo do centro da meta, de 4%.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas indicaram alta de 2,30% em 2020 e 2,50% em 2021.

Na B3, as companhias Sabesp (SBSP3), Usiminas (USIM5), Braskem (BRKM5), Klabin (KLBN11) e CSN (CSNA3) lideravam os ganhos, impulsionando o bom desempenho do índice geral.

De maneira especial, a Braskem avançava apoiada pelo acordo firmado com as autoridades governamentais, no qual, consegue recuperar os R$3,7 bilhões que haviam sido bloqueados devido ao processo que apura os efeitos da extração de sal-gema, em Maceió.

Ás 12h17 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira avançava 1,10%, aos 116.769 pontos, anotando um volume financeiro de R$4,052 bilhões.

Dólar salta a R$4,13 de olho no cenário externo

O dólar comercial avançava nesta segunda-feira (13), refletindo a expectativa pela assinatura do acordo entre Estados Unidos e China.

Com a proximidade da formalização do pacto que resultará no aumento das compras de produtos agrícolas americanos por Pequim, o real segue pressionado, antevendo os possíveis impactos da medida no comércio brasileiro de commodities.

Ainda assim, alguns especialistas de mercado acreditam que não há catalisadores específicos que justifiquem a depreciação excessiva da moeda local.

Além disso, os investidores adotavam uma postura de cautela à espera de outros indicadores que serão divulgados ao longo da semana, como o IBC-Br e a pesquisa mensal de serviços (PMS).

No exterior, a divisa americana se fortalecia frente às principais moedas emergentes, sinalizando um comportamento de leve ajuste e maior aversão ao risco.

Ás 12h17 (horário de Brasília), o dólar comercial saltava 1,03% contra o real, sendo cotado a R$4,1360 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam comportamentos mistos, porém, com um viés predominantemente de alta.

A curva de juros mostra que o mercado divide opiniões entre o corte ou a manutenção da Selic na próxima reunião do Copom, em fevereiro, embora a pesquisa Focus tenha projetado uma redução de 0,25%, para 4,25% ao ano.

O DI outubro/2020 subia 0,11% sendo negociado a 4,36% (4,35% no ajuste anterior) e o DI abril/2023 tinha alta de 0,69%, sendo vendido a 5,84% (5,81% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Cemig troca de comando sinalizando viés para privatização

A Cemig (CMIG4) divulgou a nomeação de Reynaldo Passanezi Filho como novo diretor-presidente da Companhia.

O executivo substituirá Cledorvino Belini, que estava à frente da estatal desde fevereiro de 2019, quando entrou para atuar como peça-chave na estratégia do governo liderado por Romeu Zema.

O ex-diretor da Fiat no Brasil e na América Latina tinha como propósito levar as soluções da iniciativa privada para a empresa de energia elétrica.

Em outubro do ano passado, Belini renunciou ao conselho de administração da Light para dedicar-se integralmente às atividades na companhia mineira.

O comunicado assinado pelo diretor financeiro e de relações com os investidores, Maurício Fernandes Leonardo Junior, não explica se o ex-presidente exercerá outro cargo ou se deixará a elétrica.

O novo líder tem passagem pelos setores financeiro (diretor do BBVA Brasil) e público (assessor do Conselho Diretor do Programa de Desestatização do Governo do Estado de São Paulo), atuando em áreas relacionadas às reestruturações empresariais, fusão, aquisição e privatizações.

Passanezi Filho é doutor em economia pela Universidade de São Paulo e é especialista em Gestão, Liderança e Inovação pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Com a substituição, o conselho de administração da estatal sinaliza que adotará um viés totalmente voltado ao mercado, seja para futuras privatizações, fusões ou atuar em parcerias.