Ibovespa recua com protecionismo de Trump ofuscando salto do PIB brasileiro

Depois de oscilar na abertura, o Ibovespa operava em queda nesta terça-feira (03), refletindo o acentuado protecionismo comercial do governo americano.

Em mais um episódio de acirramento das relações com a União Europeia, o presidente Donald Trump ameaçou sobretaxar em 100% cerca de US$2,4 bilhões em produtos importados da França.

Segundo o representante comercial americano, Robert Lighthizer, “a decisão de hoje do USTR (United States Trade Representative) envia um sinal claro de que os EUA irão agir contra regimes fiscais digitais que discriminam ou impõem encargos indevidos às empresas norte-americanas”.

Além disso, Trump afirmou que seria melhor esperar o término das eleições de 2020 para fechar um acordo comercial com a China, apesar de Pequim desejar concluir a primeira fase neste momento.

As notícias culminaram no aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais, tendo em vista que, em ambos os fronts, o impacto do conflito tarifário será sentido em nível global.

Inclusive, a partir do dia 15 de dezembro, Washington aumentará de 10% para 15% as tarifas sobre US$300 bilhões em produtos chineses, caso os dois países não tenham chegado a um acordo.

O mau humor do cenário externo está ofuscando o otimismo dos investidores com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, registrado no terceiro trimestre.

Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB mensurado de julho a setembro teve um aumento de 0,6% em comparação ao trimestre anterior.

Em relação a 2018, o avanço foi ainda maior, atingindo 1,2%, superando as expectativas dos economistas, que projetavam alta de apenas 1%.

Na B3, as companhias Smiles (SMLS3), Usiminas (USIM3), CNS (CSNA3), Gerdau (GOAU4) e Hypera (HYPE3) lideravam as perdas.

Ás 12h30 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira declinava 0,54%, aos 108.339 pontos, anotando um volume financeiro de R$4,971 bilhões.

Dólar cai a R$4,19 com avanço do PIB do Brasil

O dólar comercial operava em queda nesta terça-feira (03), abaixo da fronteira psicológica de R$4,20, repercutindo o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

No terceiro trimestre, o PIB cresceu 0,6% em comparação aos três meses imediatamente anteriores, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número surpreendeu os investidores, que projetavam um aumento de apenas 0,4% no período, demostrando o ritmo de aceleração das atividades no país.

Mesmo com essa melhora no cenário macroeconômico, não houve alterações na precificação do corte na taxa Selic na reunião dos dias 10 e 11 de dezembro.

Na manhã de hoje, as apostas do mercado indicavam 65% de chance de redução em 0,50% na taxa básica de juros e 35% sinalizavam para baixa de 0,25%, segundo a Haitong Banco de Investimentos.

Outro fator que pressionava a depreciação da divisa americana foi o leilão conjugado de recursos à vista com swap cambial reverso, realizado pelo Banco Central, que vendeu ao mercado US$500 milhões.

Ás 12h30 (horário de Brasília), o dólar comercial recuava 0,40% contra o real, sendo cotado a R$4,1950 na venda.

Na renda fixa, os contratos de juros recuavam alinhados à queda do câmbio, refletindo o aumento dos riscos de inflação gerados pelo aquecimento da economia.

O DI março/2020 caía 0,66%, sendo negociado a 4,49% (4,50% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2023 recuava 0,50%, sendo vendido a 5,92% (5,96% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Paulo Guedes inicia processo para privatizar o Banco do Brasil

A equipe econômica do governo, liderada pelo chefe do ministério, Paulo Guedes, está iniciando um processo que poderá resultar na privatização do Banco do Brasil (BBAS3), segundo o jornal O Globo.

Fontes que acompanham de perto o trabalho do ministro disseram que essa é a próxima meta do programa de desestatização do governo federal.

Contudo, o primeiro desafio a ser enfrentado por Guedes será convencer o presidente Jair Bolsonaro a autorizar a venda do banco público.

Isso porque, não está nos planos de Bolsonaro se desfazer da referida sociedade de economia mista, bem como da Caixa e da Petrobras.

A privatização do Banco do Brasil não seria realizada no curto prazo, mas podendo transcorrer até o final do mandato, em 2022.

Em nota, o ministério da Economia negou a informação, porém, o tema já tem sido alvo de discussões dentro do governo, chegando a ser abordada durante uma reunião do Programa de Parceria de Investimentos (PPI).

Ao que parece, Guedes deseja colocar o banco na lista de privatizações que será enviada ao Congresso já no próximo ano, porém, há certa resistência de Bolsonaro ao tema.

O próprio presidente do BB, Rubem Novaes, já havia se pronunciado favoravelmente à medida, chegando a afirmar que o processo de privatização será algo inevitável na instituição.

Segundo a consultoria Economática, o valor do mercado do BB atualmente é de R$133 bilhões, sendo que, destes, R$66 bilhões pertencem à União.

Na opinião do ministro, uma eventual privatização do banco poderá baratear e diversificar o acesso ao crédito no país, tendo em vista que o setor é muito concentrado e pouco competitivo da forma que atua.

Fontes próximas à Guedes comentaram que ele sabe a dificuldade em obter apoio dos parlamentares à medida, uma vez que, é necessário fazer uma lei específica autorizando a privatização.