Ibovespa recua com esperança na disputa EUA-China e indicadores americanos

O pregão desta sexta-feira (13) refletia as perspectivas do mercado americano e a esperança de que Estados Unidos e China possam chegar a uma solução para a disputa comercial.

O Ibovespa recuava moderadamente após o presidente, Donald Trump, afirmar que aceitaria um acordo provisório com o governo chinês, embora sua preferência fosse por um tratado mais amplo e que contemplasse todas as divergências.

As declarações do líder americano soaram confusas ao mercado, já que diversos funcionários da Casa Branca negaram que houvesse qualquer tratativa neste sentido.

Mesmo assim, os investidores seguem na expectativa de que na reunião que acontecerá em outubro, na cidade de Washington, os representantes dos dois países possam chegar a um consenso, ainda que temporário e menos abrangente.

Também no radar, os indicadores sobre as vendas do varejo norte-americano adicionavam volatilidade às transações e ao comportamento do câmbio.

Segundo dados do Departamento do Comércio dos EUA, já com os ajustes sazonais, as vendas do varejo subiram 0,4% em agosto, na comparação mensal.

O resultado superou as estimativas dos analistas, que previam um aumento de apenas 0,2% no comércio, considerando os impactos da contração na economia do país.

Por aqui, o grande catalisador era o IBC-Br, que foi divulgado hoje pelo Banco Central e fornece uma prévia dos níveis da atividade econômica.

Na passagem de junho para julho, o índice recuou 0,16%, vindo na direção contrária às previsões dos especialistas, que apostavam na retração de apenas 0,1%.

No noticiário político, depois que o presidente Jair Bolsonaro conseguiu eliminar de vez a ideia de recriação da CPMF para aumentar a arrecadação, a equipe econômica agora avalia novas alternativas.

Nesse contexto, às 12h18 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,08%, aos 104.284 pontos, anotando um volume financeiro de R$4,128 bilhões.

Dólar opera em queda com exterior positivo e dados do IBC-Br

O dólar abriu em queda nesta sexta-feira (13), acompanhando a melhora no ambiente externo e, ao mesmo tempo, refletindo a divulgação de indicadores locais.

Os investidores ainda repercutiam o arrefecimento das relações entre Estados Unidos e China e a decisão do Banco Central Europeu de adotar um pacote de estímulos econômicos.

Com o aumento do apetite ao risco, houve uma redução da busca por proteção em ativos mais seguros, pressionando a baixa da divisa americana e dos títulos públicos dos EUA.

Por aqui, o câmbio declinava em atenção ao índice que fornece uma prévia da atividade econômica brasileira, o IBC-Br, que apresentou um recuo de 0,16% na passagem de junho para julho, conforme dados do Banco Central.

A informação contrariou as projeções dos analistas pesquisados pelo Valor Data, que sinalizavam para o avanço de 0,1% no período.

Com isso, crescem as chances de que o país entre um ciclo mais agressivo de afrouxamento monetário e recorrente aplicação de estímulos para impulsionar as atividades.

Operadores locais indicam que há uma resistência da cotação no patamar psicológico de R$4,05, a partir do qual há um movimento intenso de compras.

Isso justifica porque o dólar comercial depreciava 0,12% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,0550 na venda, às 12h18 (horário de Brasília).

Na renda fixa, os contratos de juros futuros mantinham comportamentos mistos, com as taxas de curto prazo recuando e as de longo prazo, subindo suavemente.

As flutuações dos DIs precificavam um corte na taxa Selic na reunião de política monetária da semana que vem, já consolidando uma queda ainda mais brusca dos juros até o final de 2019.

O DI junho/2020 caía 0,98%, sendo negociado a 5,14% (5,18% no ajuste anterior) e o DI julho/2023 aumentava 0,46%, sendo vendido a 6,61% (6,59% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo

Vale (VALE3)A Vale informou a suspensão dos trabalhos em um setor de lavra da mina de Brucutu, localizada em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG).

No comunicado, a minerados explicou que essa paralisação não afetará a produção total da respectiva mina, mas somente visa atender a uma determinação da Agência Nacional de Mineração (ANM).

A autarquia justificou que uma das frentes de lavra em execução excede os limites das reservas minerais aprovadas para a exploração.

“A Vale entende que todos os requisitos da agência para a execução de lavra foram atendidos e relatados no plano de aproveitamento econômico apresentado à agência em 2017 e irá adotar as medidas cabíveis neste caso” – notificou a empresa.

A mineradora ainda confirmou as projeções de seu guidance de vendas de minério de ferro e pelotas, que ficará no intervalo entre 307 e 332 milhões de toneladas até o final de 2019.