Ibovespa recua com impasse no acordo EUA-China e tensões na América Latina

O Ibovespa desabou nesta quarta-feira (13), repercutindo as incertezas sobre o acordo comercial entre Estados Unidos e China e os impactos das tensões na América Latina.

Na tarde de ontem, o presidente Donald Trump voltou a criticar o governo chinês, ameaçando aumentar as tarifas sobre os produtos importados do gigante asiático, caso os dois países não cheguem a um consenso sobre o acordo.

Em resposta, o jornal chinês Global Times realizou uma publicação afirmando que o governo americano “acredita em uma mentira contada mil vezes” e que suas declarações causam tédio.

O sentimento de risco dos investidores, que já estava acentuado diante da situação, piorou após o Dow Jones divulgar que a China não quer se comprometer a comprar uma quantidade determinada de produtos agrícolas dos EUA.

A notícia contrariou as falas do presidente Donald Trump, na afirmação de que Pequim havia concordado em comprar até US$50 bilhões por ano em commodities, como soja e carne de porco.

O mercado também acompanhou as tensões na América Latina, sobretudo, em relação às turbulências políticas no Chile e na Bolívia.

Em Santiago, os movimentos sociais chilenos agendaram uma greve geral para a semana que vem, apesar de o presidente ter convocado a elaboração de uma nova constituinte.

Já em Bogotá, a senadora Jeanine Anez, segunda vice da casa legislativa, se autoproclamou presidente sem o aval do Congresso boliviano, chamando novas eleições.

No cenário doméstico, o presidente Jair Bolsonaro oficializou sua saída do partido PSL, informando que dará início à criação de sua nova sigla Aliança Pelo Brasil.

Embora essa ruptura do presidente não venha a interferir na aprovação das reformas que estão em tramitação no Congresso, o clima de insegurança se refletiu no desempenho dos ativos locais.

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 0,65% aos 106.059 pontos, registrando um volume financeiro de R$16,3 bilhões.

Dólar fecha a R$4,18 depois de alcançar o segundo maior valor da história

No pregão desta quarta-feira (13), o dólar comercial registrou valorização de 0,46%, fechando na cotação de R$4,1856 na venda, depois de alcançar o segundo maior valor nominal da história em R$4,19.

Em meio às incertezas com a guerra comercial e as tensões na América Latina, a moeda dos EUA se fortaleceu contra as principais divisas emergentes, sobretudo, as do eixo sul-americano.

Hoje, o peso chileno renovou a sua máxima em relação ao dólar pela segunda vez, alcançando a cotação de 794,97 pesos por unidade.

A aversão ao risco se aprofundou após o Wall Street Journal divulgar que a conclusão da primeira fase do acordo comercial teria esbarrado no impasse sobre o aumento das compras de produtos agrícolas pela China.

Ao que parece, os EUA desejam estabelecer uma quantidade, em bilhões de dólares, para o governo chinês adquirir anualmente, porém, Pequim alega que esta proposta beneficiará somente Washington, já que não haverá contrapartida.

Os investidores ficaram receosos e ajustaram posições em sinal de cautela, esperando os desdobramentos deste episódio, que parece complicar ainda mais a conclusão do pacto entre os dois países.

Enquanto isso, na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com aumento nas taxas em todos os períodos, em atenção às adversidades do ambiente externo.

Embora os últimos acontecimentos tenham adicionado prêmio de risco na curva a termo, os analistas acreditam que esse movimento não afetará a política monetária do Brasil no curto prazo, por isso, o avanço foi bastante limitado.

O DI outubro/2020 subiu a 4,51% (4,47% no ajuste anterior), o DI abril/2023 saltou para 5,84% (5,80% no ajuste anterior) e o DI julho/2025 avançou a 6,44% (6,42% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Copel avança 42,4% e registra um lucro líquido de R$613,5 milhões

A paranaense Copel (CPLE6) divulgou as demonstrações contábeis do terceiro trimestre apresentando um lucro líquido de R$613,5 milhões, um valor 42,4% acima do que foi apurado no mesmo período de 2018.

Com os negócios de geração, distribuição e transmissão, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$1,2 bilhão no intervalo, representando um aumento de 40,5% na comparação anual.

De julho a setembro, a receita líquida foi de R$4,25 bilhões, cerca de 1,3% a menos do que o reportado no mesmo trimestre do ano passado.

A estatal do ramo de energia explicou que o avanço dos resultados foi impulsionado por determinados itens não recorrentes, como a reversão líquida de provisões de impairment, que totalizaram R$102,6 milhões.

Adicionalmente, houve o trânsito em julgado de uma ação, na qual, a distribuidora Compagas discutiu a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins, que teve um efeito positivo de R$82,8 milhões em valor justo na compra e venda de energia da Copel.

Segundo análise do Itaú BBA, os números foram muito positivos e reforçaram a diretriz da instituição de colocar a Copel como a principal escolha no setor de energia elétrica, com recomendação Outperform e preço-alvo R$65.

Na mesma linha, a XP Investimentos reiterou a sua visão otimista sobre a companhia, destacando que o resultado superou as expectativas do mercado e mostrou que a transformação interna está apenas começando.