Ibovespa recua aos 106 mil com falas de Trump e instabilidades na América Latina

O Ibovespa encerrou em expressiva queda nesta terça-feira (12), em meio a instabilidades políticas na América Latina e após as declarações de Donald Trump.

Na tarde de hoje, o presidente americano discursou no Clube Econômico de Nova Iorque, afirmando que Washington está próximo de assinar a primeira fase do acordo comercial negociado com Pequim.

Contudo, ele destacou que só aceitará os termos propostos pelo governo chinês se verdadeiramente representarem vantagens para os EUA e aos seus trabalhadores.

Trump voltou a acusar a China de manipulação cambial, dizendo que o país asiático tira vantagens da Organização Mundial do Comércio (OMC) por ser classificado como em estágio de desenvolvimento.

E, contrariando as expectativas, o presidente não mencionou o adiamento de tarifas sobre os veículos importados da União Europeia, mas ao revés, criticou duramente o Federal Reserve, dizendo que a instituição deixa os EUA em desvantagem frente aos demais países.

Enquanto isso, no Chile, os principais movimentos sociais convocaram nova greve geral para os dias 23 e 24 de novembro, mesmo depois que o governo convocou a elaboração de nova Constituição.

Na Bolívia, o clima era de grande incerteza após a renúncia de Evo Morales e a posterior convocação de novas eleições presidenciais, já que houve fortes indícios de irregularidades durante o pleito.

Por aqui, apesar da “trégua” no cenário político, a divulgação dos balanços das companhias repercutia em uma sessão de ajustes dos ativos na B3.

As ações das empresas CVC (CVCB3), Cosan (CSAN3), Cyrela (CYRE3) e Magazine Luiza (MGLU3) lideravam o ranking negativo, registrando queda superior a 4%.

Também no radar, o presidente Jair Bolsonaro anunciou oficialmente sua saída do PSL e deu início à criação de sua nova sigla, a Aliança pelo Brasil.

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 1,49% aos 106.751 pontos, registrando um volume financeiro de R$18,9 bilhões.

Dólar sobe a R$4,16 com instabilidades políticas na América Latina

O dólar comercial anotou valorização de 0,58% no câmbio brasileiro, fechando na cotação de R$4,1660 na venda, longe da máxima alcançada no dia a R$4,1870.

A divisa americana devolveu praticamente toda a queda registrada na véspera, pressionado pelo sentimento de aversão ao risco que se abateu na América Latina, devido à instabilidade política na região.

Mesmo com os investidores avaliando que o contexto político no Brasil não é tão crítico quanto nos vizinhos, a moeda local acaba recebendo o impacto.

Dentre os pares regionais, o peso chileno recuou 2,48%, o peso colombiano desvalorizou 2,16% e o peso mexicano declinou 1,16%.

Sendo uma das dívidas mais líquidas, o real conseguiu desacelerar as perdas acompanhando o otimismo no exterior com as falas de Donald Trump.

O presidente dos EUA discursou dizendo que deseja que um acordo comercial seja concluído o mais rápido possível, contudo, ele só aceitará os termos se a proposta trouxer benefícios ao seu país.

Mesmo assim, a projeção para os próximos dias é que o dólar opere acima da fronteira psicológica de R$4, em função do resultado negativo do leilão de cessão onerosa.

Os contratos de juros futuros fecharam recomposição de prêmio nas taxas em todos os períodos, sobretudo nos vértices intermediários e mais longos da curva.

O comportamento da renda fixa foi fortemente influenciado pelos ruídos políticos locais e regionais, bem como as incertezas no comércio internacional, protagonizadas por Estados Unidos e China.

O DI julho/2020 subiu a 4,44% (4,41% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 saltou para 6,01% (5,87% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 avançou a 6,53% (6,36% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em leve baixa com diretriz da Opep e incertezas no acordo EUA-China

Os contratos futuros de petróleo encerraram em leve baixa nesta terça-feira (12), reagindo às incertezas sobre a conclusão do acordo comercial entre Estados Unidos e China e em atenção à diretriz de cortes na produção da Opep.

O petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) de referência americana, para entrega em dezembro teve queda de 0,11%, sendo negociado a US$56,80 o barril.

Já o petróleo Brent para janeiro, comercializado na ICE de Londres, de referência global, caiu 0,19%, fechando na cotação de US$62,06 o barril.

Durante um evento realizado no Clube Econômico de Nova Iorque, o presidente americano Donald Trump afirmou que a primeira fase do acordo comercial com o governo chinês “poderia ocorrer rápido”.

Porém, ele destacou que só vai aceitar os termos propostos se forem realmente bons para os trabalhadores americanos e para os EUA.

Os investidores ficaram receosos com a informação, já que tal posicionamento enseja crescentes dúvidas em relação ao alinhamento dos dois países quanto a um acordo consensual.

Outro fator que ajudou a pressionar as cotações foi a notícia de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) deve manter a redução na produção de petróleo nos níveis atuais.

O mercado ficou decepcionado porque relatos haviam sinalizado que o cartel poderia determinar cortes em patamares mais profundos, tendo em vista a quantidade de oferta já disponível.

A próxima reunião da Opep e seus aliados está prevista para o início de dezembro e, na ocasião, serão discutidas as estratégias e fixadas as decisões para o próximo ano.

Noticiário Corporativo: Lucro da Caixa salta 66,7% para R$8,026 bilhões no 3º trimestre

Na esteira dos resultados corporativos do terceiro trimestre, a Caixa reportou um lucro líquido de R$8,026 bilhões, o que equivale a um salto de 66,7% sobre o mesmo período do ano passado.

Essa expansão, em parte, deve-se à venda de títulos NTN-B, que totalizou R$6,964 bilhões e o lucro líquido recorrente no intervalo foi de R$4,224 bilhões.

O resultado bruto com a intermediação financeira somou R$16,078 bilhões, conformando um avanço de 58,1% na comparação anual, mas a receita com prestação de serviços ficou em R$6,980 bilhões, anotando um recuo de 1,8%.

As despesas com provisão para devedores duvidosos subiram 8,2%, para R$2,933 bilhões, as despesas com pessoal aumentaram 4,7%, somando R$5,183 bilhões e as despesas administrativas recuaram 7,7%, chegando a R$2,786 bilhões.

A carteira de crédito ampla caiu 1,5% na comparação anual, fechando setembro avaliada em R$683,186 bilhões, com desaceleração maior no segmento de pessoas jurídicas.

Segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, a empresa pública não vai mais financiar grandes empresas, restringindo sua atuação a investimentos específicos e de longo prazo.

A carteira de pessoas físicas também ficou negativa em relação a 2018, somando R$81,458 bilhões, o que equivale a queda de 4,2%.

Guimarães também disse que depois de inovar com o financiamento atrelado ao IPCA, que já é sucesso entre os clientes, agora o banco vai oferecer, a partir de 2020, a modalidade de crédito habitacional pré-fixado.

Além disso, o presidente destacou que a Caixa seguirá abrindo novos pontos de atendimento, como agências, correspondentes bancários e lotéricas, pois a meta é oferecer cobertura em 100% dos municípios até março de 2020.