Minério futuro atinge máxima de 26 meses com exportação brasileira abaixo da média

Os futuros do minério de ferro dispararam hoje pelo quinto dia seguido na China, atingindo seu maior nível em 26 meses, após dados fracos de exportação do Brasil e os possíveis desdobramentos da tragédia da Vale em Minas Gerais indicarem que a oferta do mineral deve se manter pressionada por mais um tempo, disseram traders.

O contrato futuro do minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian subiu 3,4% para 728 iuanes a tonelada em 22 de maio, disseram traders. Apesar do preço ter subido desde os 675 iuanes uma semana atrás, indicadores técnicos mostram alguma fadiga no rali, com o índice de resistência relativa para o contrato em território de sobrecompra pelo quinto dia seguido, disseram. Desde novembro, o contrato futuro negociado em Dalian já teve avanço de 66%.

Os ganhos vistos no pregão de Dalian impulsionaram os mercados físicos, com o minério do porto de Qingdao ultrapassando os US$105,78 a tonelada hoje, máxima em quase cinco anos, e representando alta de 3,7%. Em Cingapura, o contrato spot do mineral 0,6%, se aproximando dos US$97.

O Brasil exportou 16,2 milhões de toneladas do mineral entre 1 e 19 de maio, ou 1,3 milhão de toneladas diárias nos dias úteis – abaixo da média de 1,7 milhão no ano passado. Para um dos traders, os preços se mantêm pressionados com a possibilidade de a Vale ser forçada a fazer outra parada para evitar o colapso de mais uma barragem a montante em Minas – fato que pode demorar o reinício de outras minas e estruturas paradas por conta do acidente de Brumadinho em 25 de janeiro.

A maior cotação ajuda a compensar a perda de produção da Vale por conta das paradas forçada relacionadas ao acidente de Brumadinho e, de forma mais contundente, eleva a geração de caixa e os lucros da CSN, que está negociando um contrato de venda antecipada do mineral para a Citic e a China Minmetal, por US$500 milhões, disse o jornal Valor Econômico na manhã desta quarta.