Ibovespa recua em sessão volátil com Petrobras e leilão do pré-sal no radar

O Ibovespa fechou com perdas nesta quarta-feira (06), reagindo ao resultado, não tão positivo, do leilão de cessão onerosa dos campos excedentes no pré-sal.

Na abertura dos envelopes, o clima foi de frustração ao perceber que somente a Petrobras, sozinha ou por meio de consórcio, estava interessada nos campos de Búzios e Itapu, os mais promissores do evento.

Os investidores ficaram decepcionados ao ver que nenhuma empresa privada estrangeira chegou a fazer ofertas para participar do leilão, sendo que as áreas de Atapu e Sépia sequer receberam proposta.

De um modo geral, o certame arrecadou apenas 65% do que era previsto, conseguindo negociar duas das quatro áreas oferecidas, pelo valor de R$69,96 bilhões.

A petroleira nacional arrematou a área de Búzios através de um consórcio com as empresas chinesas CNOOC e CNODC, no qual a estatal ficará com 90% da participação e as demais com 5% cada uma.

O bônus de assinatura que as vencedoras assumiram foi de R$68,194 bilhões, sendo destes, R$61,374 bilhões a serem pagos pela Petrobras e o restante divido entre as outras companhias consorciadas.

Já a área de Itapu, que a estatal se propôs a adquirir sozinha, ensejará um custo de R$1,766 bilhão, que também será repassado aos cofres da União.

No mercado local, o grande destaque ficou com as ações da Petrobras (PETR3/ PETR4) e a intensa volatilidade ao qual ficaram sujeitas ao longo do pregão.

Como resultado, a Bolsa brasileira declinou 0,33% aos 108.360 pontos, registrando um volume financeiro de R$27,090 bilhões.

No exterior, as Bolsas de Wall Street encerraram mistas após a agência Reuters divulgar que o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping poderá ser adiado para dezembro.

O objetivo da reunião, que inicialmente estava agendada para acontecer em novembro, seria formalizar o documento com os termos negociados na primeira fase do acordo comercial.

Mais cedo, a notícia de de que o governo chinês teria solicitado a Washington a reversão das tarifas sobre US$125 bilhões em produtos como condição para a assinatura do pacto, já havia abalado o otimismo dos últimos dias.

No final da sessão, o Dow Jones permaneceu estável, o S&P 500 subiu 0,07% e o Nasdaq Composto declinou 0,29%.

Dólar sobe mais de 2% e fecha a R$4,08 com decepção na cessão onerosa

O dólar comercial registrou alta de 2,20% nesta quarta-feira (06), fechando na cotação de R$4,0820 na venda, próximo as máximas do dia.

As elevadas expectativas com o leilão de cessão onerosa do pré-sal cederam lugar à frustração de ver que a baixa participação de companhias estrangeiras não trará o fluxo de moeda que o câmbio local tanto esperava.

Com isso, os agentes do mercado já estimam que a divisa americana voltará ao patamar de R$4,10 nos próximos dias, podendo avançar a níveis mais altos até o final de 2019.

Disparadamente, o real foi a moeda que mais se depreciou em relação ao dólar nesta sessão, ficando em segundo lugar o peso colombiano, que anotou perdas de 0,81%.

Segundo as projeções do Credit Suisse, a disputa adicionaria ao país cerca de US$4,6 bilhões em liquidez, contudo, o resultado de hoje deve trazer apenas US$1,7 bilhão.

É um número substancialmente menor do que o estimado pelo governo e deve impactar em um ajuste de posições compradas em dólar, pressionando a divisa para acima da fronteira psicológica de R$4.

No mesmo sentido, os contratos de juros futuros também registraram aumento nas taxas em todos os períodos, com o leilão refletindo em uma inclinação ao longo da curva.

Com destaque para os vértices de longo prazo que observaram maior recomposição do prêmio de risco, acompanhando o comportamento de valorização da moeda dos EUA.

O DI abril/2021 ficou estável a 4,59%, o DI julho/2024 saltou para 6,02% (5,92% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 subiu a 6,44% (6,34% no ajuste anterior).

Petróleo cai quase 2% com aumento nos estoques dos EUA

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta quarta-feira (06), reagindo ao aumento nos estoques da commodity nos Estados Unidos, registrado na semana passada.

O petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) de referência americana, para entrega em dezembro recuou 1,53%, sendo negociado a US$56,35 o barril.

Já o petróleo Brent para janeiro, comercializado na ICE de Londres, de referência global, declinou 1,93%, fechando na cotação de US$61,74 o barril.

Na manhã de hoje, o Departamento de Energia (DoE) americano divulgou um relatório informando que, na semana encerrada dia 01 de novembro, os estoques de óleo bruto anotaram um acréscimo de 7,929 milhões de barris.

O dado superou o consenso dos especialistas, que indicavam alta de apenas 1,4 milhão de barris no período, sinalizando para um cenário de excesso de oferta.

Além disso, relatos na imprensa revelaram que alguns países da Opep, dentre os maiores produtores de petróleo, não estão prontos para aderir à política de cortes mais profundos.

Sendo assim, a pressão pela baixa nos níveis de produção tende a ser menor na próxima reunião do cartel, que está prevista para acontecer nos dias 5 e 6 de dezembro.

Outra notícia que azedou o ânimo dos investidores foi o possível adiamento do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, para a assinatura da primeira fase do acordo comercial.

Como reflexo, o clima de aversão ao risco tomou conta dos mercados e os preços da commodity foram muito penalizados, fazendo nova sessão de ajustes.

Noticiário Corporativo: Tim Brasil reporta um lucro líquido de R$687 milhões no 3º trimestre

A Tim Brasil (TIMP3) divulgou os resultados corporativos do terceiro trimestre, reportando um lucro líquido de R$687 milhões.

A cifra foi 48,5% menor do que o valor apurado no mesmo período do ano passado, contudo, há uma distorção na comparação anual por trimestre.

No resultado mensurado de julho a setembro de 2018, a companhia teve um crédito fiscal extraordinário de R$950 milhões que desequilibrou o seu balanço, não servindo como uma referência segura.

Em contrapartida, o lucro líquido normalizado, que desconsidera tais efeitos, alcançou o valor de R$619 milhões, o que equivale a um avanço de 61,4% sobre o resultado do terceiro trimestre do ano passado.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação, amortização) totalizou R$1,718 bilhão, anotando um crescimento de 6,8% e a receita líquida consolidada atingiu R$4,337 bilhões, com um aumento de 2,3%.

O fluxo de caixa operacional livre normalizado saltou 20,1%, somando R$1,091 bilhão no período e a dívida líquida ficou em R$1,933 bilhão, mostrando queda de R$824 milhões em relação a 2018.

Segundo a operadora de telefonia, os principais motores deste desempenho foram o aumento da receita nos serviços móvel e fixo, além da forte ênfase no controle de custos e despesas.

Na avaliação do Credit Suisse, o balanço do Tim surpreendeu o mercado porque trouxe números acima do previsto, sobretudo em relação ao melhor custo de rede e com as interconexões.