Ibovespa opera em alta repercutindo cessão onerosa e novidades EUA-China

Em alta desde a abertura, o Ibovespa avançava nesta quinta-feira (07), repercutindo o segundo dia do leilão de cessão onerosa dos campos excedentes do pré-sal.

Novamente, a Petrobras protagonizou a disputa arrematando o bloco de Aram, na Bacia de Santos, pelo valor de R$5,05 bilhões, através de consórcio com a companhia chinesa CNODC.

A estatal brasileira ficou com uma participação equivalente a 80% no campo e a petroleira da China abocanhou os 20% restantes.

Os outros quatro campos (Bumerangue, Cruzeiro do Sul, Sudoeste de Sagitário e Norte de Brava), que também foram ofertados nesta rodada, sequer receberam propostas de aquisição.

Os investidores ficaram muito frustrados frente ao desinteresse das empresas estrangeiras, visto que, o cenário de hoje foi semelhante ao de ontem, no primeiro dia do evento.

A expectativa do governo era arrecadar quase o dobro do montante registrado até o momento e deve ingressar no país um fluxo cambial substancialmente menor do que o previsto para a operação.

Também no radar, o mercado digeria a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que revelou um crescimento de 0,1% em outubro.

O dado contrariou as projeções dos analistas, que sinalizavam para alta de 0,07%, e este é o menor resultado para o mês desde 19998.

Enquanto isso, no exterior, as Bolsas internacional operavam otimistas reagindo às declarações do porta-voz do Ministério do Comércio chinês, Gao Feng, ao afirmar que Washington e Pequim concordaram a cancelar as tarifas adicionais impostas um ao outro.

Mesmo assim, a reunião entre os chefes de estado, Donald Trump e Xi Jinping, para formalizar a primeira fase do acordo negociado, deverá ser adiada para dezembro.

Nesse contexto, às 12h30 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira subia 0,73%, aos 109.156 pontos, anotando um volume financeiro de R$6,476 bilhões.

Dólar sobe a R$4,09 com suporte do leilão no pré-sal

O dólar comercial seguia trajetória de alta nesta quinta-feira (07), influenciado pela decepção dos investidores com o resultado do segundo dia do leilão de cessão onerosa dos campos excedentes no pré-sal.

O mercado esperava que houvesse uma forte presença estrangeira na disputa, porém, somente a Petrobras, sozinha ou consorciada, apresentou propostas e arrematou blocos para exploração.

E mais uma vez, o governo teve seu planejamento frustrado, arrecadando menos do que havia projetado e encerrando o certame sem conseguir vender toda a oferta.

Como consequência, o câmbio local não receberá o ingresso de fluxo monetário na proporção prevista e isso deverá acentuar o movimento de valorização da divisa americana contra o real.

Ás 12h30 (horário de Brasília), o dólar comercial valorizava 0,27% contra o real brasileiro, sendo cortado a R$4,0930 na venda.

A moeda dos EUA segue apreciando no ambiente interno, ao contrário de seu comportamento no exterior, que é de desvalorização em relação às divisas emergentes e ligadas às commodities.

Lá fora, o clima é positivo devido às novidades do acordo entre Estados Unidos e China, com autoridades do gigante asiático afirmando que houve um consenso entre os países para remover as tarifas impostas.

Já na renda fixa, os contratos de juros futuros seguiam o mesmo viés de alta, anotando reposição do prêmio de risco ao longo de toda a curva a termo.

As taxas de longo prazo acentuaram os ganhos com a saída de fundos de investimento e com o ajuste de posições defensivas compradas em dólar, após o resultado do leilão.

O DI outubro/2021 subia 1,02% sendo negociado a 4,93% (4,89% no ajuste anterior) e o DI julho/2028 aumentava 1,08% sendo vendido a 6,55% (6,60% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Variação cambial pressiona e prejuízo da Azul chega a R$438 milhões no 3º trimestre 

A Azul (AZUL3) divulgou seu relatório de desempenho do terceiro trimestre, apurando um prejuízo quase oito vezes maior do que o valor reportado em 2018, totalizando R$438 milhões.

Desconsiderando a variação cambial do período, a companhia aérea apresentou um lucro líquido de R$441,4 milhões, um valor 57% maior na comparação anualizada.

O ajuste financeiro nas demonstrações foi realizado para refletir a adoção da norma contábil IFRS 16 e, por isso, a empresa anotou o pior resultado líquido da história, em termos nominais.

A receita líquida cresceu 25,5%, no montante de R$3,03 bilhões e o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) avançou para R$935,8 milhões, anotando alta de 24,4%.

O resultado antes do financeiro e da incidência de tributos foi de R$543,4 milhões, saltando 27% em relação ao mesmo trimestre de 2018 e figurando como o maior da história da companhia.

Apesar da melhora no aspecto operacional, o prejuízo financeiro líquido da Azul mais que dobrou, atingindo o montante de R$1 bilhão, devido ao aumento das despesas e o acentuado impacto cambial.

Em semelhante proporção, as despesas financeiras se expandiram a R$1,18 bilhão e as perdas com variações monetárias e cambiais passaram de R$329,3 milhões para R$879,3 milhões.

Dessa forma, o prejuízo total atribuído aos acionistas controladores da aérea totalizou R$453,8 milhões, fechando com a maior perda registrada no ano.

Segundo análise da XP Investimentos, os resultados corporativos da Azul foram ligeiramente abaixo do esperado, apesar de os números mostrarem um crescimento forte das receitas, impulsionado pelo aumento da oferta no mercado doméstico.