Ibovespa recua mais de 2% e volta aos 101 mil com preocupações sobre a economia global

O pregão desta quarta-feira (14) começou em tom negativo, com o Ibovespa operando em queda acentuada, refletindo as preocupações com a economia global.

A divulgação dos indicadores chineses mais fracos do que o esperado evidenciou um cenário de desaceleração latente na segunda maior economia do mundo.

No mês de julho, a produção industrial no gigante asiático registrou aumento de 4,8% na comparação anual, porém este número veio abaixo das projeções dos analistas, que apostavam no avanço de 5,9%.

Outro fator que desanimou os investidores foi o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha, que registrou contração de 0,1% no segundo trimestre, limitando o desempenho da zona do euro.

Na mesma linha, a produção industrial do bloco europeu caiu 1,6% em junho, em comparação ao mês anterior, recuando ligeiramente mais do que as previsões indicavam.

As duas situações demonstram um cenário preocupante e há muito debatido pelos economistas, que alertavam para os riscos de colapso da economia global, devido à atual conjuntura de maior interdependência entre as nações.

Para completar o ambiente hostil, os rendimentos dos títulos do tesouro americano para resgate em 2 anos (curto prazo) novamente superaram os yields para 10 anos (longo prazo), sinalizando uma recessão econômica próxima.

Thiago Salomão, da Rico Investimentos, explicou que os títulos de longo prazo oferecem um retorno maior porque compensam os riscos do período.

Porém, quando o rendimento dos títulos de curto prazo se tornam maiores do que os de longo prazo, pode significar que há mais riscos embutidos no primeiro, ou que a economia do país precisará de mais estímulos ao longo deste intervalo.

Por isso, essa mudança na curva de juros sempre foi utilizada como um importante indicador que mostra com antecedência a ocorrência de crises na economia dos países.

Nesse contexto, às 12h25 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 2,13%, aos 101.058 pontos, anotando um volume financeiro de R$4,993 bilhões.

Dólar ultrapassa a marca de R$4 com aversão ao risco no exterior

Depois de experimentar uma sessão de alívio, o clima de aversão ao risco voltou a assombrar o mercado de câmbio nesta quarta-feira (14).

Os dados mais fracos da atividade industrial chinesa e a decepção com o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha acentuaram as preocupações sobre o ritmo de desaceleração da economia global.

Além disso, os juros dos títulos americanos T-notes de 2 a 10 anos novamente anotaram inversão do rendimento, sinalizando um cenário de recessão econômica próximo.

Os investidores reduziam a exposição a ativos emergentes, buscando alternativas mais seguras, o que culminou no fortalecimento da divisa americana contra as demais moedas.

Ás 12h25 (horário de Brasília), o dólar comercial saltava 1,08% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,0110 na venda.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros acompanhavam a valorização de câmbio e apresentavam elevação nas taxas ao longo de toda a curva a termo.

O DI abril/2020 subia 0,38%, sendo negociado a 5,34% (5,31% no ajuste anterior), o DI janeiro/2027 saltava 1,12%, sendo vendido a 7,25% (7,16% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo

Petróleo (PETR3 / PETR4) – Segundo publicação do Valor Econômico, a direção de Petrobras decidiu mudar as regras de governança adotadas nos últimos anos, devido aos escândalos de corrupção.

Dentre as propostas apresentadas estão a redução do volume de reuniões do conselho e, consequentemente, menor apreciação do número de projetos.

A notícia afirmou que as novas regras são dúbias e podem resultar no afrouxamento da governança, porém a alegação foi negada pela companhia.

Durante uma reunião no Senado, o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, anunciou que a Petrobras pretende investir cerca de US$100 bilhões nos próximos cinco anos, e nesse mesmo período, os desinvestimentos vão chegar a US$35 bilhões.