Ibovespa recua aos 107 mil com falas de Trump e liberdade de Lula

O Ibovespa encerrou em expressiva queda nesta sexta-feira (08), reagindo à piora do sentimento de risco no exterior e às turbulências na política local.

O presidente americano, Donald Trump, disse que não aceitou remover o aumento das tarifas impostas sobre os produtos importados da China, durante a guerra comercial.

A declaração confirmou a notícia divulgada mais cedo pela Reuters, à qual, afirmou que a medida solicitada pelo governo chinês estaria enfrentando uma grande oposição dentro da Casa Branca.

O clima no exterior foi de grande incerteza porque a atitude de Trump contrariou a informação divulgada pelo Ministério do Comércio chinês, de que os países haviam acordado retirar as tarifas.

Com isso, os investidores adotaram uma postura de cautela, ajustando posições em ativos mais seguros, enquanto aguardam os desdobramentos do conflito entre as duas maiores economias do mundo.

Enquanto isso, por aqui, o índice geral acelerou as perdas no final do pregão, após a Justiça aceitar o pedido que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou, solicitando a liberdade imediata do político.

No julgamento de ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a possibilidade de prisão após a condenação em segunda instância, e por isso, o ex-presidente pode sair encarceramento, assim como outras cinco mil pessoas, aproximadamente.

Em reação ao STF, alguns parlamentares já estão articulando a aprovação de um Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para alterar o atual texto da carta magna, que só permite a prisão depois que todos os recursos foram julgados em todas as instâncias do Judiciário.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Felipe Francischini, rapidamente agendou para a próxima segunda a votação da referida PEC, dizendo que será a prioridade do Congresso.

Na B3, as ações da CVC (CVCB3) lideraram o ranking negativo com desvalorização de 14,15%, vindo em seguida a Eletrobras (ELET3), apresentando recuo de 4,93%, e BRF (BRFS3) anotando baixa de 4,20%.

Como resultado, a Bolsa brasileira desabou 1,73% aos 107.628 pontos, registrando um volume financeiro de R$24,297 bilhões. Na semana, o Ibovespa caiu 0,72%.

Dólar dispara a R$4,16 e registra ganho semanal de 4,31% com cessão onerosa

O dólar comercial encerrou em alta de 1,83% nesta sexta-feira (08), sendo cotado a R$4,1660 na venda, registrando ganho semanal de 4,31%.

A frustração com o resultado do leilão de cessão onerosa dos campos excedentes no pré-sal impactou negativamente o real, pressionando-o a devolver toda a valorização adquirida no mês de outubro.

O mercado esperava que o certame viabilizasse a entrada de um fluxo intenso de moeda estrangeira no câmbio local, contudo, a expectativa não se concretizou e, no curto prazo, a tendência e de depreciação da moeda brasileira.

Durante a sessão de hoje, dois acontecimentos catalisaram a performance do dia: as falas de Donald Trump sobre a remoção das tarifas e a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente americano declarou que não concordou com a retirada das tarifas impostas aos produtos importados da China, durante o acirramento da guerra comercial.

A adoção desta medida conformava uma das condições colocadas pelo governo chinês, para prosseguir com a assinatura da primeira fase do acordo.

A notícia acentuou o sentimento de aversão ao risco nos mercados, levando as moedas emergentes a operara em território negativo contra o dólar.

Por aqui, a libertação do ex-presidente Lula deixou os ânimos exaltados e o aumentaram os receios do mercado diante dos prováveis efeitos políticos desta situação.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com elevação nas taxas em todos os períodos, refletindo a preocupação com a segurança jurídica no Brasil.

Em uma semana repleta de incertezas quanto à política monetária e à baixa atração de capital estrangeiro, os vértices de longo prazo tiveram adição de maior prêmio de risco.

O DI junho/2020 subiu a 4,47% (4,44% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 saltou para 5,93% (5,91% no ajuste anterior) e o DI julho/2026 avançou a 6,57% (6,47% no ajuste anterior).

Petróleo oscila mas fecha em alta com controvérsias EUA-China no radar

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta sexta-feira (08), depois de oscilar em queda a maior parte do pregão, em atenção às notícias da guerra comercial.

O petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) de referência americana, para entrega em dezembro subiu 0,16%, sendo negociado a US$57,24 o barril.

Já o petróleo Brent para janeiro, comercializado na ICE de Londres, de referência global, aumentou 0,35%, fechando na cotação de US$62,51 o barril.

Apesar das turbulências no mercado internacional, na comparação semanal, o WTI subiu 1,85% e o Brent avançou 1,33%.

A commodity iniciou o dia em baixa, reagindo às declarações conflitantes sobre o acordo comercial, proferidas por autoridades dos Estados Unidos e da China.

O movimento de queda se acentuou após o presidente Donald Trump afirmar que não havia concordado com a remoção das tarifas aplicadas aos produtos chineses.

Porém, durante a tarde, as cotações zeraram as perdas após o relatório da Baker Hughes informar que os poços e plataformas de petróleo em atividade nos EUA recuaram em sete unidades, na semana passada.

Segundo os operadores do mercado, não houve um motivo predominante para a mudança de sinal vista no dólar, contudo, o otimismo pela continuidade dos cortes na produção da Opep auxiliou na manutenção das perspectivas, nesta sessão.

Noticiário Corporativo: Lucro líquido da CVC recua para R$79,5 milhões no 3º trimestre e ações desabam na B3

Na esteira dos balanços corporativos do terceiro trimestre, a CVC Brasil divulgou um lucro líquido aproximadamente 3,6% menor do que o reportado no mesmo período de 2018, totalizando R$79,5 milhões.

De julho a setembro, a receita líquida aumentou 8,3%, alcançando o montante de R$449,6 milhões, contudo, as despesas operacionais do trimestre saltaram 26,4%, fechando em R$316,7 milhões.

No mesmo sentido, o lucro operacional foi de R$132,8 milhões, recuando 19,1% na comparação anual e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) contábil caiu 15,5%, para R$161,2 milhões.

Segundo o Bradesco BBI, a operadora e agência de viagens apresentou um resultado mais fraco do que o esperado, sobretudo, em relação ao crescimento de apenas 3,1% nas reservas no Brasil, ante a expectativa de alta em 4,8%.

Já o lucro veio acima do previsto, em função do melhor desempenho da companhia na Argentina e com a progressiva redução de impostos.

Apesar dos desafios que a empresa está enfrentando (óleo no Nordeste, ambiente político e problemas com os cancelamentos de voos da Avianca), o Bradesco BBI continua com uma visão positiva para 2020 e recomendação outperform.

Na sessão de hoje, as ações da CVC (CVCB3) lideraram as perdas na B3, fechando em baixa de 10,86%, na cotação de R$46,19, com os investidores repercutindo os resultados.