Ibovespa opera em queda com controvérsias na guerra comercial e decisão do STF

O Ibovespa operava em queda nesta sexta-feira (08), reagindo ao clima adverso que prevalecia nos mercados internacionais.

Há uma certa controvérsia em torno das negociações entre Estados Unidos e China, que se referem à conclusão da primeira fase do acordo comercial.

Segundo notícia divulgada pela Reuters, a proposta de remoção das tarifas impostas pelos dois países está enfrentando forte resistência dentro da Casa Branca.

Essa informação contradiz com as declarações do Ministério do Comércio da China, que na véspera, afirmou que havia um consenso de ambas as partes para retirar as taxas fixadas durante o acirramento da disputa.

Ao mesmo tempo, a porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, disse à jornalistas do Fox News que o governo americano está muito otimista em concluir o acordo negociado.

Os investidores decidiram manter uma postura de maior cautela frente à situação, aguardando os desdobramentos para assumir uma posição de maior risco.

No cenário interno, as movimentações do dia são catalisadas pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogou a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, por 6 votos a 5.

Tal posicionamento poderá beneficiar cerca de cinco mil pessoas, dentre as quais, estão os executivos e parlamentares presos no âmbito da Lava-Jato e o ex-presidente Lula.

Em nota, o Ministério Público declarou que respeita a decisão do STF, contudo, caracterizou a medida como divergente ao sentimento de “repúdio à impunidade e combate à corrupção”.

Na B3, o destaque vai para as ações da CVC (CVCB3), que recuavam mais de 10% após a divulgação da queda nos lucros do terceiro trimestre

Nesse contexto, às 12h25 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,79%, aos 108.710 pontos, anotando um volume financeiro de R$4,601 bilhões.

Dólar salta a R$4,13 com exterior negativo e “efeito STF”

O dólar comercial operava em forte alta nesta sexta-feira (08), refletindo o exterior negativo contaminado com as incertezas sobre o acordo comercial entre Estados Unidos e China.

As notícias controversas sobre a remoção de tarifas da guerra comercial pressionavam o aumento da aversão ao risco.

Autoridades chinesas chegaram a confirmar que houve consenso entre os dois países quanto à retirada das taxas impostas durante a disputa, porém, o governo americano não confirmou a afirmação.

E segundo a Reuters, há uma vertente de grande oposição ao tema dentro da Casa Branca, que está impedindo a concretização da medida e poderá afetar a conclusão da primeira fase do acordo.

Por aqui, o mercado segue atento à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que na noite de ontem, formou jurisprudência contra a prisão após condenação em segunda instância.

Na visão de alguns analistas de mercado, o “efeito STF” poderá colocar mais pressão sobre o real, já que, o clima de insegurança jurídica gerado pela medida tende a afastar o investidor estrangeiro do país.

Ás 12h25 (horário de Brasília), o dólar comercial valorizava 1,08% contra o real brasileiro, sendo cortado a R$4,1350 na venda.

Na mesma linha, os contratos de juros futuros rondavam a estabilidade, apesar do viés de alta, de olho nas movimentações políticas, após o novo posicionamento do supremo.

O DI maio/2020 permanecia estável sendo negociado a 4,47% e o DI janeiro/2026 recuava 0,16% sendo vendido a 6,38% (6,39% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Ser Educacional reporta queda de 35,5% no lucro do 3º terceiro trimestre

A Ser Educacional (SEER3) divulgou os balanços do terceiro trimestre reportando um lucro líquido de R$23,8 milhões, o que representa uma queda de 35,5% sobre o mesmo período do ano passado.

A receita da companhia aumentou 1% na comparação anual, totalizando R$288,9 milhões e a margem bruta subiu de 52,81% para 54,59%.

Em relatório, a empresa explicou que os números foram influenciados pelo aumento das despesas operacionais e pela piora do resultado financeiro, apesar da redução de 3% nos custos gerais.

No setor operacional, houve um aumento de 11,7% nas despesas, alcançando o montante de R$110,4 milhões, com recuo da margem para 16,35%.

O prejuízo líquido financeiro também subiu de R$12,9 milhões para R$21,7 milhões e o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) avançou 9,2%, atingindo R$77,5 milhões.

A Ser finalizou o trimestre com 161,8 mil alunos em sua carteira, o que equivale a um aumento de 10,2% na comparação anual, porém, o tíquete médio caiu no período, devido à maior participação do ensino à distância (EAD) e da concessão de bolsas e descontos.

Na análise do Itaú BBA, a receita da companhia veio em linha com as projeções do mercado, contudo, o Ebitda ajustado ficou aquém das estimativas.

Como pontos positivos, houve um forte crescimento das receitas presenciais e a distância, menor custo de serviços prestados e redução de gastos com serviços de terceiros.