Ibovespa opera em alta com notícia sobre a guerra comercial e o IBC-Br positivo

O Ibovespa operava em alta nesta quinta-feira (14), em meio a notícias positivas sobre a guerra comercial e à divulgação do IBC-Br de setembro, surpreendendo o mercado.

Na manhã de hoje, o assessor de Comércio da Casa Branca, Peter Navarro, desmentiu a publicação realizada pelo Dow Jones, na qual, constava que a China não estaria disposta a comprar quantidades fixas de produtos agrícolas dos EUA.

Navarro classificou a reportagem como boato e disse que “alguém deve ter ganhado muito dinheiro no mercado” para espalhar tal informação.

O fato arrefeceu as preocupações dos investidores, renovando a esperança de que os dois países possam concluir a primeira fase do acordo.

Na Ásia, as Bolsas internacionais repercutiram os dados decepcionantes da economia chinesa, que registrou crescimento na produção industrial de apenas 4,7% em outubro, ante a expectativa de expansão em 5,2%.

As vendas no varejo do gigante asiático também mostraram um desempenho muito abaixo do esperado, subindo apenas 7,2% no mês, no sentido contrário às estimativas de aumento de 7,8%.

A desaceleração das atividades na segunda maior economia do mundo revelou o tamanho do impacto da disputa tarifária, que já se arrasta desde meados do ano passado.

No Brasil, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,44% em setembro, superando as projeções dos especialistas, que sinalizavam para alta de 0,3%.

Este indicador é muito relevante porque atua como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e, quando conjugado com os dados mensurados nos serviços e no varejo, evidenciam a atual situação da economia brasileira.

Também no radar, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que o governo está em fase inicial de negociação com Pequim, para criar uma área de livre comércio entre os dois países.

Nesse contexto, às 12h30 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira subia 0,28%, aos 106.360 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,240 bilhões.

Dólar ronda R$4,18 com pressão negativa externa

O dólar comercial operava próximo à estabilidade nesta quinta-feira (14), reagindo à pressão negativa do exterior.

Novamente, as divisas latino americanas registravam perdas, precificando o aumento da aversão ao risco provocado pelas tensões políticas regionais.

Dentre as moedas globais mais líquidas, o peso chileno, o peso colombiano e o peso mexicano lideravam entre as divisas de pior desempenho.

O real mantinha certa estabilidade, apesar de alguns desfavorecerem sua valorização no curto prazo, como os juros mais baixos, a frustração com o leilão de cessão onerosa e os ruídos políticos.

A guerra comercial entre Estados Unidos e China adicionava volatilidade ao câmbio, sobretudo, após o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, desmentir que a China teria se recusado a comprar quantidades fixas de produtos agrícolas.

Apesar de a notícia arrefecer os ânimos, os investidores continuam adotando posição de cautela à espera dos desdobramentos do acordo parcial.

Ás 12h30 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 0,02% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,1860 na venda.

Como resultado do aumento da pressão sobre o mercado local, os contratos de juros futuros operavam mistos, com as taxas de curto e médio prazo sofrendo leve recomposição do prêmio de risco.

O DI abril/2020 subia 0,11%, sendo negociado a 4,50% (4,49% no ajuste anterior) e o DI outubro/2022 avançava 0,36% sendo vendido a 5,63% (5,61% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: JBS reverte o prejuízo e lucra R$356,7 milhões no 3º trimestre

A JBS (JBSS3) divulgou os resultados corporativos mensurados no terceiro trimestre, reportando um lucro líquido de R$356,7 milhões.

Impulsionado pelo excelente momento de expansão do mercado americano, o frigorífico conseguiu reverter o prejuízo de R$133,5 milhões apurado no mesmo período de 2018.

As perdas contabilizadas no referido intervalo decorreram de um impacto bilionário na adesão da companhia ao Refis do Funrural.

E apesar de os balanços demonstrarem uma situação positiva, os números ficaram muito abaixo das projeções dos analistas, que apontavam para um lucro líquido superior a R$1 bilhão.

A receita líquida cresceu 5,6% de julho a setembro, totalizando R$52,2 bilhões, sendo que a previsão para a receita global ao final de 2019 é ultrapassar os R$200 bilhões.

No trimestre, a geração de caixa livre foi de R$3,7 bilhões, avançando cerca de 61,6% na comparação anual, o que permitiu à empresa reduzir o endividamento e antecipar pagamentos.

Inclusive, no relatório de desempenho publicado junto com as demonstrações contábeis, ficou destacada a redução de R$2,7 bilhões na dívida bruta, recuando os índices de alavancagem de 3,38 para 2,56 vezes nos últimos doze meses.

O Ebitda do período (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado por itens não recorrentes, atingiu a marca de R$5,9 bilhões, aumentando 33,6% em relação à 2018.

Segundo a JBS, os resultados foram bons devido à boa disponibilidade de gado nos Estados Unidos, pela demanda aquecida no mercado norte-americano e pelo aumento das vendas no Brasil, sobretudo, de sua marca Seara.