Ibovespa recua 0,8% e devolve os ganhos da semana com sell-off no final do pregão

O Ibovespa encerrou em queda nesta sexta-feira (13), depois de oscilar próximo à estabilidade na maior parte do dia.

De forma surpreendente, o índice geral da B3 perdeu 450 pontos nos últimos 30 minutos de operação e, com isso, devolveu os ganhos da semana.

A pressão vendedora nas ações, ou sell-off, ocorreu somente no mercado brasileiro e demonstrou o tom de cautela adotado antes das reuniões de política monetária dos Bancos Centrais do Brasil e dos Estados Unidos.

Os investidores ficaram temerosos quanto à decisão do Federal Reserve, já que a os dados mais fortes das vendas no varejo norte-americano podem influenciar na opinião dos dirigentes em relação ao corte na taxa de juros.

Ainda assim, os analistas preveem que é muito grande a probabilidade de a autoridade monetária dos EUA escolher reduzir em 0,5% a taxa básica, tendo em vista a repercussão das medidas de flexibilização e aplicação de estímulos adotados pelo Banco Central Europeu (BCE).

Também esteve no radar, as declarações do presidente Donald Trump, que sinalizou para fechar um acordo provisório e menos abrangente com a China, mesmo contra a sua vontade de estabelecer um pacto completo.

O fato trouxe um clima de incertezas no mercado, pois funcionários da Casa Branca negaram que houvesse qualquer negociação nesse sentido.

Por aqui, cenário doméstico digeria a divulgação da queda de 0,16% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBR-Br) de julho, considerado uma prévia do dado oficial.

A informação contrariou as projeções dos analistas consultados pela Bloomberg, que apontavam para retração de apenas 0,1%.

Como resultado, a Bolsa brasileira caiu 0,83% aos 103.501 pontos, anotando um volume financeiro de R$14,623 bilhões.

Dólar avança a R$4,08 e acumula ganho semanal de 0,21%

Depois de oscilar a maior parte do dia, o dólar comercial fechou em alta de 0,66% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,0870 na venda.

Com essa virada no final do pregão, a divisa americana devolveu as perdas das sessões anteriores e ainda valorizou 0,21% na semana.

A reversão de tendência no câmbio, aparentemente, não teve um catalisador definido, porém, algumas possibilidades foram elencadas, dentre variáveis internas e externas.

 No cenário norte-americano, tivemos a elevação no rendimento das Treasuries de curto prazo devido à queda nas apostas pelo corte na taxa de juros na reunião de semana que vem do Federal Reserve.

Por aqui, o Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu um alerta para um possível descumprimento do teto de gastos do governo este ano.

Dentre as 33 divisas globais mais líquidas, o real apresentou o pior desempenho contra o dólar, sentindo o movimento de aversão ao risco com maior intensidade.

No mesmo sentido, os contratos de juros futuros encerraram com aumento nas taxas de longo prazo e leve recuo nas taxas de curto prazo.

O comportamento da renda fixa mostrou que embora o ambiente de flexibilização em âmbito nacional já esteja precificado, o clima ainda é cautela no exterior, sobretudo, no que tange ao Fed.

O DI junho/2020 caiu para 5,15% (5,18% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 saltou para 6,76% (6,67% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 subiu a 7,35% (7,25% no ajuste anterior).

Petróleo regista queda semanal acima de 2% com preocupações sobre a oferta

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta sexta-feira (13), refletindo as preocupações com um possível quadro de excesso de oferta no mercado.

Os investidores estão temerosos que a redução dos níveis de demanda acompanhada da estabilidade no volume de oferta possa gerar um excedente, principalmente, porque os países externos ao cartel continuam produzindo a todo vapor.

No início da semana, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) revisou novamente as perspectivas de crescimento global da demanda, restringindo ainda mais as projeções para 2019.

Embora a Opep e demais aliados tenham se reunido para discutir sobre as questões geopolíticas estratégicas, eles decidiram adiar o debate sobre novos cortes de produção, o que gerou um sentimento de incerteza entre os analistas.

Além disso, a queda dos contratos também foi amparada pelo ceticismo do mercado sobre a conclusão de um acordo comercial entre Estados Unidos e China no curto prazo.

Apesar do clima de trégua entre os países, possibilitado pelas concessões de benefícios mútuos em prol do fim da guerra tarifária, é pouco provável que na reunião de outubro se estabeleça um pacto abrangente, que consiga aliviar as pressões sobre a economia global.

Isso impacta diretamente as negociações de óleo bruto, pois o ritmo acelerado de contração nas atividades dos países implica, necessariamente, em desaceleração da demanda.

Como resultado, o de petróleo WTI/outubro recuou 0,44%, fechando na cotação de US$54,85 o barril e o petróleo Brent/novembro caiu 0,26%, sendo negoiado a US$60,22 o barril.

Na variação semanal, o WTI teve baixa de 2,95% e o Brent desvalorizou 2,15%.

Noticiário Corporativo: Petrobras reúne dois gasodutos em uma única empresa e prepara nova oferta de debêntures

Segundo reportagem do Valor Econômico, a Petrobras (PETR3 / PETR4) pretende reunir dois gasodutos marítimos do pré-sal em uma única empresa, para fazer uma oferta pública inicial de ações (IPO).

O objetivo da medida seria obter a valorização deste ativo, para posteriormente, privatizá-lo. Ainda este ano, a administração da estatal planeja concluir a reestruturação societária de todos os gasodutos ligados aos campos do pré-sal.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) liberou a petroleira a retomar os procedimentos para uma oferta pública de debêntures simples, que havia sido suspensa no mês passado e cuja captação prevista seria de R$3 bilhões.

O novo cronograma de emissão foi divulgado, sendo que dia 24 é o encerramento para o período de reserva e o dia 25 foi reservado para a realização do bookbuilding.

A oferta será iniciada dia 08 de outubro, quando será publicado o prospecto definitivo, e nos dias 10 e 11 estão programadas as negociações das debêntures na B3.

O montante que resultará da captação será aplicado em projetos de exploração e produção de petróleo e gás natural, referentes ao contrato de cessão onerosa, e também para reforço de caixa, conforme o planejamento.

A oferta da Petrobras será conduzida e coordenada pelas instituições financeiras Santander, Bradesco BBI, Itaú BBA e XP Investimentos.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram majoritariamente em queda, reagindo à pressão vendedora que se deu na última hora de negociações. A seguir, as mínimas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 16/08 19/08 Ativo 16/08 19/08
Petrobras (PETR3) -0,45% +1,36% Vale (VALE3) -0,46% -0,09%
Petrobras (PETR4) -1,32% +0,50% Embraer (EMBR3) -0,28% -0,28%
Eletrobras (ELET3) +2,60% -1,81% Banco do Brasil (BBAS3) -0,26% -1,97%
Eletrobras (ELET6) +2,34% -0,71% Cemig (CMIG4) +3,05% +1,44%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 15/08 16/08 Ativo 15/08 16/08
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,69% +0,40% Usiminas (USIM3) +0,11% +0,53%
Santander (SANB11) -0,31% +0,47% CSN (CSNA3) -2,79% +1,94%
Bradesco (BBDC3) -0,84% +0,24% Gerdau (GGBR4) -4,25% +3,42%