Ibovespa oscila mas fecha em alta com acordo comercial e indicadores locais

O Ibovespa encerrou em leve alta nesta terça-feira (14), em atenção aos desdobramentos do acordo comercial e o enfraquecimento dos indicadores locais.

Depois de passar a maior parte do dia em território negativo, o índice geral desacelerou no final do pregão, após a notícia de que os Estados Unidos não pretendem retirar as tarifas sobre os produtos chineses até o final do processo eleitoral do país.

A informação veio um dia antes da formalização da primeira fase do acordo comercial, que deverá acontecer amanhã, em Washington.

Embora essa tenha sido uma condição estabelecida por Pequim, a Casa Branca parece não cumpriu a determinação, mas, retirou o país da classificação de “manipulador cambial”.

Por aqui, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a Pesquisa Mensal de Serviços mensurado em novembro, evidenciando um recuo de 0,1% nas atividades do setor.

Em relação ao mesmo período de 2018, houve um crescimento de aproximadamente 1,8% nos serviços, mas o número ainda ficou aquém das previsões de alta em 2% projetadas pelos especialistas.

Os investidores ficaram desanimados, pois havia uma crença forte de que o país estaria passando por um processo acelerado de retomada do crescimento econômico, o que, de fato, não tem sido demonstrado pelos dados oficiais.

Porém, o governo revisou as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB), elevando de 2,32% para 2,4% as estimativas de expansão em 2020.

Na ausência de catalisadores externos, o índice geral devolveu as perdas após a recuperação das ações da Vale (VALE3), que avançaram após a divulgação dos dados da balança comercial chinesa.

As importações de minério de ferro do gigante asiático aumentaram 11,7% no mês de dezembro, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Na B3, as companhias Via Varejo (VVAR3), CCR (CCRO3), Ecorodovias (ECOR3), Klabin (KLBN11) e Lojas Americanas (LAME3) lideraram os ganhos.

Como resultado, a Bolsa brasileira avançou 0,26% aos 117.632 pontos, com um volume financeiro de R$15,731 bilhões.

Dólar fecha em R$4,12 registrando forte pressão vendedora

O dólar comercial declinou 0,29% nesta terça-feira (14), fechando na cotação de R$4,1290 na venda, sob forte movimento de realização de lucros.

Em uma sessão bastante volátil, a divisa americana operou sob forte pressão vendedora, reagindo à diferentes variáveis dos cenários interno e externo.

A equipe econômica do governo revisou as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, aumentando de 2,3% para 2,4%.

Ao mesmo tempo, foram alteradas as estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), avançando de 3,53% para 3,62% no período.

Tal conjuntura divide as opiniões dos economistas quanto a um possível corte na taxa Selic, já que outros indicadores demonstraram fraqueza na retomada do crescimento.

No exterior, apesar das expectativas em relação à assinatura do acordo EUA-China, a Bloomberg realizou uma publicação informando que as tarifas americanas sobre as importações de produtos chineses permanecerão até a conclusão do processo eleitoral no país.

O fato ajudou a desacelerar os ganhos do dólar, que mesmo assim, se fortaleceu contra as principais moedas emergentes, como o rublo russo e a lira turca.

Apesar do impulso de hoje, o real ainda é a divisa que mais cedeu terreno para a moeda dos EUA, que acumula valorização de 2,99% no período.  

Alguns analistas sugerem que a fraqueza do câmbio brasileiro se deve à flexibilização excessiva da Selic, que, por um lado reduziu a atratividade da moeda, mas por outro, impulsionou as atividades locais.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram em firme queda, refletindo a grande possibilidade de haver cortes adicionais na taxa Selic.

O DI outubro/2020 caiu para 4,32% (4,36% no ajuste anterior), o DI abril/2023 recuou para 5,75% (5,87% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 declinou para 6,36% (6,44% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em alta fazendo sessão de ajustes após alívio no Oriente Médio

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta terça-feira (14), fazendo uma sessão de ajustes técnicos, após perder quase 8% com alívio nas tensões no Oriente Médio.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para fevereiro, avançou 0,25%, sendo negociado a US$58,23 o barril.

Enquanto o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em março, avançou 0,45%, fechando na cotação de US$64,49 o barril.

Com o acirramento do conflito entre Estados Unidos e Irã, as cotações de ambas as referências saltaram, renovando as máximas em oito meses, reagindo à preocupação sobre os possíveis impactos na oferta global.

Porém, com a resolução “pacífica” da situação, os preços da commodity caíram forte, recuando mais do que ganharam nas semanas anteriores.

Na sessão de hoje, os investidores avaliaram o mercado frente às perspectivas de assinatura do acordo comercial entre EUA e China e a nova rodada de sanções que Washington imporá ao Irã.

Nesse sentido, as expectativas sinalizam para um avanço na demanda, já que a disputa tarifária entre as duas maiores economias do mundo parece estar temporariamente resolvida.

Adicionalmente, os cortes na produção propostos pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) prometem, no curto prazo, manter os níveis de oferta sob controle.

Também no radar, há grande expectativa em relação aos dados sobre os estoques de óleo bruto nos EUA, que serão publicados amanhã.

Em uma pesquisa realizada pelo Wall Street Journal, os economistas apostaram que houve uma redução de 1,1 milhão de barris de petróleo, mas aumentaram 3,2 milhões de barris de gasolina.

Noticiário Corporativo: B2W adquire startup avançar no comércio eletrônico de alimentos

A B2W (BTOW3) anunciou a aquisição da startup de supermercados SuperNow, visando elevar sua competitividade para atuar no segmento de comércio eletrônico de alimentos.

Embora tal nicho ainda seja pouco explorado, grandes marcas como Grupo Pão de Açúcar e Carrefour, já iniciaram a disputa por um posicionamento estratégico no setor.

Com essa compra, a B2W volta a fazer investimentos na área de varejo, depois de concentrar esforços em aquisições de companhias focadas em sistemas, tecnologia e distribuição.

O objetivo agora é construir uma estrutura de marketplace voltada ao varejo alimentar, para divulgar e vender itens de diversos lojistas e empresas de diferentes portes.

Nesse caso, os clientes poderão acessar o shopping virtual (SuperNow), escolher o supermercado e realizar as compras on-line, que os produtos serão entregues em até duas horas.

Essa é a meta da statup, apesar de ser muito ousada e demandar uma estrutura logística e operacional muito bem alinhada e com processos muito bem definidos.

Segundo apurou o Valor, a B2W deseja colocar a carteira de varejistas na Americanas.com e pretende ampliar a lista de lojistas atendidos, tendo em vista as centenas de mercadinhos espalhados pelo país.

Potencialmente, os ganhos poderão ser de escala, pois, a companhia pretende agregar essa atividade à sua estrutura já montada para realizar as entregas.

Na disputa pela liderança em comércio eletrônico, a B2W terá que avançar mais rápido que as suas concorrentes, driblando os desafios e custos de distribuição vinculados ao varejo de alimentos.

Contudo, a companhia já está um passo à frente das demais em termos de infraestrutura, operações e planejamento, o que facilita a sua entrada e adaptação ao segmento.