Ibovespa tem leve recuo com novidades EUA-China e perdas no setor de varejo

O Ibovespa encerrou em queda nesta terça-feira (10), depois oscilar em alta boa parte do dia, na tentativa de engatar um movimento de recuperação.

O recuo só não foi mais forte graças ao bom desempenho das ações ligadas às commodities, como Petrobras (PETR3/ PETR4) e Vale (VALE3), que respondem por uma grande fatia na composição do índice geral.

A melhora no ambiente externo, que favoreceu a procura por ativos de risco, ocorreu após fontes ligadas ao governo chinês anunciarem a disposição do país em aceitar a ampliação das compras de produtos agrícolas dos EUA.

O objetivo é melhorar as condições para negociar um acordo mais favorável na próxima reunião entre os dois países, agendada para o início de outubro, em Washington.

Mesmo assim, o clima de cautela predominou no mercado local, limitando o avanço dos papeis mais líquidos, como é o caso das companhias do setor bancário, que hoje passaram por forte correção.

Além disso, o setor de varejo estendeu as perdas anotadas na véspera, reagindo ao lançamento do programa Prime da Amazon no Brasil, que promete adicionar competitividade ao segmento de e-commerce.

No início, o programa oferecerá frete grátis ilimitado para aproximadamente 500.000 produtos e promete realizar a entrega em dois dias úteis a 90 cidades em todo o país ou em três dias nos demais centros urbanos.

Segundo análise da XP Investimentos, a Amazon está dando um passo muito importante para estruturar sua operação de e-commerce no mercado brasileiro, que apresenta um grande nicho a ser explorado.

Contudo, o serviço Prime ainda é restrito em relação à determinados produtos e à localização do cliente, de forma que não haverá grandes mudanças no cenário concorrencial no curto prazo, conforme explicou a corretora.

Ainda assim, as gigantes do varejo B2W (BTOW3), Magazine Luiza (MGLU3) e Via Varejo (VVAR3) registraram queda entre 3% e 5%.

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 0,14% aos 103.031 pontos, anotando um volume financeiro de R$17,346 bilhões.

Dólar recua a R$4,09 à espera por decisões de política monetária

O dólar comercial encerrou o pregão desta terça-feira (10) registrando leve depreciação de 0,22% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,0910 na venda.

No mercado externo, a divisa americana apresentava um comportamento misto em relação às moedas emergentes, subindo contra a lira turca e o dólar neozelandês e recuando na paridade com o rand sul-africano e o rublo russo.

A notícia de que a China estaria disposta a fazer mais concessões aos EUA para conseguir um acordo comercial satisfatório ajudou a aliviar as tensões sobre a decisão do Banco Central Europeu.

Na próxima quinta-feira (12), a autoridade monetária do velho continente se reunirá para definir uma diretriz política que contenha o ritmo de desaceleração econômica na zona do euro.

Após as declarações do governo chinês, os analistas começaram a duvidar da crença, até então generalizada, de que o BCE atuará com estímulos agressivos para impulsionar as atividades do bloco europeu, o que gerou as oscilações modestas no câmbio.

No sentido diametralmente oposto, os contratos de juros futuros fecharam com elevação nas taxas, acompanhando o avanço dos rendimentos dos títulos globais, como os bonds americanos e alemães.

O DI fevereiro/2020 subiu para 5,25% (5,23% no ajuste anterior), o DI abril/2023 avançou para 6,55% (6,52% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2028 saltou a 7,46% (7,39% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em queda com turbulências no cenário geopolítico e de olho nos estoques

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda no pregão desta terça-feira (10), em meio ao clima de intensa volatilidade nos mercados internacionais.

Pela manhã, os preços avançaram seguindo a tônica positiva das declarações do novo ministro de Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, que assegurou a manutenção a atua política de cortes na produção estabelecida pela Organização dos Países Exportadores da commodity (Opep).

Na volta do dia, os contratos acentuaram os ganhos em expectativa à entrevista coletiva que seria concedida pela Casa Branca, com o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton.

Porém, momentos antes da entrevista, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a demissão de Bolton, trazendo grande insegurança entre os investidores.

O conselheiro era considerado um Falcão pela cúpula do governo, por defender com unhas e dentes uma postura mais rígida no Oriente Médio, principalmente, no Irã.

Como resultado, as cotações passaram a oscilar, sem apresentar uma direção comum, já que a saída de Bolton poderia facilitar a reaproximação com Teerã e o retorno do petróleo iraniano ao mercado.

Durante a coletiva, Pompeo e Mnuchin afirmaram que não haveria qualquer alteração na política externa do país e ressaltaram que a diretriz continuará sendo de pressão máxima sobre o país persa.

Mesmo assim, os preços se firmaram em território negativo, à espera da prévia do dado oficial sobre o estoque semanal dos EUA, mensurado pela American Petroleum Institute (API).

A informação é divulgada pela API somente ao final da tarde, após o encerramento das negociações, não surtindo nenhum efeito sobre as movimentações da sessão de hoje.

Como resultado, o barril de WTI/outubro caiu 0,78%, fechando na cotação de US$57,40 a unidade e o barril Brent/novembro recuou 0,34%, sendo negociado a US$62,38 a unidade.

Noticiário Corporativo

Petrobras (PETR3 / PETR4) – Segundo o jornal O Globo, a Petrobras tem como meta reduzir o seu endividamento que atualmente é de US$100 bilhões, para US$60 bilhões nos próximos dois anos.

Embora essa seja uma proposta ambiciosa, este é o valor que a companhia está projetando alcançar através da alienação de parte dos seus ativos.

O dinheiro que a petroleira receberá da União por meio do contrato de cessão onerosa será investido no desenvolvimento das atividades ligadas à exploração do pré-sal.

A Petrobras pretende fazer uma emissão no exterior e para tal, já recebeu a avaliação de três grandes agências de risco: Fitch e S&P classificaram a operação como BB- e a Moody’s forneceu o rating como Ba2.

Essa captação da estatal está condicionada à uma oferta de troca dos títulos por novos, cujo vencimento está previsto para 2030 e a rentabilidade será semelhante à dos títulos americanos, com o acréscimo de um prêmio de 3,22% ao ano.

Os títulos emitidos que poderão ser trocados terão vencimento no período entre 2023 e 2029, apresentando remuneração de 5,750% a 8,750% ao ano.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da Bovespa fecharam mistas, entre perdas e ganhos para diferentes setores. A seguir, as mínimas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 16/08 19/08 Ativo 16/08 19/08
Petrobras (PETR3) -0,45% +1,36% Vale (VALE3) -0,46% -0,09%
Petrobras (PETR4) -1,32% +0,50% Embraer (EMBR3) -0,28% -0,28%
Eletrobras (ELET3) +2,60% -1,81% Banco do Brasil (BBAS3) -0,26% -1,97%
Eletrobras (ELET6) +2,34% -0,71% Cemig (CMIG4) +3,05% +1,44%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 15/08 16/08 Ativo 15/08 16/08
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,69% +0,40% Usiminas (USIM3) +0,11% +0,53%
Santander (SANB11) -0,31% +0,47% CSN (CSNA3) -2,79% +1,94%
Bradesco (BBDC3) -0,84% +0,24% Gerdau (GGBR4) -4,25% +3,42%