Pacote econômico e safra de balanços corporativos anima mercado; B3 opera em novo horário

Novos indícios de que as tratativas comerciais sino-americanas estão avançando deixam os investidores otimistas para o fechamento da fase 1.

O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, afirmou nesta segunda-feira (4) que as conversas estavam “muito adiantadas”.

Na véspera, ele afirmou que “muito em breve” as empresas americanas receberiam licenças para vender à Huawei.

Há pouco tempo, essa grande potência tecnológica chinesa integrava uma lista negra americana por suposta ameaça à segurança nacional.

Alasca, Havaí ou a própria China são alguns dos lugares onde os presidentes Donald Trump e Xi Jinping poderiam assinar o acordo parcial.

No domingo (3), a Tailândia disse que os países do sudeste asiático estão comprometidos em assinar um pacto até fevereiro de 2020, com o propósito de elaborar o que pode vir a ser o maior bloco comercial do mundo, de acordo com a Reuters.

Além disso, a gigante petrolífera estatal da Arábia Saudita, Aramco, deu início a sua oferta pública inicial de ações (IPO).

Embora sua intenção seja operar na Bolsa doméstica, essa pode ser a maior listagem do mundo.

Por aqui, os eventos domésticos vão ditar o humor dos investidores em semana do novo horário de negociação da Bolsa brasileira (B3 (B3SA3)).

Hoje será celebrado os 300 dias do governo em uma solenidade no Palácio do Planalto. O evento marcará o lançamento de novas medidas para estimular o emprego entre jovens e pessoas acima de 55 anos.

Além disso, o presidente Jair Bolsonaro deve entregar amanhã ao Congresso um pacote de medidas econômicas. No mesmo dia, pode ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado a PEC paralela da Previdência.

Acompanhe a seguir os principais destaques do dia.

A guerra comercial retorna à cena (na verdade, nunca sai do pano de fundo), dessa vez as perspectivas são boas. O secretário de comércio norte-americano se encontrou com o premiê chinês e o otimismo voltou a tomar conta dos negócios. Os investidores estão confiantes de que um acordo será alcançado em breve é que até as licenças para as empresas americanas venderem itens da Huawei irão ser possíveis.

Por aqui, o foco é a agenda reformista apresentada por Paulo Guedes que já deve enviar três PECs nesta semana. PEC Mais Brasil (um novo regime fiscal), PEC dos fundos (revisão de 281 fundos públicos para abater a dívida pública) e PEC da emergência fiscal (para conter gastos públicos em caso de crise financeira na União, estados e municípios). Não deve ser fácil, mas iremos acompanhar o desenrolar em Brasília.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Indicadores econômicos: Boletim Focus, projeções do mercado financeiro, IPC de outros

Os eventos domésticos serão destaques nos próximos dias, incluindo a divulgação de diversos indicadores econômicos relevantes para o mercado investidor.

A Fipe publicou nesta manhã que o IPC, medidor da inflação na cidade de São Paulo, avançou 0,16% em outubro.

Com isso, o índice rompeu a estabilidade do mês anterior. Ademais, o crescimento mostra uma aceleração singela frente ao aumento de 0,15% observado na terceira quadrissemana de setembro. Apesar disso, o resultado ficou abaixo do piso das estimativas do consenso do Broadcast, de altas de 0,17% a 0,21%.

Logo mais o Banco Central divulga a atualização das projeções do mercado financeiro através do tradicional Boletim Focus. À tarde, saem os dados da balança comercial semanal.

Na semana anterior, Ministério da Economia reportou superávit comercial de US$ 1,206 bilhão em outubro para a balança comercial. 

Nos Estados Unidos, o destaque é corporativo. O investidor vai monitorar os balanços de Uber, Occidental Petroleum e Groupon.

Entre os indicadores econômicos, os números de encomendas à indústria são aguardados, assim como a tendência de emprego e condições empresariais.

Na Europa, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da zona do euro passou de 45,7 em setembro, para 45,9 em outubro, conforme dados da IHS Markit.

De acordo com o The Wall Street Journal, o resultado final ficou um pouco acima da prévia de outubro e da previsão de analistas consultados (45,7 em ambos os casos).

No âmbito corporativo, o balanço da Telefónica é muito aguardado.

Pacote econômico do governo terá corte de incentivos e desvinculação de fundos

Os próximos dias serão acompanhados pelo mercado que aguarda o pacote econômico de medidas que serão apresentadas pelo governo.

Fontes ouvidas pela Reuters informaram que esse conjunto de medidas implicará no corte de incentivos tributários e a desvinculação de recursos de fundos não constitucionais, usando o estoque dos fundos públicos setoriais, de aproximadamente R$ 220 bilhões, a fim de pagar a dívida pública, por exemplo.

Esse pacote pós-Previdência deve ser entregue amanhã ao Congresso pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro da economia, Paulo Guedes.

Intitulada “Transformação do Estado” internamente, serão encaminhadas as medidas relacionadas ao pacto federativo que terão sua tramitação iniciadas na Casa.

Outra frente do pacto federativo implica no corte de 10%, de maneira linear, dos incentivos tributários bancados pelo governo federal.

Além disso, a equipe do presidente Jair Bolsonaro prevê uma ampla desvinculação, desobrigação e desindexação do Orçamento, já defendida anteriormente.

Em PECs, o governo irá propor a descentralização de recursos da União, o que incluirá um Plano de Fortalecimento Federativo.

De acordo com a Reuters, esse plano destinará aos entes regionais parcela dos royalties e participações especiais do petróleo.

Ademais, o pacote econômico do governo tratará da redução dos gastos obrigatórios, com o propósito de alcançar um alívio orçamentário de curto prazo pela implementação de medidas de ajuste em caso do descumprimento, ou iminência de descumprimento, da regra de ouro.

Em paralelo, os próximos dias podem contar com novas apresentações da reforma administrativa, assim como novas medidas destinadas ao incentivo de geração de empregos para os mais jovens e pessoas acima de 55 anos, estas últimas sob a batuta do secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho.

Balanços corporativos da semana tem resultados do Itaú, B3, Banco Inter, Azul e outros

Após uma semana recheada de balanços corporativos (incluindo Santander, Bradesco, Cielo, Gol e muito mais), a temporada de resultados continua, com destaque para o Itaú Unibanco (ITUB4), do Banco do Brasil (BBAS3) e B3 (B3SA3).

Confira o calendário de divulgação:

Segunda-feira (4/11)

A semana começa com um dos principais destaques corporativos, o banco Itaú (ITUB4). Ao longo do dia, saem ainda os resultados do BB Seguridade (BBSE3), BTG (BPAC11), Banco Pan (BPAN4), Porto Seguro (PSSA3), Marcopolo (POMO4) e Vulcabras Azaleia (VULC3).

Terça-feira (5/11)

Alguns dos principais balanços corporativos aguardados para amanhã (5) são os índices da TIM (TIMP3), AES Tietê (TIET11), Engie (EGIE3), Telefônica (VIVT4), ISA Cteep – Transmissão Paulista (TRPL4) e Sanepar (SAPR11).

Quarta-feira (6/11)

Posteriormente, o Banco Inter (BIDI11), Totvs (TOTS3) e Carrefour (CRFB3) dividem os destaques dos balanços de quarta-feira com a Ultrapar (UGPA3), Braskem (BRKM5) Iochpe-Maxion (MYPK3), Aliansce (ALSO3), Banco ABC (ABCB4), IRB (IRBR3) e Grupo Notre Dame Intermédica (GNDI3).

Quinta-feira (7/11)

Na quinta-feira saem os resultados referentes ao terceiro trimestre da Azul (AZUL4), SulAmerica (SULA11), Lojas Marisa (AMAR3), Cyrela (CYRE3) e Tenda (TEND3).

Além disso, o Burger King Brasil (BKBR3) divulga seus dados, paralelo a Tecnisa (TCSA3), MRV (MRVE3), CVC (CVCB3), Yduqs (YDUQ3), Santos Brasil (STBP3), Iguatemi (IGTA3), BRF (BRFS3), Gafisa (GFSA3), BR Properties (BRPR3), Guararapes (GUAR3) e Tegma (TGMA3).

Sexta-feira (8/11)

Para fechar a semana, os destaques de sexta-feira são Alpargatas (ALPA4), Ser Educacional (SEER3), M.Dias Branco (MDIA3) e Internacional Meal Company (MEAL3).

BB Seguridade lucra R$ 1,1 bi no 3T19

A BB Seguridade Participações reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,1 bilhão no 3T19, alta de 21,3% frente ao 3T18.

Conforme publicado (antes do início do pregão nesta segunda-feira) o montante leva em consideração efeitos classificados como extraordinários.

Os mesmos afetaram as receitas de investimentos em participações societárias em ambos os períodos mencionados acima.

A melhora de 21,3% no resultado foi atribuída a um aumento de 44,4% no resultado operacional da BB Corretora.

Nesse caso, o responsável foi o forte desempenho comercial, potencializado pelo reconhecimento do bônus de performance em função da superação das metas de vendas dos seguros prestamista e vida do produtor rural, mas também da melhora de 3,0 pontos porcentuais identificadas na margem operacional.

O lucro líquido consolidado avançou 289,3% (R$ 3,4 bilhões) no período. No 3T18, o lucro foi de R$ 873,779 milhões.

Em fato relevante, a instituição modificou suas projeções para este ano. Seu guidance para o lucro líquido ajustado passou de 8,0% a 13,0% para 13,0% a 17,0%.