Ibovespa recua com exterior e ações do Bradesco, mas fecha outubro em alta de 2,36%

O Ibovespa recuou nesta quinta-feira (31), mas não apagou o bom desempenho anotado ao longo do mês, que impulsionou a valorização de 2,36% do índice geral.

Os principais catalisadores de outubro foram: a conclusão da reforma da Previdência, a trégua e o acordo parcial negociados entre Estados Unidos e China e o corte de 0,50% na taxa juros, promovido pelo Banco Central.

Na sessão de hoje, o movimento dos ativos foi fortemente pressionado pela piora do sentimento de risco no exterior, gerado por ruído na guerra comercial.

Segundo as notícias, autoridades chinesas estariam em dúvida se realmente haverá um acordo de longo prazo entre Pequim e Washington, tendo em vista a impulsividade de Donald Trump.

Os relatos trouxeram à tona as preocupações dos investidores, sobretudo, porque os dois países não formalizaram o documento com os termos já definidos e não há nova data para assinatura, já que a cúpula da Apec no Chile foi cancelada.

Em Wall Street, o Dow Jones recuou 0,52%, o S&P 500 declinou 0,30% e o Nasdaq Composto caiu 0,14%.

Na Bolsa local, outro fator que acentuou a queda foi o tombo superior a 4% nas ações Bradesco (BBDC3/BBDC4), logo após divulgar os balanços corporativos do terceiro trimestre.

O mercado reagiu negativamente aos resultados da instituição, desencadeando uma onda vendedora que também arrastou os demais bancos (Santander, Itaú Unibanco e Banco do Brasil) para o território negativo.

No cenário macroeconômico, a Pesquisa Nacional por Amostra de domicílio (Pnad) mostrou que, no terceiro trimestre, o desemprego atingiu 11,8% da população, no total aproximado de 12,5 milhões de pessoas.

A população ocupada totalizou 93,8 milhões, representando um aumento de 1,6% em comparação ao mesmo período de 2018. De forma geral, os indicadores revelaram que a recuperação da economia ainda está lenta e gradual.

Como resultado, a Bolsa brasileira desabou 1,10% aos 107.219 pontos, anotando um volume financeiro de R$15,112 bilhões.

Dólar oscila mas fecha a R$4,00 com situação EUA-China no radar

O dólar comercial valorizou nesta quinta-feira (31), encerrando na cotação de R$4,0070 na venda, depois de bater em R$4,0340 na máxima do dia.

Notícias afirmando que autoridades chinesas estão receosas sobre o acordo comercial, pressionaram o fortalecimento da divisa americana contra as principais moedas emergentes.

Nem mesmo o otimismo gerado pelas decisões de política monetária do Federal Reserve e do Copom, foi capaz de devolver ao real o viés positivo adquirido nos últimos dias.

O posicionamento defensivo dos investidores frente à disputa comercial, assolou o bom desempenho do câmbio e de outros ativos de risco, como commodities e ações.

Por aqui, outras variáveis também contribuíram para o comportamento do dólar visto hoje, como os dados de desemprego maiores do que o esperado.

A conjuntura brasileira poderá fazer o Banco Central rever o seu posicionamento de dar uma pausa no ciclo de cortes na taxa básica em 2020, caso a economia não responda aos estímulos aplicados.

E isso tem o potencial de afetar o câmbio, ainda que o diferencial de juros com o exterior não caia tanto quanto o mercado projetava.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com avanço nas taxas de curto prazo e recuo na ponta longa da curva, com um desempenho misto em reação à decisão do Copom.

O DI julho/2020 saltou a 4,43% (4,31% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 avançou para 5,41% (5,35% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 caiu a 6,29% (6,34% no ajuste anterior).

Petróleo recua com aumento dos estoques e incertezas sobre EUA-China

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda nesta quinta-feira (31), embora os primeiros movimentos das cotações tenham sinalizado recuperação.

O petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) de referência americana, para entrega em dezembro declinou 1,60%, sendo negociado a US$54,18 o barril.

Já o petróleo Brent para janeiro, comercializado na ICE de Londres, de referência global, recuou 1,03%, fechando na cotação de US$59,62 o barril.

Os preços da commodity acentuaram as perdas pressionados pelas incertezas sobre a conclusão do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Depois de ver cancelada a reunião de cúpula da Apec, no Chile, o presidente Donald Trump afirmou que Washington e Pequim estão trabalhando para definir um novo lugar para formalizarem a fase 1 do acordo.

Porém, segundo uma reportagem da Bloomberg, as autoridades chinesas estão em dúvida se os dois países conseguirão estabelecer um acordo comercial abrangente, considerando a volatilidade das decisões de Trump.

Os investidores ficaram receosos com a situação, temendo que um possível desdobramento possa levar a um cenário de maior recuo na demanda por óleo bruto, já que a China é o maior importador líquido.

Outro fator que continuou afetando as perspectivas foi o aumento surpreendente dos estoques de petróleo nos EUA, divulgado na sessão de ontem.

Segundo o Departamento de Energia (DoE) americano, na semana passada, os estoques deram um salto de 5,702 milhões de barris, superando as previsões de alta em 800 mil unidades no período.

Noticiário Corporativo: Gol registra prejuízo líquido de R$171 milhões no 3º trimestre e contraria as previsões do mercado

A Gol (GOLL4) divulgou o resultado do terceiro trimestre, reportando um prejuízo líquido de R$171,1 milhões, que apesar de ser um número negativo, foi 60% menor do que o tombo de R$433,1 milhões apurado no mesmo período em 2018.

O desempenho da companhia aérea contrariou as previsões do mercado, que sinalizavam para um lucro de R$190,3 milhões no trimestre.

Já a receita líquida teve um crescimento de 28,3% na comparação anual, alcançando o montante de R$3,71 bilhões, vindo em linha com as projeções dos analistas.

O Ebtida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) mensurado de julho a setembro, subiu para 30,7% e a geração de caixa operacional totalizou R$1,1 bilhão.

A empresa de aviação também divulgou em seu relatório, as despesas extras que obteve no período, como o aumento de 37,3% na depreciação proveniente da inclusão de seis aviões adicionais na frota e a redução da vida depreciável devido à manutenção de motores.

Adicionalmente, a Gol teve que colocar 11 aviões NG em manutenção não planejada e teve que realocar 3% dos passageiros que iam voar entre 10 de outubro e 15 de dezembro, incorrendo em despesas não previstas.

No trimestre em questão, houve um aumento de 18,4% nas despesas com pessoal, devido à contratação de 723 pessoas para expansão das atividades, ao pagamento do dissídio de 3,6% e ao aumento na tributação incidente sobre a folha de salários.

E por último, a companhia aumentou em 17,2% o prejuízo financeiro, alcançando R$325,2 milhões, repercutindo as perdas com variação cambial, que somaram R$623,3 milhões.

Movimentações na B3  

As ações de maior liquidez da B3 fecharam majoritariamente em queda, refletindo a temporada de balanços e a piora no exterior. A seguir, as máximas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 30/10 31/10 Ativo 30/10 31/10
Petrobras (PETR3) +1,21% +0,21% Vale (VALE3) -0,12% -2,86%
Petrobras (PETR4) +0,87% +1,03% Embraer (EMBR3) -0,79% -0,68%
Eletrobras (ELET3) +3,15% +1,67% Banco do Brasil (BBAS3) +1,56% -2,57%
Eletrobras (ELET6) +2,60% +0,96% Cemig (CMIG4) +2,19% +0,74%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 30/10 31/10 Ativo 30/10 31/10
Itaú Unibanco (ITUB3) +0,61% -1,24% Usiminas (USIM3) +1,47% -1,67%
Santander (SANB11) -1,66% -2,97% CSN (CSNA3) -1,83% 00%
Bradesco (BBDC3) +1,00% -4,12% Gerdau (GGBR4) +2,06% +0,30%