Ibovespa salta 3,7% reagindo aos esforços globais para conter o coronavírus

O Ibovespa encerrou em alta nesta quinta-feira (26), fazendo o terceiro pregão consecutivo de ganhos apoiado pelos esforços internacionais de contenção do coronavírus.

Com isso, o índice geral acumula alta de 22% na semana, revertendo parte das perdas registradas desde o início da pandemia.

A aprovação no Senado americano do pacote de estímulos no valor de US$2 trilhões foi o grande impulso da sessão, apesar da rápida disseminação da doença no país.

O Covid-19 já contaminou cerca de 68.572 pessoas e matou outras 1.031, com todos os 50 estados do território registrando casos de infecção.

O projeto de Donald Trump estabelece que os recursos serão destinados ao combate preventivo e repressivo do vírus e no arrefecimento dos impactos financeiros do surto.

Embora a Câmara dos Representantes dos EUA ainda tenha que votar a proposta, os parlamentares já se manifestaram favoráveis à medida, já que, se trata de uma alternativa emergencial.

Além disso, os pedidos de auxílio-desemprego dispararam no país, subindo de 282 mil para 3,28 milhões contabilizados na semana passada, registrando a maior alta semanal da história.

A quantidade de pessoas em busca de um socorro do governo superou todas as estimativas dos analistas, evidenciando que a população já está sendo impactada pelos efeitos do coronavírus.

No Brasil, a disputa entre o governo federal e os governos estaduais vem trazendo incertezas sobre o mercado, principalmente, em relação aos efeitos disso na saúde.

De um lado, o presidente Jair Bolsonaro quer relaxar as medidas de isolamento social, afirmando que apenas os grupos de risco devem permanecer na quarentena.

De outro, os governadores e prefeitos estão determinados a prosseguir com a quarentena, seguindo as recomendações de prevenção da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em todo o país, o número de infectados subiu para 2.915 e 77 pessoas vieram a óbito vitimadas pela doença, porém, especialistas da área acreditam que as estatísticas estejam subavaliadas.

Em um discurso contraditório, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que vai avaliar as diretrizes da quarentena, pois é necessário manter a saúde da economia.

Na B3, o destaque positivo ficou com as ações da Braskem (BRKM5), CVC (CVCB3), Gol (GOLL4), Yduqs (YDUQ3) e BR Malls (BRML3).

Como resultado, a Bolsa brasileira subiu 3,67% na faixa de 77.709 pontos, com um volume financeiro de R$22,811 bilhões.      

Dólar fecha a R$4,99 em sessão de alívio no exterior

O dólar comercial caiu 0,60% nesta quinta-feira (26), fechando na cotação de R$4,9980 na venda, acompanhando a sessão de alívio no exterior.

Os ativos de risco estão sendo impulsionados pelo apoio que os Bancos Centrais estão oferecendo aos países afetados pela pandemia de coronavírus.

Os investidores estão animados com as medidas de estímulos adotadas pelos governos para conter os impactos financeiros da doença e isso pressionou a demanda pela divisa americana.

Nesse contexto de otimismo, o real ganhou força e ficou abaixo da fronteira psicológica de R$5 pela primeira vez em 3 semanas.

Mesmo assim, o recuo do dólar ainda foi limitado no câmbio interno em comparação aos demais pares emergentes, como peso mexicano (3,90%) e peso colombiano (2,02%).

Na ausência de catalisadores potenciais da moeda brasileira, o mercado prevê que o movimento positivo será apenas uma correção técnica, tendo em vista, o forte tombo após a crise do coronavírus.

Acompanhando o ritmo do exterior, o mercado demonstrou equilíbrio e liquidez, já que, esse foi o terceiro pregão consecutivo sem intervenções do Banco Central.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram mistos, com as taxas de longo prazo precificando a aplicação da Selic em níveis mais baixos por um período prolongado.

O DI dezembro/2020 avançou para 3,44% (3,38% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 declinou para 6,33% (6,62% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 recuou para 7,37% (7,91% no ajuste anterior).    

Petróleo fecha em queda após frustrações com reunião do G-20

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta quinta-feira (26), refletindo a frustração dos investidores após o G-20 ignorar a guerra de preços da commodity.

O petróleo WTI/maio desabou 7,71%, fechando no valor de US$22,60 o barril; enquanto o petróleo Brent/maio recuou 2,88%, na cotação de US$26,34 o barril.

Relatos sinalizaram que, durante a reunião do G-20, não foram tratados assuntos relacionados à disputa entre Rússia e Arábia Saudita e nem sobre as questões relacionadas à oferta de óleo bruto.

O mercado vem enfrentando um cenário muito fraco para a demanda e perspectivas cada vez mais negativas para a oferta, visto que, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não conseguiu chegar a um acordo com seus aliados.

Promovendo cortes na produção desde o ano passado, o cartel não conseguiu ampliar a redução junto aos demais países após a Rússia se rebelar contra o pacto na última reunião.

Além disso, frente ao avanço do coronavírus na Europa e nos Estados Unidos, a previsão é que a economia global passe por um período de profunda recessão.

Inclusive, o Departamento de Energia americano (DoE) informou que não tem intenção de comprar petróleo produzido no país para abastecer as Reservas Estratégicas do governo.

No relatório, justificou-se a medida alegando que tal financiamento não foi incluído no pacote emergencial de US$2 trilhões aprovado pelo Senado.

Por isso, a queda do WTI, negociado em Nova Iorque, foi mais acentuada do que o declínio visto no Brent, vendido em Londres.

Noticiário Corporativo: Oi planeja disponibilizar os serviços de fibra óptica a 8,6 milhões de domicílios até o final de 2020

Ainda em recuperação judicial, a Oi (OIBR3) planeja levar os serviços de fibra óptica a 8,6 milhões de domicílios até o final de 2020.

No ano passado, a companhia conseguiu disponibilizar o serviço para 4,6 milhões de casas brasileiras, abrangendo o total de 86 municípios.

Este ano, a projeção é entrar em outras 44 cidades, concentrando os esforços neste segmento, que é o mais rentável em termos de custo-benefício para a empresa.

Segundo o diretor-presidente da Oi, Rodrigo Abreu, a operadora conseguiu cumprir cerca de 80% do planejamento proposto para busca novas alternativas de financiamento.

O executivo citou ações como o recebimento de créditos fiscais de PIS/Cofins no valor de R$3,1 bilhões e a venda da participação da companhia na Unitel, uma importante operadora da Angola.

No último trimestre de 2019, a Oi obteve uma receita de R$124 milhões com os serviços de fibra óptica, o que equivale a um crescimento de 59% em relação aos três meses imediatamente anteriores.

Abreu também comentou que o avanço do coronavírus ainda não prejudicou as operações da companhia, explicando que 70% dos empregados estão trabalhando em casa.

A operação de vendas de aparelhos de telefonia está sofrendo com o fechamento das lojas, porém, os serviços de fibra óptica estão normais devido ao alto índice de comercialização pela internet e call center.

“Estamos preocupados com a segurança dos nossos colaboradores e dos nossos parceiros” – enfatizou o diretor-presidente, acrescentando que a empresa possui um plano de contingência para enfrentar a situação.