Ibovespa perde os 100 mil e recua com acirramento das tensões Washington-Pequim

Depois de oscilar em alta a maior parte do tempo, o Ibovespa encerrou em queda nesta terça-feira (08), permanecendo abaixo da fronteira psicológica dos 100 mil pontos pela primeira vez desde 3 de setembro.

A reação negativa ocorreu após os Estados Unidos restringirem as concessões de vistos a autoridades chinesas, que estariam envolvidas em casos de abusos contra minorias étnicas e religiosas na província de Xinjiang.

Segundo o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, a medida atingirá funcionários do governo do país asiático que seriam responsáveis e/ou coniventes com a agressão aos grupos Uigur, Kazakh e outros de origem muçulmana.

Em comunicado, a Casa Branca solicitou que a República Popular da China encerre sua campanha de repressão às minorias que habitam a região e libere todos os cidadãos que foram detidos arbitrariamente.

A notícia não soou bem nos mercados, derrubando as Bolsas internacionais, sobretudo, as de Wall Street. O Dow Jones recuou 1,16%, o S&P 500 declinou 1,56% e o Nasdaq Composto desabou 1,67%.

Nem mesmo o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, foi capaz de reverter o mau humor, que ensejou um forte clima de aversão ao risco nesta tarde.

Powell disse que os riscos geopolíticos são cada vez mais relevantes no contexto econômico e ressaltou que o Fed vai trabalhar para ancorar a inflação no centro da meta em 2%, para evitar quedas posteriores.

Por aqui, as turbulências do exterior atingiram em cheio o otimismo em torno do acordo sobre a divisão de recursos da cessão onerosa que está sendo fechado entre o governo e o Congresso.

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, afirmou que a distribuição dos R$106,5 bilhões que serão arrecadados com o megaleilão do pré-sal já está quase definida e que o segundo turno de votações da reforma da Previdência acontecerá dia 22 de outubro.

No final da sessão, a Bolsa brasileira caiu 0,59% aos 99.981 pontos, anotando um volume financeiro de R$14,198 bilhões.

Conflito EUA-China impacta o câmbio e dólar fecha a R$4,09

Assim como os demais ativos, o dólar também foi afetado pelos impactos do acirramento do conflito comercial entre Estados Unidos e China.

No fechamento, a divisa americana recuou 0,34% contra o real brasileiro, na cotação de R$4,0900 na venda, fazendo uma sessão de ajustes à alta de 1% registrada na véspera

Operando sem uma direção definida ao longo do dia, a moeda dos EUA se firmou em território negativo após o governo americano anunciar que vai suspender o visto de algumas autoridades chinesas.

Além disso, no dia anterior, a Casa Branca já havia comunicado a inclusão de empresas chinesas na lista negra por suspeita de violação grave de direitos humanos a minorias étnicas e religiosas na região de Xinjiang.

Em meio à tantas turbulências, o real foi a divisa que apresentou o melhor desempenho nesta sessão, que foi muito de grandes perdas para ativos de risco de todos os segmentos.

Embora pareça contraditório o comportamento do dólar no mercado interno, alguns operadores disseram que a expectativa por cortes de juros adicionais nos EUA ajudou a acentuar o movimento de queda.

Da mesma forma, as perspectivas positivas em relação ao acordo entre o governo e o Congresso sobre a partilha de recursos da cessão onerosa também trouxe alívio aos investidores locais.

Na mesma linha, os contratos de juros futuros encerraram renovando as mínimas históricas, de olho na atuação do Federal Reserve para com os juros norte-americanos.

Comentários do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, sobre o crescimento patrimonial da instituição e a economia dos EUA, delimitaram o cenário de flexibilização no curto prazo.

O DI maio/2020 caiu para 4,72% (4,75% no ajuste anterior), o DI julho/2023 declinou para 6,19% (6,22% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 recuou a 6,95% (6,98% no ajuste anterior).

Futuros de petróleo fecham em queda com conflito EUA-China no radar

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta terça-feira (08), reagindo ao agravamento da disputa comercial entre Estados Unidos e China, faltando dois dias para as negociações presenciais.

O governo americano colocou oito empresas chinesas do ramo de tecnologia na lista negra por estarem ligadas a violações de direitos humanos de minorias étnicas e religiosas da província de Xinjiang.

Além disso, Washington restringiu o visto de autoridades chinesas e integrantes do partido comunista, alegando que tais lideranças seriam responsáveis pelas agressões aos grupos minoritários Uigur, Kazakh e outros.

Em resposta, Pequim acusou os EUA de tentar interferir nos assuntos domésticos de seu território e sinalizou que poderá retaliar a medida.

Os investidores ficaram preocupados diante da troca de farpas entre os dois países e optaram por uma postura mais cautelosa, o que prejudicou o desempenho dos contratos.

O cenário de desaceleração latente das economias e a piora das questões comerciais entre os maiores mercados consumidores de petróleo, fizeram as projeções de demanda recuaram novamente.

Segundo relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia (AIE) ligada à OCDE, a previsão de consumo global da commodity para 2020 caiu para 102,1 milhões de barris por dia.

“No passado, nós falamos sobre os perigos das disputas comerciais. Agora nós vemos que elas já estão cobrando um preço” – afirmou Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional.

Como resultado, o petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) para entrega em novembro recuou 0,22%, sendo negociado a US$52,63 o barril.

Já o petróleo Brent para dezembro, comercializado na ICE de Londres, fechou em queda 0,18%, na cotação de US$58,24 o barril.

Noticiário Corporativo: Governo estuda novo plano para aumento de capital da Eletrobras

O governo federal está elaborando um novo plano para viabilizar um aumento de capital na Eletrobras (ELET3/ELET6), que poderá retornar cerca de R$1 bilhão em dividendos aos cofres públicos.

A ideia é aumentar o capital social da estatal utilizando recursos dos acionistas minoritários, através da subscrição dos Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital (Afacs), formados pela União em 2016.

Ao longo dos anos, o ente federal desembolsou aproximadamente R$4 bilhões em operações de Afac, de modo que, os demais acionistas terão que fazer um aporte proporcional a esse valor para assegurarem suas posições dentro da companhia.

Sem capacidade para arcar com o dividendo mínimo obrigatório do exercício de 2018, a Eletrobras aprovou a retenção de R$2,3 bilhões na reserva especial de dividendos.

Após a operação de aumento de capital, a estatal terá um reforço de caixa suficiente não somente para arcar com este pagamento, como haverá um aumento proporcional aos valores a receber.

Essa alternativa poderá salvar o fechamento adequado das contas da administração central este ano, possibilitando à União receber quase R$1 bilhão referente aos dividendos retidos do exercício.

O plano em estudo também prevê a adoção de estímulos para adesão de todos os acionistas, como um deságio sobre o valor da ação e as boas perspectivas sobre a privatização da estatal em 2020.

Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro deve assinar um decreto, cujo objetivo será deixar bem claro que não haverá aportes do Tesouro nesta operação e confirmará a integralização dos Afacs ao capital da Eletrobras.

Movimentações na B3  

As ações de maior liquidez do Ibovespa encerraram majoritariamente em queda, pressionadas pela piora do cenário internacional. A seguir, as mínimas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 07/10 08/10 Ativo 07/10 08/10
Petrobras (PETR3) -1,56% -0,63% Vale (VALE3) -1,18% -1,56%
Petrobras (PETR4) -1,28% -0,57% Embraer (EMBR3) -2,14% -1,90%
Eletrobras (ELET3) -7,90% +0,56% Banco do Brasil (BBAS3) -3,95% -1,80%
Eletrobras (ELET6) -6,61% -1,28% Cemig (CMIG4) -1,29% +0,22%

Carteira Recomendada de Outubro por 17 corretoras

SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 07/10 08/10 Ativo 07/10 08/10
Itaú Unibanco (ITUB3) -2,62% -0,71% Usiminas (USIM3) -1,82% -1,42%
Santander (SANB11) -2,24% -0,16% CSN (CSNA3) -2,33% -4,31%
Bradesco (BBDC3) -1,54% +0,41% Gerdau (GGBR4) -1,92% -1,80%