Juros instáveis mesmo com IPCA de outubro registrando menor leitura em 21 anos

Os contratos de juros futuros operavam sem direção no início dos negócios desta quinta-feira, refletindo dados de inflação de outubro em linha com o consenso e a leitura das altas de preços subjacentes mista em alguns aspectos, em meio a notícias positivas no cenário externo.

Os DIs recuavam nas partes média e longa da curva de juros futuros, seguindo a trajetória do dólar futuro e devolvendo parte da alta da véspera. Hoje, a China disse que alcançou, de forma preliminar, um acerto que permitiria que parte das sobretaxas mútuas com os Estados Unidos na esteira da guerra comercial sejam removidas. Já as taxas de juros do DI mais curtas operam estáveis, porém com viés de alta, após os números do índice IPCA ficarem marginalmente acima da estimativa na base mensal e os dados dos núcleos do índice acelerarem. Limita a alta o fato que o índice de difusão do núcleo do IPCA, que calcula a porcentagem de itens na amostragem do IPCA que tiveram alta no mês, despencar – tirando qualquer incômodo na perspectiva de trajetória benigna dos preços. Mais cedo, o índice IGP-DI acelerou.

O IPCA de outubro apresentou variação de 0,10%, enquanto, em setembro, havia registrado deflação de 0,04%. O resultado, que é o menor para um mês de outubro desde 1998, veio acima do consenso TC de 0,07%. Nos últimos doze meses, o índice ficou em 2,54%, abaixo dos 2,89% registrados em setembro e perto do consenso de 2,51%. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, três apresentaram deflação de setembro para outubro, com destaque para habitação, com recuo de 0,61% e responsável pela maior contribuição negativa no IPCA do mês, com -0,10 ponto percentual, disse o IBGE. De acordo com economistas, a média dos núcleos acelerou de 0,10% em setembro para 0,21% em outubro, com a taxa de difusão despencando de 47,3% para 32,6% no mesmo período.

O DI para janeiro próximo recuava 0,2 ponto-base para 4,743%. O contrato de juros com vencimento em janeiro de 2021 subia 2 pontos para 4,51%, enquanto o DI com vencimento em janeiro de 2025 perdia 2 pontos, e ficava em 6,10%. O dólar futuro recuava 0,61% a R$4,05800.