Ibovespa opera em queda com acordo EUA-China e decisões dos Bancos Centrais

Oscilando em queda desde a abertura, o Ibovespa operava em queda nesta terça-feira (10), refletindo o sentimento de cautela que prevalecia nos mercados internacionais.

Na ausência de notícias relevantes, o índice geral repercutia os relatos sobre o otimismo das autoridades chinesas em relação ao possível adiamento da elevação de tarifas americanas.

Está previsto para entrar em vigor no próximo dia 15 de dezembro um aumento de 10% para 15% nas taxas incidentes sobre US$165 bilhões em produtos importados da China.

Contudo, fontes próximas aos negociadores confirmaram que os dois países estão trabalhando para adiar a adoção de quaisquer medidas até definirem uma nova data para a conclusão da primeira fase do acordo comercial.

As expectativas são altas em relação à suspensão temporária de medidas retaliatórias, tendo em vista o interesse mútuo em assegurar a continuidade das negociações.

Os investidores também estão atentos às reuniões de política monetária que estão acontecendo, simultaneamente, no Brasil e nos Estados Unidos.

Entre os analistas, a aposta majoritária é que o Federal Reserve decidirá pela manutenção da taxa básica de juros e o Copom reduzirá a taxa Selic em 0,50%.

E apesar de os cenários se apresentarem parcialmente consolidados, as incertezas continuarão conduzindo os negócios, até o anúncio de uma decisão definitiva.

Também no radar, o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, participará da cerimônia de posse do presidente argentino de esquerda, Alberto Fernández, embora o presidente Jair Bolsonaro tenha afirmado que não ia enviar representantes ao evento.

Na B3, as companhias Yduqs (YDUQ3), Marfrig (MRFG3) e Cogna (COGN3) lideravam os ganhos; já Gol (GOLL4), BTG Pactual (BPAC11) e Azul (AZUL4) lideravam as perdas.

Ás 12h30 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,26%, aos 110.690 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,564 bilhões.

Dólar avança a R$4,14 em atenção ao Copom e Fed

O dólar comercial operava em alta nesta terça-feira (10), refletindo as expectativas pelas reuniões de política monetária do Federal Reserve, nos EUA, e do Copom, no Brasil.

Apresentando um comportamento misto no exterior, a divisa americana oscilava entre perdas e ganhos contra as demais moedas emergentes, se atrelando a fatores locais.

Contra o real, o dólar assumia um viés de alta, depois de registrar seis sessões consecutivas de queda, totalizando um recuo de 2,63% no mercado à vista.

Além disso, as notícias divergentes sobre o acordo comercial entre Estados Unidos e China adicionavam volatilidade à uma sessão já influenciada pela baixa liquidez.

Ás 12h30 (horário de Brasília), o dólar comercial apreciava 0,29% contra o real, sendo cotado a R$4,1420 na venda, rondando a máxima.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam um movimento misto, com declínio nas taxas de curto prazo e aumento nas taxas na ponta mais longa da curva.

O DI outubro/2020 caía 0,11% com negociação a 4,48% (4,48% no ajuste anterior) e o DI julho/2022 subia 0,18%, sendo vendido a 5,49% (5,47% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: JBS é acusada de fraudar sistema de investimentos do BNDES

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública por improbidade administrativa contra as empresas JBS e J&F Investimentos, sob a acusação de fraudes no sistema BNDES/ BNDESPar.

Ao todo, foram relacionadas 14 pessoas no processo e, além da condenação por improbidade, o MPF pede que sejam devolvidas 144.206.155 ações da JBS (JBSS3) ao BNDESPar e demais indenizações que somaram R$21 bilhões.

Segundo os autos da ação proposta, as irregularidades apuradas aconteceram nos anos entre 2007 e 2011, favorecendo o processo de internacionalização do grupo corporativo.

Houve também dano advindo do pagamento de taxas de administração pela adesão injustificada ao Fundo Fip Prot, em valor superior a R$20,5 milhões, e pela dispensa indevida da cobrança de juros no empréstimo do BNDES à JBS para a aquisição da Swift.

Á tudo isso, soma-se os dividendos e ganhos com ações que teriam sido auferidos pelo BNDES caso a transação cumprisse com os procedimentos normalmente aceitos pelo mercado.

No total, o prejuízo resultante aos cofres do banco público foi de R$4,2 bilhões, estando entre os envolvidos políticos federais, funcionários da empresa e técnicos do BNDES.

As manobras teriam o objetivo de facilitar os trâmites para a expansão da companhia no mercado internacional, bem como, valorizar seus ativos no cenário doméstico.