Ibovespa opera em queda com indicadores na China e setores bancário e varejista

O pregão desta terça-feira (10) começou volátil, com o Ibovespa repercutindo os indicadores econômicos na China e a queda das ações dos bancos e do varejo.

Pela manhã, o governo chinês divulgou a mensuração do índice de preços ao produtor (PPI) de agosto, apresentando uma contração de 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Na comparação mensal, o PPI recuou 0,1% sobre o resultado de julho, mostrando os impactos da guerra comercial com os EUA sobre o consumo doméstico.

Já o índice de preços ao consumidor (CPI) disparou 2,8% no mês, superando as expectativas dos analistas consultados pelo Wall Street Journal, que indicavam a alta de apenas 2,6%.

Com isso, os níveis de inflação no gigante asiático se aproximaram da meta anual de 3% e o grande catalisador foi o aumento de 46,7% da carne de porco.

O mercado chinês tem passado por um momento de escassez do produto, o que pressionou a valorização de quase 31% nas carnes em geral, sobretudo bovina, suína e ovina.

Segundo análise do Credit Suisse, a inflação headline dos alimentos na China deve continuar nos próximos meses, mesmo após o governo aplicar políticas de estabilização dos preços.

O movimento de queda visto nos mercados internacionais constitui apenas um reflexo dos temores sobre o cenário de forte desaceleração da segunda maior economia do mundo, em meio aos temores sobre uma recessão nos EUA e na União Europeia.

Por aqui, o dia é de perdas na B3, com os setores bancário e varejista empurrando as operações gerais para o território negativo.

As ações dos bancos passavam por forte correção devido à alta das sessões anteriores e as ações do varejo estão sendo fortemente pressionadas pela entrada no mercado brasileiro do programa Amazon Prime, que promete elevar a competitividade no segmento de e-commerce.

Nesse contexto, às 12h14 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,34%, aos 102.816 pontos, anotando um volume financeiro de R$5,044 bilhões.

Dólar avança a R$4,11 à espera das decisões de política monetária

Em sessão de agenda esvaziada, o dólar oscilava em alta de olho nas decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e no Federal Reserve.

Na próxima quinta-feira (12), o BCE deverá reduzir a taxa de juros na zona do euro para dar sustentação à recuperação econômica promovida pela aplicação de estímulos.

Na mesma direção, o Federal Reserve deverá intervir na semana que vem, cortando a taxa básica praticada nos EUA, visando conter o enfraquecimento das atividades.

Depois de abrir em queda, a divisa americana mudou de direção e agora opera em alta contra as principais moedas emergentes, enquanto a rentabilidade dos títulos públicos americanos e alemães avançam, dando sequência ao movimento ascendente identificado na véspera.

Na paridade contra o real brasileiro, o dólar comercial subia 0,29%, sendo cotado a R$4,1120 na venda, por volta das 12h14 (horário de Brasília).

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam a mesma tendência de alta, seguindo a dinâmica cambial de cautela e menor exposição ao risco.

O DI fevereiro/2020 subia 0,29%, sendo negociado a 5,26% (5,23% no ajuste anterior) e o DI julho/2023 saltava 0,76%, sendo vendido a 6,67% (6,60% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo

Vale (VALE3) – A Fitch informou a manutenção da classificação de risco da Vale em BBB-, porém retirou a observação negativa que sinalizava para a perspectiva estável para a nota de crédito da mineradora.

Segundo a agência, “essas ações de rating refletem menos incertezas e visibilidade melhorada em relação a multas, custos de reparação e obrigações financeiras relacionadas ao desastre da barragem de rejeitos da empresa na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (…)”.

Um outro motivo elencado foi a capacidade extremamente forte da Vale de pagamento dos passivos globais, bem como de geração recorrente de caixa.

A Fitch também projetou que a Vale deverá encerrar 2019 com um Ebitda ajustado de aproximadamente 18 bilhões de dólares (excluindo as provisões relacionadas a Brumadinho) e menos de 5 bilhões dívida líquida, tomando como base os preços atuais do minério.

“A Vale estará entre os dois maiores produtores de minério de ferro durante 2019, apesar de perder 50 milhões de toneladas de produção” – enfatizou a agência, apontando para a redução dos custos de produção e a qualidade do mineral extraído.