Ibovespa opera em baixa com frustração nos indicadores locais e cautela no exterior

O Ibovespa oscilava em território negativo nesta terça-feira (14), repercutindo a frustação do mercado com os indicadores locais e o clima de cautela predominante no exterior.

Depois de saltar 1,5% na véspera, o índice geral fazia uma sessão de ajustes, pressionado pelo recuo de 0,1% no setor de serviços, segundo a Pesquisa Mensal aplicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação anual, o volume de serviços aumentou 1,8%, ligeiramente abaixo dos 2% projetados pelos economistas consultados pelo Bloomberg.

Os dados decepcionaram os investidores, que estavam apostando na aceleração do ritmo de crescimento econômico, porém, os indicadores vêm mostrando um cenário diferente.

No exterior, as Bolsas também registravam perdas, apesar da expectativa pela assinatura da primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

O governo americano, inclusive, retirou a classificação do país asiático como manipuladora cambial, demonstrando desejo em construir uma boa relação de parceria comercial.

Contudo, uma notícia divulgada pelo South China Morning Post renovou as incertezas quanto ao fim da disputa tarifária entre os dois países.

Segundo a matéria, a guerra comercial ainda não terminou, pois, a primeira fase do pacto que agora será concluída foi apenas “o primeiro round de um jogo”.

Na B3, o destaque negativo vai para as companhias do setor bancário, principalmente, Itaú Unibanco (ITUB3), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11), que registravam queda de aproximadamente 1%.

Ás 12h34 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,09%, aos 117.222 pontos, anotando um volume financeiro de R$4,947 bilhões.

Dólar segue trajetória de alta rondando R$4,14

O dólar comercial operava em alta nesta terça-feira (14), refletindo o sentimento de aversão ao risco no exterior e a piora dos indicadores locais.

Na manhã de hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados referentes ao volume de serviços prestados em novembro, mostrando uma contração de 0,1% no setor.

Em relação ao mesmo período do ano passado, houve um avanço de 1,8%, contrariando as estimativas dos especialistas, que sinalizavam para alta de 2%.

Os números apresentados corroboram com a percepção de que o país não está crescendo conforme o previsto e isso altera as projeções para o cenário macroeconômico.

O mesmo se vê nos mercados internacionais, com o dólar se fortalecendo frente às principais moedas emergentes e ligadas às commodities.

Embora os investidores estejam otimistas com a assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China, o momento enseja cautela já que se trata apenas da primeira fase de negociações.

Ás 12h34 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 0,05% contra o real, sendo cotado a R$4,1420 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam recuo nas taxas em todos os períodos, com as taxas precificando a continuidade da flexibilização da taxa Selic no curto prazo.

O DI outubro/2020 declinava 0,88% sendo negociado a 4,33% (4,36% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2024 recuava 1,13%, sendo vendido a 6,11% (6,17% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Vale inicia negociação para adquirir a Aliança Energia

A Vale (VALE3) deu início às negociações junto à Cemig (CMIG4) para adquirir a totalidade das ações da elétrica Aliança Energia, na qual, as duas são acionistas.

Fruto de uma joint venture criada em 2015, a Aliança atua nos segmentos de geração e comercialização de energia, sendo avaliada em aproximadamente R$4,44 bilhões.

A mineradora detém 55% do capital social e a estatal mineira é dona dos 45% restantes, tendo em vista que, somente a fatia da Cemig equivale a R$2 bilhões.

O Santander foi contratado pela Vale para ser o assessor financeiro da transação, cuidando dos procedimentos de compra e do cumprimento contratual estabelecido entre as partes.

A concretização do negócio é de interesse das duas partes, visto que, a Cemig vem promovendo uma série de políticas de desinvestimentos para reduzir a alavancagem e reestruturar os processos internos visando sua privatização.

Já em relação à mineradora, a compra da Aliança ajudará a atingir a meta de se tornar autossuficiente em energia elétrica até 2030, utilizando fontes renováveis.

Atualmente, pouco mais de 60% da energia empregada nas operações da Vale é gerada por meios próprios e o restante é proveniente de contratos de longo prazo com empresas do setor.

A Aliança conta com sete usinas hidrelétricas em Minas Gerais e um complexo de usinas eólicas no Ceará, compondo uma capacidade total instalada de 1.257 megawatts de potência, que gera cerca de 3 mil gigawatt/hora (GWh) por ano.

Em dezembro, a elétrica anunciou o projeto de dois novos parques eólicos, que aumentarão a capacidade instalada para 1.431 MW, cujo investimento será de R$784 milhões.