Ibovespa opera em queda com tensões EUA-China e indicadores locais

O Ibovespa operava em queda nesta quarta-feira (13), refletindo a aversão ao risco no front externo, provocado, principalmente, pelo acirramento das tensões entre Estados Unidos e China.

Na sessão de ontem, o presidente Donald Trump afirmou, durante um evento, que a conclusão da primeira fase do acordo comercial com os chineses poderá ocorrer rapidamente.

Porém, na mesma toada, ele voltou a ameaçar Pequim dizendo que poderá aumentar ainda mais as tarifas sobre os produtos do país asiático, caso não haja um consenso entre os dois países.

Em resposta, o jornal chinês Global Times fez uma publicação com fortes críticas aos EUA, destacando que o governo americano “acredita em uma mentira contada mil vezes”.

Em meio a um cenário repleto de turbulências, os investidores também acompanhavam as convulsões sociais em escala global, sobretudo, em Hong Kong, no Chile e na Bolívia.

Por aqui, o mercado reagia à divulgação das vendas no varejo, que apresentaram avanço de 0,7% em setembro, na comparação mensal, vindo em linhas com as projeções dos analistas.

Esse importante indicador soou muito positivo, pois revelou que há um movimento de retomada no consumo das famílias.

Também no radar, o presidente Jair Bolsonaro oficializou ontem a sua saída do PSL e deu início à criação de sua nova sigla, o partido Aliança pelo Brasil.

Na agenda de governo, Bolsonaro receberá no palácio do Itamaraty o primeiro-ministro chinês, Xi Jinping, às margens da reunião de cúpula dos BRICs.

E no Congresso, crescem as divergências sobre a elaboração de uma nova Constituinte para pautar a prisão após condenação em segunda instância, visto que, a matéria constitui cláusula pétrea na atual carta magna.

Nesse contexto, às 12h29 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,86%, aos 105.832 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,960 bilhões.

Dólar ronda R$4,17 refletindo maior aversão ao risco

Em uma sessão negativa para os emergentes, o dólar comercial oscilava em alta nesta quarta-feira (13), tanto no câmbio interno, quanto no exterior.

As incertezas no acordo comercial entre Estados Unidos e China continuam catalisando as perspectivas dos investidores no curto prazo.

Ontem, o presidente Donald Trump voltou a ameaçar a China dizendo que aumentará as tarifas sobre os produtos caso Pequim desista de assinar o acordo.

Além disso, as tensões na América Latina, sobretudo no Chile e na Bolívia, também acentuavam o clima de aversão ao risco, pressionando a fuga de capital estrangeiro na região.

No cenário interno, o mercado segue monitorando os impactos da saída do presidente Jair Bolsonaro do PSL e a criação de seu novo partido Aliança pelo Brasil.

Os ruídos na relação do governo com o Congresso se intensificaram nos últimos dias e ontem, os parlamentares impuseram nova derrota a Bolsonaro, rejeitando a MP que permite a publicação de balanços das empresas apenas na internet.

Adicionalmente, os senadores criticaram duramente a MP que autoriza ao estado taxar em 7,5% o seguro-desemprego, para arcar com os custos da contratação de jovens entre 18 e 29 anos e a exclusão de pessoas com mais de 55 anos da proposta.

Ás 12h29 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 0,19% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,1750 na venda.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros operavam mistos, apresentando viés de alta na região central da curva e leve declínio nas extremidades.

O comportamento das taxas reflete a divulgação das vendas do varejo em setembro, que registraram alta de 0,7% em comparação a agosto, vindo em linha com as projeções dos analistas.

O DI outubro/2020 subia 0,33%, sendo negociado a 4,50% (4,47% no ajuste anterior) e o DI abril/2023 avançava 1,03% sendo vendido a 5,86% (5,80% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Cogna registra queda de 94% no lucro líquido do 3º trimestre

A Cogna (COGN3), uma das holdings do grupo Kroton, divulgou um lucro líquido de R$20,3 milhões no terceiro trimestre, contabilizando uma queda de 94% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo os relatórios da companhia, o recuo exponencial pode ser explicado por um fraco resultado operacional e pelo aumento das despesas financeiras contraídas com o processo de aquisição da Somos.

De julho a setembro, a receita avançou 21%, alcançando R$1,51 bilhão, porém, os custos também se elevaram, fazendo a margem bruta contrair de 55,54% para 55,36%.

O aumento das despesas com vendas, gerais e administrativas influenciou diretamente o resultado antes das atividades financeiras e dos tributos, que recuou para R$109,6 milhões, ante os R$270,7 milhões observados na comparação anual.

No intervalo, o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$172,5 milhões (em 2018, a cifra foi positiva em R$93 milhões) e as despesas financeiras quase triplicaram de valor.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) caiu cerca de 10,5% na comparação anual, totalizando R$511,5 milhões no período.

A companhia também informou que realizará o pagamento de R$7,74 milhões em dividendos intercalares no dia 29 de novembro.

O montante será distribuído na remuneração de R$0,0047 por ação e serão contemplados apenas os acionistas que mantiverem suas posições no dia 20 de novembro, sendo suas ações negociadas ex-dividendos a partir do dia 21.

A Cogna também informou que ainda mantém a expectativa de atingir o guidance projetado para 2019, sobretudo, em relação ao Ebitda e geração de caixa pós capex.

“Considerando a sazonalidade de certas linhas do resultado e, especialmente, de recebimento do PNLD verificada nesse ano, a expectativa é que o resultado do 4T19 seja bastante forte” – explicou a instituição.