Ibovespa opera em queda com falas de Guedes e cenário macroeconômico

O Ibovespa operava em leve queda nesta segunda-feira (20), repercutindo as falas de Paulo Guedes sobre a atual conjuntura e as projeções do cenário macroeconômico.

Em uma sessão de intensa volatilidade devido ao fechamento dos mercados norte-americanos, o índice geral se inclinava à influência de variáveis internas.

O ministro da Economia voltou a dizer que o dólar alto e as taxas de juros mais baixas conformam o novo cenário “normal” da realidade brasileira.

Ele acrescentou que as reformas estruturais serão aprofundadas ao longo deste ano, enfatizando que entregará sua proposta de reforma tributária à Comissão Mista do Congresso.

Guedes também disse que, após as reformas, o país estará crescendo 4% ao ano, e essa mudança pode ter início já em 2020, com a concretização da agenda pelo Congresso.

Apesar das boas perspectivas, os investidores preferiram adotar uma postura cautelosa, já que os últimos indicadores mostraram quão frágil ainda está a atividade econômica.

Inclusive, na pesquisa Focus divulgada hoje pelo Banco Central, as previsões para o PIB de 2019 recuaram de 1,17% para 1,16%, já prevendo leve contração em relação à análise anterior.

Enquanto isso, no exterior, o mercado segue atento ao Fórum Econômico Mundial, que está sendo realizado em Davos (Suíça) e dará início às discussões gerais nesta terça-feira (20).

Para este evento, a expectativa é que a equipe econômica mostre ao mundo que o Brasil passou por grandes transformações ao longo do ano passado e que agora é o melhor destino para investimentos estrangeiros.

Além disso, Guedes deve explorar a perspectiva de ingresso do país na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), depois do apoio formal dado pelos Estados Unidos.

Na B3, as companhias Hering (HGTX3), Suzano (SUZB3), Tim (TIMP3) e Bradesco (BBDC3 / BBDC4) registravam as maiores perdas do momento.

Ás 12h18 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira declinava 0,18%, aos 118.260 pontos, anotando um volume financeiro de R$2,816 bilhões.

Dólar sobe a R$4,18 em dia de cautela e baixa liquidez

O dólar comercial operava em alta nesta segunda-feira (20), sinalizando cautela dos investidores, em uma sessão que promete ser de baixa liquidez.

Devido ao feriado nacional, os mercados dos Estados Unidos permaneceram fechados, reduzindo o volume de transações ao redor do mundo.

Além disso, há grande expectativa pela realização do Fórum Econômico Mundial, na Suíça, que terá início a partir de amanhã (21) e deverá abordar discussões relevantes sobre a atual conjuntura global.

Por aqui, o câmbio refletia a pesquisa Focus do Banco Central, que evidenciou um ajuste para baixo nas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) obtido no ano passado.

Segundo o consenso dos economistas, as previsões para o PIB de 2019 recuaram de 1,17% para 1,16%, contudo, para 2020, houve um avanço de 2,30% para 2,31%.

Mesmo assim, há um sentimento de receio em relação à aceleração da economia, tendo em vista que os últimos indicadores frustraram as expectativas.

Outro fator que também está contribuindo com a depreciação do real é que há um movimento forte de compra de contratos a termo de moeda sem entrega física (NDF).

Quando o câmbio demonstra este comportamento significa que tais derivativos estão sendo utilizados como instrumento de hedge, já que o contratante garante uma taxa de câmbio futura para a moeda.

Ás 12h18 (horário de Brasília), o dólar comercial avançava 0,50% contra o real, sendo cotado a R$4,1850 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam leve queda nas taxas ao longo da curva, reagindo às previsões do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Conforme o boletim Focus, ao final de 2020, a mediana do IPCA caiu de 3,58% para 3,56%, e para 2021, as estimativas permaneceram em 3,75%.

Sem pressões inflacionárias, a perspectiva é que a taxa Selic fique em 4,50% este ano, e avance para 6,25% ao final do ano que vem.

O DI outubro/2020 caía 0,23% sendo negociado a 4,30% (4,31% no ajuste anterior) e o DI julho/2024 declinava 0,48%, sendo vendido a 6,23% (6,24% no ajuste anterior).