Ibovespa recua aos 115 mil com preocupações sobre a disseminação do coronavírus

O Ibovespa operava em expressiva queda nesta segunda-feira (27), reagindo ao aumento das preocupações quanto à disseminação do coronavírus.

Segundo informações do governo chinês, a doença já contaminou mais de 2.700 pessoas e levou à óbito pelo menos 80, sendo a grande maioria residentes na província chinesa de Hubei.

Pequim já enviou cerca de US$9 bilhões em recursos para aplicar no combate ao vírus, além de ter iniciado a construção de dois hospitais para receber e tratar os infectados.

Os investidores estão cautelosos, avaliando os impactos que o surto de coronavírus terá sobre a economia global, tendo em vista a rapidez com a qual está se espalhando.

Muitos países já contabilizam prejuízos devido à medida preventiva estabelecida pelo governo chinês, que proíbe os cidadãos de realizar viagens durante o feriado prolongado do Ano Novo Lunar.

Por se tratar da segunda maior economia do mundo, qualquer ação que restrinja as atividades poderá afetar as nações, com as quais, o gigante asiático mantém relacionamento comercial.

No cenário interno, o mercado repercutia os indicadores da pesquisa semanal Focus, realizada pelo Banco Central, mostrando certa estabilidade nas expectativas quanto à economia local.

A mediana das projeções manteve a indicação de alta em 2,31% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 e 2,5% em 2020.

Já em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as previsões foram revisadas para baixo, saindo de 3,56% para 3,47% em 2019, e permanecendo em 3,75% em 2020.

Outro fator que também adicionava volatilidade às transações era a temporada de balanços corporativos, que será iniciada hoje com a divulgação dos resultados da Cielo.

Na B3, as companhias Suzano (SUZB3), CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5), Marfrig (MRFG3) e Vale (VALE3) lideravam as perdas da sessão.

Ás 12h29 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira desabava 2,40%, aos 115.539 pontos, anotando um volume financeiro de R$5,803 bilhões.

Dólar dispara a R$4,22 com coronavírus no radar

O dólar comercial operava em alta nesta segunda-feira (27), refletindo o clima de aversão ao risco que prevalecia nos mercados internacionais.

O noticiário sobre a propagação do coronavírus impulsionou a demanda por ativos mais seguros e líquidos, fazendo a divisa americana valorizar contra as principais moedas emergentes.

O real figurava dentre as moedas que mais depreciavam, ficando atrás apenas do peso chileno e do rublo russo, que recuavam mais de 1%.

Os desafios enfrentados pelo governo chinês para conter o avanço da doença preocupavam os investidores, sobretudo, após o aumento para 80 o número de vítimas.

Devido ao risco de contágio, a China decidiu estender o feriado do Ano Novo Lunar até o dia 02 de fevereiro, deixando empresas, comércio e outros setores sem funcionamento.

O vírus já contaminou pessoas em 10 países diferentes e tem se espalhado rapidamente pelo gigante asiático, que já sinalizou para mais de 2700 casos de contaminação.

O fato pressionou a queda expressiva do real, que já apresentava trajetória negativa em função da saída do fluxo de capital estrangeiro do câmbio e dos resultados econômicos locais abaixo do esperado.

Ás 12h29 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 0,88% contra o real, sendo cotado a R$4,2210 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros operavam mistos, porém, majoritariamente em queda, refletindo as apostas na redução adicional da Selic, que passaram de 4,50% para 4,25% em 2020, segundo relatório Focus do Banco Central.

O DI julho/2020 recuava 0,60% sendo negociado a 4,17% (4,18% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 subia 0,15%, sendo vendido a 6,69% (6,68% no ajuste anterior).

Noticiário corporativo: Vale eleva o nível de alerta da barragem em Barão de Cocais/MG

A Vale (VALE3) subiu o nível de alerta da Barragem Sul Inferior da Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, que já apresentava sinais de instabilidade desde o ano passado.

A mineradora alegou que a medida representa uma precaução devido às fortes chuvas no estado, que aumentaram consideravelmente o nível de água da barragem.

Em decorrência dos temporais dos últimos dias, Minas já registrou 44 mortes e 911 desabrigados, fora as 2.620 pessoas temporariamente desalojadas em função dos alagamentos.

Em comunicado, a companhia informou que as chuvas ocasionaram uma erosão na parte interna do reservatório da estrutura, que se mantém estável, mas está sendo monitorada em tempo real.

O acionamento do nível 2 do Plano de Ação de Emergência para a região representa apenas uma prevenção, já que as medições mostraram que a movimentação dentro da barragem está acontecendo em parâmetros normais.

Segundo a Vale, “a Sul Inferior é uma barragem de contenção de sedimentos, construída em etapa única, considerado um dos métodos construtivos mais seguros”.

A mineradora também explicou que houve um reforço “do número de equipes de campo em prontidão para eventuais situações de emergência”.