Mudanças na liderança de ministérios; comissão debaterá entrada do Brasil na OCDE e outros

O Ministério da Cidadania e a Casa Civil tiveram algumas mudanças estruturais anunciadas ontem pelo presidente Jair Bolsonaro.

Segundo ele, o Ministério da Cidadania agora será comandado pelo Deputado Federal Onyx Lorenzoni, antes chefe da Casa Civil.

Desse modo, quem passará a liderar a Casa Civil será o General de Exército Walter Souza Braga Netto, informou ele.

Outro destaque político é que a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) se prepara para celebrar uma audiência pública, a fim de discutir a possível entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que passou a ser defendida pelos Estados Unidos. A data da audiência ainda será definida.

Sobre a tratativa, o governo sinalizou a criação de uma secretaria para agilizar o processo

O colegiado também ouvirá o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre as perspectivas da política externa brasileira para 2020.

Entre os destaques corporativos, a leitura das análises do mercado sobre os resultados da Totvs (TOTS3) que mostrou, por exemplo, o crescimento de 107% no lucro líquido do quarto trimestre de 2019, pode ser revisado para cima.

O gatilho para isto deverá ser o dia 17/02, na próxima segunda-feira, quando a empresa celebra o “Totvs Day”.

Nos Estados Unidos surgem dúvidas quanto a exatidão das informações que a China fornece sobre o surto de coronavírus.

Os efeitos do surto sobre a economia chinesa e de outros países começam a respingar nas expectativas de crescimento da economia brasileira.

O Citi Brasil, por exemplo, reduziu sua projeção de 2,2% para 2% em 2020.

IBC-BR, IGP-10, PIB da Zona do Euro, balanços corporativos e vendas do varejo nos EUA

O Banco Central brasileiro divulga logo mais o IBC-BR, a prévia do PIB de dezembro de 2019.

Segundo a estimativa mediana da Bloomberg, o indicador deve ter apresentado queda de 0,30% em dezembro na comparação mensal.

Em meio as discussões sobre a queda da dívida bruta brasileira, o IBC-BR será monitorado de perto por especialistas econômicos.

Outro dado no radar é o IGP-10, que será publicado pela FGV relacionado ao início do mês de fevereiro.

Dando sequência a agenda de resultados corporativos, a Usiminas (USIM5) e BTG Pactual (BPAC11) divulgam balanços na manhã de hoje.

Nos Estados Unidos, a expectativa é pelas vendas do varejo (janeiro) e do índice de confiança do consumidor em fevereiro.

Por fim, o Eurostat divulga nesta manhã o PIB da Zona do Euro, relativo ao último trimestre do ano passado.

Swaps cambiais: Banco Central realiza hoje nova oferta de até US$1 bilhão

A pressão do câmbio fez o Banco Central tomar a decisão de realizar um leilão de contratos de swaps cambiais.

Essa intervenção ocorre após uma forte sequência de depreciação do real, que se desvaloriza 7,44% neste ano ante o dólar.

O resultado, que se refere aos termos nominais, mostra o pior desempenho entre 33 pares da moeda norte-americana.

Ontem, a operação aconteceu sem aviso prévio, quando o dólar batia novos recordes históricos nominais acima dos R$ 4,38.

Foram ofertados 20 mil ativos, no equivalente a uma injeção líquida de moeda no mercado futuro de US$ 1 bilhão.

Esse leilão, que foi o primeiro do tipo desde agosto de 2018, controlou o câmbio que recuou a R$ 4,33.

Desde então, o BC promovia leilões de rolagem e, posteriormente, iniciou a troca de instrumentos (swap para dólar à vista).

Assim também, a entidade monetária informou que vai realizar um novo leilão de até 20 mil contratos de swap cambial tradicional, na manhã desta sexta-feira (14).

Esse montante de US$ 1 bilhão terá a distribuição dos lotes nos respectivos vencimentos: 03/08/2020, 01/10/2020 e 01/12/ 2020.

Ademais, o Banco Central decidiu dar sequência às rolagens de contratos de swap cambial que, por ora, vencem em 01/04/2020 e somam US$ 11,729 bilhões

Desse modo, a autoridade ofertará, após os swaps, até 13 mil contratos, distribuídos entre os vencimentos 03/08/2020, 01/10/2020 e 01/12/2020.

O total, considerando todos os vencimentos, vai a US$ 35,472 bilhões.

Queda de dívida bruta é aprovada por agências de risco, desde que o PIB reaja vigorosamente

Após os veículos de comunicação repercutirem a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, quando disse que a dívida bruta em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) cairá em 2020 pelo segundo ano consecutivo, as agências de classificação de risco decidiram se manifestar.

De acordo com a Reuters, agências como a Fitch, por exemplo, reforçam que, para além de dados pontuais, a economia brasileira precisa reagir com mais força do que em seu cenário base, fato que tem tardado a acontecer.

A vice-presidente e analista sênior de ratings soberanos da Moody’s, Samar Maziad, disse a Reuters que de fato houve uma diminuição no déficit primário e nominal nos últimos anos.

Isso, contudo, não chegou ainda ao ponto em que, no médio prazo, a dinâmica da dívida tornou-se estável ou favorável.

Para ela, isso ocorre especialmente porque o crescimento ainda não se recuperou o suficiente.

Além disso, embora necessário para conter gastos e fazer com que caibam nas receitas, o ajuste fiscal não foi completo.

Nesse sentido, a agência de classificação de risco Fitch prevê que o país crescerá 2,2% em 2020.

Paralelamente, a S&P e a Moody’s especulam um avanço de 2%, também inferior às perspectivas oficiais do governo, de 2,4%.

Maziad disse a Reuters que os dois elementos que vão “realmente determinar a evolução da nota de crédito do Brasil” são um crescimento mais alto, atrelado a aprovação do pacote de reformas propostas pelo governo que estão ligadas à diminuição do gasto no curto prazo.

Assim, inclui-se as propostas de emenda constitucional (PECs) emergencial e do Pacto Federativo; ambas tramitam em fase inicial no Senado e foram propostas para acionar medidas de ajuste nas despesas obrigatórias em situação de desequilíbrio fiscal, mas dividem espaço com outras pautas (as reformas tributária e administrativa, autonomia do Banco Central e mais).

Grendene vai pagar R$ 129 milhões em dividendos e JCP

O conselho de administração da Grendene (GRND3) aprovou o pagamento de R$ 129 milhões em dividendos e JCP.

De acordo com o comunicado ao mercado emitido pela companhia na véspera, essa distribuição se refere ao resultado de 2019.

Do total, R$ 110 milhões serão direcionados aos pagamentos em JCPs, representando um valor bruto de R$ 0,1220 por ação.

Apesar de distribuir a maior parte aos juros sobre capital próprio, a Grendene reservou ainda R$ 19 milhões em dividendos.

O saldo para pagamento que deve ocorrer em 06/05/2020, corresponde a R$0,0219 por ação (excluídas as ações em tesouraria).

Conforme a publicação da dona de grandes marcas como Melissa, Ipanema e Grendha, os acionistas titulares de ações ordinárias inscritos até o dia 22 de abril de 2020 farão jus ao recebimento dos dividendos e JCP, portanto, a partir dessa data, as ações da empresa passarão a ser negociadas ex-dividendo e ex-JCP.

Lucro da Grendene tem desempenho 16,4% mais fraco no 4T19

O lucro da Grendene (GRND3) contraiu 16,4% no 4º trimestre de 2019, frente ao mesmo período do ano anterior, contabilizando R$ 210,1 milhões, conforme mostra o press release da companhia.

Com um recuo menos acentuado, de 10,1%, sua receita bruta chegou aos R$ 795 milhões. Além disso, o volume de calçados vendidos também contraiu (11,9%), para 49 milhões de pares.

A companhia, que possui 11 plantas industriais, reduziu vendas tanto no Brasil (8,2%, para 38,1 milhões de pares) quanto no exterior (22,6% para 10,9 milhões de pares).

Assim sendo, a receita bruta no mercado interno caiu 6,5%, para R$ 603,8 milhões; no exterior, o mesmo indicador recuou 19,7%, para R$ 191,2 milhões.

Em uma sequência de resultados que revelam um fraco desempenho para o período, a receita líquida da Grendene contraiu 10,3%, para R$ 665,7 milhões, enquanto os custos de produtos vendidos recuaram 10,8%, para R$ 328 milhões.

Suas despesas operacionais, por sua vez, encolheram 5%, para R$ 186,9 milhões e o lucro da Grendene antes de juros, impostos, depreciação e amortização, também conhecido como Ebitda, encerrou o período com R$ 178 milhões, após cair 8,5%.

Nos doze meses de 2019, a Grendene registrou quedas ainda mais acentuadas como no lucro líquido (-15,5%, para R$ 495 milhões), na receita líquida (-11,2%, para R$ 2,07 bilhões) e até mesmo para o Ebitda (-17,6%, para R$ 430,8 milhões).

Confira a apresentação separada para a audioconferência que ocorre na manhã desta sexta-feira, referente aos resultado do 4T19 e 2019.