Petróleo desaba mais de 4% com pressão na Opep e incertezas sobre o acordo comercial

Os contratos futuros de petróleo fecharam em expressiva queda nesta sexta-feira (29), refletindo as turbulências de diferentes fronts do cenário internacional.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para janeiro, desabou 5,05%, sendo negociado a US$55,17 o barril.

Já o petróleo Brent para fevereiro, comercializado na ICE de Londres, recuou 4,39%, fechando na cotação de US$60,49 o barril.

Um dos principais catalisadores do mau humor desta sessão foi o posicionamento do ministro de Energia da Rússia, Alexandre Novak, sobre a extensão dos cortes na produção de 2020.

Segundo Novak, Moscou prefere que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados decidam sobre a continuidade da política de redução nas quantidades somente em abril do ano que vem.

A notícia não soou bem nos mercados, sobretudo, frente à posição firme da Arábia Saudita de tentar articular que os atuais cortes sejam acentuados nos próximos meses.

Adicionalmente, as instabilidades no Oriente Médio também contribuíram com o desempenho negativo dos preços da commodity.

O primeiro-ministro do Iraque, Adel Abdul-Mahdi, decidiu renunciar ao cargo após presenciar o dia mais violento no país dos últimos meses, com a morte de 45 manifestantes por forças policiais.

Um grupo invadiu, depredou e incendiou o consulado do Irã na cidade de Najaf, em protesto à influência crescente do regime iraniano no país.

Além disso, os ruídos no relacionamento entre Estados Unidos e China provocaram incertezas sobre a conclusão da primeira fase do acordo comercial.

Depois de afirmar que os dois países estavam quase finalizando o pacto, o presidente Donald Trump assinou a promulgação de uma lei que apoia os manifestantes de Hong Kong, contrariando o governo chinês.

As negociações que já não estavam tão bem-sucedidas, agora correm um sério risco, pois a China prometeu retaliar a ação americana, considerada uma interferência explícita em seus assuntos internos.