Ibovespa recua 1,2% e segura os 99 mil com o aumento da aversão ao risco nos mercados

O Ibovespa acentuou as perdas no pregão desta quinta-feira (15), em meio à intensificação do clima de aversão ao risco no exterior.

Na sessão de ontem, os mercados foram impactados pela inversão da curva de juros dos títulos do Tesouro americano, que evidenciaram um cenário de recessão econômica próxima nos EUA.

Hoje, a rentabilidade dos títulos americanos com vencimento em dez anos caiu para menos de 1,5%, enquanto os de 30 anos eram negociados abaixo de 2% pela primeira vez na história.

Os investidores ajustaram posições em busca de maior proteção, pressionando à fuga de capitais dos ativos de risco, como ações e commodities, e elevando a demanda por ouro, que subiu 0,38%.

A situação piorou com a notícia de que o Banco Central Europeu (BCE) pretende anunciar um pacote de estímulos econômicos na próxima reunião de política monetária, prevista para ocorrer em setembro.

E apesar de Estados Unidos e China terem retomado as conversas sobre a guerra comercial, a troca de farpas entre os dois países segue contaminando as expectativas de que um os governos possam concluir um acordo consensual.

Pela manhã, o presidente Donald Trump afirmou à Fox que qualquer acordo com o gigante asiático será feito nos termos dos EUA.

Em contrapartida, Pequim declarou que irá adotar contramedidas para fazer frente à ofensiva tarifária de Washington, que terá vigência a partir do dia 01 de setembro.

Como resultado, a Bolsa brasileira desabou 1,20%, aos 99.056 pontos, anotando um volume financeiro de R$21 bilhões.

Dólar fecha a R$3,98 com intervenção do Banco Central

Em sessão volátil no câmbio, o dólar comercial encerrou em queda de 1,26% contra o real, sendo cotado a R$3,9890 na venda, próximo à mínima do dia.

O desempenho da moeda brasileira foi influenciado pela decisão do Banco Central de voltar a vender dólares no mercado à vista, depois de interromper essa prática por dez anos.

Segundo informações da autoridade monetária, a medida que entrará em vigor a partir do dia 21 e se estenderá até o dia 29 de agosto, objetiva atender à demanda do mercado por liquidez e reduzir os custos de rolagem da carteira de swaps.

Com o mercado variável apurando perdas devido ao aumento da aversão ao risco, o desmonte de posições em ações obrigou os investidores a se desfazerem das posições vendidas em dólar, o que também beneficiou a valorização do real.

Enquanto isso, na renda fixa, os contratos de juros fecharam próximos à estabilidade, mas assumindo viés de queda, acompanhando a dinâmica do dólar.

Os temores sobre o cenário de recessão global afetaram as movimentações no câmbio, ensejando uma postura de cautela frente às incertezas.

O DI julho/2020 caiu para 5,34% (5,35% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 recuou para 6,69% (6,70% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 declinou para 7,22% (7,24% no ajuste anterior).

Petróleo faz nova sessão de queda de olho em conflito EUA-China

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta quinta-feira (15), refletindo um novo capítulo da disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Segundo o Ministro das Finanças do governo chinês, Pequim adotará “contramedidas necessárias” em resposta à ofensiva tarifária estabelecida por Washington.

O presidente americano Donald Trump anunciou a imposição de tarifas de 10% sobre US$300 bilhões em produtos importados do gigante asiático.

Embora o Escritório do Representante Comercial dos EUA tenha suspendido a taxação à algumas classes de produtos, a pasta chinesa defende que a medida viola a trégua firmada entre os dois países durante o encontro do G-20.

Os investidores temem que o conflito entre as duas maiores potências do mundo agrave o ritmo de desaceleração econômica nos países e possa reduzir os níveis de demanda pela commodity.

Para piorar a situação, as tensões se intensificaram no Oriente Médio, após o ministro das Relações Exteriores do Irã publicar em sua conta no Twitter que estão “roubando propriedades” do país persa, fazendo referência à tentativa dos EUA de apreender um navio petroleiro iraniano.

Como resultado, o petróleo WTI para entrega em setembro recuou 1,38%, sendo cotado a US$54,47 o barril e o petróleo Brent para outubro caiu 2,10%, sendo cotado a US$58,23 o barril.

Resultados Corporativos

Rossi (RSID3)A Rossi divulgou os resultados do segundo trimestre apurando um prejuízo líquido de R$106 milhões, um recuo 7,3% maior do que o registrado no ano passado de R$99,7 milhões.

No acumulado dos últimos doze meses, a Rossi anotou um prejuízo de R$569,18 milhões. O Ebitda ajustado ficou negativo em R$63,8 milhões, um número 68,6% pior em comparação ao mesmo período de 2018.

A receita líquida caiu 89,9%, somando R$6 milhões e a construtora não realizou novos lançamentos nos meses de abril, maio e junho.

A companhia encerrou o primeiro semestre com R$60,8 milhões em caixa, para cobrir uma dívida bruta de aproximadamente R$1,595 bilhão.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram em forte queda, reagindo à piora do cenário externo. A seguir, as mínimas no dia:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 14/08 15/08 Ativo 14/08 15/08
Petrobras (PETR3) -3,25% -2,73% Vale (VALE3) -4,09% -2,96%
Petrobras (PETR4) -3,61% -2,97% Embraer (EMBR3) -5,90% -1,96%
Eletrobras (ELET3) -5,90% -1,17% Banco do Brasil (BBAS3) -2,94% -0,35%
Eletrobras (ELET6) -5,55% +0,88% Cemig (CMIG4) -2,29% -2,34%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 14/08 15/08 Ativo 14/08 15/08
Itaú Unibanco (ITUB3) -1,78% -0,69% Usiminas (USIM3) -2,51% +0,11%
Santander (SANB11) -3,76% -0,31% CSN (CSNA3) -4,54% -2,79%
Bradesco (BBDC3) -2,99% -0,84% Gerdau (GGBR4) -4,60% -4,25%