Ibovespa opera em queda com retaliação da China e discurso de Powell

O pregão desta sexta-feira (23) começou em tom negativo, seguindo o sentimento de cautela que assolou o desempenho dos mercados na véspera.

Pela manhã, a China anunciou mais uma medida de retaliação à ofensiva tarifária promovida pelo governo americano.

Segundo o Ministério do Comércio chinês, Pequim pretende impor tarifas que vão de 5% a 10% sobre US$75 bilhões em produtos importados dos EUA, visando contrabalançar as barreiras fixadas por Washington.

A notícia também menciona que a aplicação das taxas ocorrerá em dois momentos, sendo uma parte já a partir do dia 01 de setembro e a outra parte em 15 de dezembro.

Além disso, o governo chinês está estudando reativar as tarifas de 25% sobre a importação de automóveis americanos, uma antiga prática que havia sido abolida.

O fato adicionou volatilidade aos ativos emergentes, que são os mais afetados com o agravamento da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Os investidores também reagiram ao discurso mais dovish do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, durante o Simpósio Anual de Política Monetária em Jackson Hole.

Ele afirmou que a instituição agirá adequadamente para apoiar a expansão da economia dos EUA e enfatizou os riscos enfrentados pelo atividade norte-americana, diante de uma conjuntura de desaceleração global.

No entanto, Powell não demonstrou apoio à uma campanha mais agressiva para a flexibilização dos juros e ainda alertou sobre os efeitos da aplicação excessiva de estímulos.

Enquanto isso, por aqui, os incêndios na Amazônia são o foco das discussões, gerando repercussões negativas em diversos países do mundo.

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que o desmatamento na região deve ser classificado como crise internacional e discutido no âmbito do G-7, na reunião do próximo final de semana.

Em reação, o presidente Jair Bolsonaro convocou uma reunião de emergência para debater soluções para as queimadas e alternativas que viabilizem a utilização do exército na empreitada.

Nesse contexto, às 12h30 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira desabava 1,79%, aos 98.223 pontos, anotando um volume financeiro de R$5,607 bilhões.

Dólar e juros operam voláteis com nuances do exterior

O mercado de câmbio operava com intensa volatilidade, refletindo o embate entre intensificação da guerra comercial e o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

Antes da abertura, os investidores reagiam à notícia de retaliação da China através da imposição de tarifas sobre US$75 bilhões em produtos americanos.

Pouco tempo depois, o discurso de Powell durante o Simpósio Anual de Política monetária também não ajudou, já que ele se posicionou contra um novo corte na taxa de juros dos EUA.

Embora o chairman do Fed tenha adotado um tom mais dovish, as declarações tiveram impacto moderado sobre as expectativas.

Para completar o clima de tensão, o presidente Donald Trump publicou em sua conta no Twitter que vai pedir às empresas americanas que atuam na China para voltarem a produzir em solo nacional.

Diante disso, a divisa americana se fortaleceu contra as demais moedas globais, já que é considerada um ativo muito seguro.

Ás 12h30 (horário de Brasília), o dólar comercial avançava 0,10% sobre o real brasileiro, sendo cotado a R$4,0830.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam movimentos mistos, mas com ligeiro viés de alta, em atenção à dinâmica cambial.

O DI maio/2020 subia 0,29%, sendo negociado a 5,25% (5,23% no ajuste anterior) e o DI abril/2023 subia 0,15%, sendo vendido a 6,47% (6,46% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo

Oi (OIBR3/ OIBR4) – Segundo notícia divulgada pelo Valor Econômico, os acionistas e detentores de títulos da Oi estão analisando alternativas de viabilizem o financiamento da operadora, sem que seja necessário realizar nova capitalização.

Dentre as opções em discussão, considera-se a emissão de dívida garantida por ativos ou recebíveis, que deverá ser conduzida por uma instituição bancária a ser escolhida.

Neste momento, duas instituições bancárias, uma nacional e uma estrangeira, estão construindo uma proposta de captação de recursos, que será apresentada ao Conselho de Administração para deliberação.

SulAmerica (SULA11) – A SulAmerica efetuou a venda de sua operação de automóveis e ramos elementares para a Allianz Seguros.

O valor da transação foi estabelecido em R$3 bilhões, tomando como referência um patrimônio líquido de R$700 milhões da companhia criada especificamente para a operação.

Após concluir a aquisição, a Allianz se tornará um nome de peso no segmento de seguros de automóveis e demais ramos correlatos.

Em fato relevante, a SulAmerica explicou que “a conclusão da transação está condicionada ao cumprimento de determinadas condições precedentes, conforme previstas no respectivo contrato, incluindo a aprovação prévia dos órgãos reguladores (…)”.

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