Pacote pós-Previdência; balanços corporativos; indicadores; impeachment e outros destaques

O processo de impeachment contra o presidente americano, Donald Trump, recebeu o aval para avançar no dia anterior (31), quando a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou uma resolução que estabelece os próximos passos e torna a investigação mais pública.

De acordo com o Valor Econômico, o Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados foi autorizado a divulgar transcrições de entrevistas anteriores, o que dá mais poder aos republicanos, incluindo o direito de convocar testemunhas.

Esses pedidos, no entanto, estão sujeitos à aprovação dos democratas, que controlam a Câmara.

Paralelamente, Estados Unidos e China tentam definir o local do encontro entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, para que assinem a primeira fase do acordo comercial, que corresponde a cerca de 60% do acordo completo, segundo o presidente norte-americano.

“A nova localização será anunciada em breve. Presidente Xi e presidente Trump irão assinar!”, afirmou o líder americano no Twitter.

Na Argentina, o Banco Central local endureceu ainda mais os controles de capital a fim de deter a fuga de dólares que está drenando suas reservas internacionais. As novas restrições implicam operações com cartão de crédito para obter dólares.

Foi imposto também um teto de US$ 50 dólares para saques com o cartão de crédito no exterior, embora o uso do crédito e débito continuem liberados.

Por aqui, enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, elabora um pacote de reformas para enviar ao Congresso na próxima semana, um grupo de senadores começou a se antecipar com propostas com os mesmos temas da agenda do governo Jair Bolsonaro, segundo o Estadão.

Confira mais destaques desta sexta-feira (1) que inaugura o mês de novembro.

Indicadores econômicos: Payroll; IPC-S; produção industrial; PMI; balança comercial e mais

Nossa agenda local de indicadores tem a publicação do IPC-S, pela FGV, seguido da produção industrial de setembro, pelo IBGE.

Posteriormente, a Markit publica o PMI de outubro e mais tarde saem os números finais da balança comercial de setembro.

Ontem, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo IBGE trouxe dados da taxa de desocupação no Brasil, que ficou em 11,8% no trimestre encerrado em setembro, o que equivale a 12,515 milhões de brasileiros.

No último dia da semana após uma alta frequência de balanços corporativos, a  Log-In (LOGN3) divulga seus resultados após o encerramento do mercado.

Na China, o PMI de indústria do Caixin/Markit subiu pela terceira vez consecutiva e chegou a 51,7 em outubro.

O resultado frustra as expectativas de economistas consultados pela Reuters, que especulavam uma desaceleração do crescimento a 51,0.

Além disso, o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) liberou 75 bilhões de yuans (US$ 10,66 bilhões) líquidos através de sua linha de crédito suplementar em outubro.

De acordo com a instituição monetária, a medida foi voltada para três bancos estatais que ajudam a implementar políticas com foco em projetos de infraestrutura.

O BC chinês informou ainda nesta sexta-feira (1) ter concedido 60,09 bilhões de yuans em outubro por meio de seu instrumento de crédito permanente, com o propósito de atender as necessidades de financiamento de curto prazo de instituições financeiras.

Nos Estados Unidos serão divulgados o relatório de emprego local (Payroll) e as taxas de desemprego. Em seguida saem o PMI americano e o ISM – indicador de manufatura.

Apesar do dia mais negativo visto ontem, novembro começou no azul lá fora. Os dados surpreendentes do dado de atividade chinesa acima do previsto, animaram os investidores. Ontem, o PMI oficial frustrou, mas o PMI Caixin manufaturas subiu ao maior nível em 32 meses em outubro, a 51,7, de 51,4 em setembro. O melhor é que esta escalada se deu devido ao aumento dos pedidos de exportação e aumento da confiança dos negócios. Começando novembro com o pé direito. Agora só falta o acordo com os EUA, mas nem temos tanta esperança com isso. Com as eleições norte-americanas no próximo ano, o vaivém das negociações deve se arrastar por mais um longo período.

Por aqui, os investidores também monitoram os dados de produção industrial. Além é claro, do andamento de Brasília. Cada dia é uma nova polêmica envolvendo a família Bolsonaro, por enquanto não temos respingos no andamento da agenda reformista, mas ficamos de olho em qualquer possível impacto no Congresso. O dólar de volta acima dos 4 reais faz com que o BC atue com oferta dólar à vista junto com reverso.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Pacote pós-Previdência deve gerar folga de R$ 27 bilhões no Orçamento 2020

As mudanças promovidas pelo pacote pós-Previdência podem gerar, imediatamente, uma folga de, em média, R$ 27 bilhões no Orçamento 2020.

Segundo o Valor Econômico, o megapacote terá uma premissa de corte linear de 10% nos incentivos tributários que estejam vigorando.

Além disso, o governo de Jair Bolsonaro estima ainda em aproximadamente R$ 300 bilhões as desonerações fiscais aplicadas atualmente.

Desse modo, programas como o Simples, bem como a desoneração da cesta básica podem ser afetados; os incentivos regionais, não.

Hoje, esses incentivos são direcionados principalmente a Norte, Nordeste e Zona Franca de Manaus, estimados em R$ 30 bilhões.

Assim sendo, R$ 270 bilhões ficariam sob avaliação. O corte de 10% extinguiria R$ 27 bilhões de desonerações de imediato.

Essas informações foram concedidas com exclusividade ao Valor por uma fonte do governo diretamente envolvida na formulação das medidas.

Conforme a fonte, acontecerá uma mudança na sistemática desses incentivos, que permanecerão sob avaliação do Congresso pelos próximos quatro anos.

O Legislativo será o responsável por convalidar cada incentivo, através da elaboração de um projeto de lei complementar.

A reportagem do Valor Econômico indica ainda que essas mudanças previstas no pacote pós-Previdência podem agradar o Congresso Nacional.

Será dado ao Congresso o “poder” para definir quais das renúncias tributárias efetivamente funcionam e quais devem ser descontinuadas.

Atualmente, o pacote do governo está dividido em partes: ao Senado, serão enviadas três propostas de emenda à Constituição (PECs).

Elas são: a PEC Mais Brasil (medidas sobre desonerações, desindexações e desvinculações); a PEC que trata dos fundos (e pode liberar em torno de R$ 220 bilhões que foram arrecadados ao longo do tempo e não foram utilizados) e a PEC que trará mecanismos para caracterização de situação de emergência fiscal na União, Estados e municípios.

A reforma tributária é o que vai destravar a economia, afirma Maia

Para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), as reformas do Estado, a previdenciária e a administrativa são fundamentais, mas devem convergir com a reforma tributária, que é o que vai destravar a economia brasileira.

“As reformas do Estado, a previdenciária e a administrativa, são fundamentais, porque elas geram despesas que vão inviabilizando o Estado brasileiro e, principalmente, a relação dívida-PIB, o que gera insegurança enorme nos investidores”, afirmou ele.

“Mas [a administrativa] tem que ser paralela com a grande reforma que é a tributária, que vai destravar a economia brasileira, que vai gerar melhores condições, com custo menor, para o setor privado investir, voltar a criar negócios no Brasil, gerar empregos”, continuou o presidente da Câmara.

Após participar de evento em São Paulo, o parlamentar afirmou que é preciso que as reformas caminhem paralelamente no Congresso.

Embora as reformas da Previdência e administrativa sejam imprescindíveis, ele reconheceu que a reforma tributária desencadeará a melhora econômica esperada.

Maia explicou que a expectativa de crescimento mais forte atribuído à reforma da Previdência não vingou. Com a administrativa, ele também acredita que esse avanço será percebido de forma tão exponencial, e que a reforma terá um papel mais construtivo no futuro da tributária.

Para o parlamentar, a reforma administrativa vai contribuir para organizar o futuro, alinhado à PEC da regra de ouro que deve organizar os gatilhos do orçamento indexado

A previsão de Maia é que deputados e senadores alinhem um texto para a reforma tributária ainda em 2019.

Posteriormente, a matéria que já conta com “um miolo de muito consenso”, deve ser apreciada pela duas Casas do Legislativo.

Suzano reverte lucro e amarga prejuízo de R$ 3,46 bilhões no 3T19

A Suzano (SUZB3) reportou um prejuízo líquido consolidado de R$ 3,46 bilhões no terceiro trimestre e reverteu um lucro consolidado na comparação anual com o 3T18, quando a maior produtora do mundo de celulose de eucalipto contabilizou R$ 1,02 bilhão.

Também em 2018, o resultado atribuído aos acionistas controladores no terceiro trimestre de 2018 foi negativo em R$ 107,6 milhões.

De acordo com a companhia, a forte desvalorização da celulose atrelada às vendas e produção menores, bem como o impacto negativo percebido através da desvalorização do real frente ao dólar foram alguns dos responsáveis por impactar o resultado apresentado na véspera (31), após o fechamento do pregão.

A variação cambial também afetou diretamente o resultado financeiro líquido da Suzano, que negativou em R$ 6,49 bilhões no período.

Os empréstimos tomados para financiar a fusão com a Fibria também impactaram o montante, que aumentou o saldo negativo do 3T18 (R$ 2,79 bilhões).

Neste trimestre, a receita líquida da Suzano contraiu 33% frente ao terceiro trimestre do ano anterior, para R$ 6,6 bilhões.

Ademais, a produção de fibra recuou 24%, (2,1 milhões de toneladas), enquanto as vendas reduziram 12% (2,55 milhões de toneladas).

Embora o índice tenha contraído na comparação anual, houve uma recuperação de 15% nos volumes frente ao segundo trimestre 2019.

Quanto ao resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado, houve um recuo de 56%.

O resultado que ficou em no 3T19 R$ 2,4 bilhões foi pressionado por custos mais altos, segundo a Suzano.

Com isso, a margem Ebitda da companhia ficou em 36%, queda de 18 pontos percentuais ante o terceiro trimestre do ano passado.

Por fim, a dívida líquida da companhia estava em R$ 55,23 bilhões ao final de setembro, o que representa 5% acima do registrado três meses antes.