Pregão deve repercutir Fed, Copom e mal-estar com reforma dos militares

A leitura dos eventos políticos e econômicos de ontem no Brasil e no mundo deve contaminar o ambiente dos negócios nesta quinta-feira. A docilidade do Federal Reserve com o ciclo da política monetária e a do governo Jair Bolsonaro com os militares na reforma da Previdência deixou entrever que os problemas à frente não serão fáceis de resolver. Também, os crescentes empecilhos para a assinatura de um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, além da frustração pelo tom neutro do comunicado de taxas do Banco Central, podem impactar o sentimento.

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No início da manhã, os principais índices europeus e asiáticos e os futuros das bolsas americanas operavam em clima misto, após o Fed descartar quaisquer aumentos de juros neste ano, mas apontar preocupação com o crescimento das economias dos EUA e global. O contrato do ouro passou a negociar no maior patamar em mais de três semanas, o dólar retomou os ganhos após forte queda ontem e os juros da dívida pública americana cederam – as apostas de um corte na taxa-alvo dos EUA só crescem. Hoje fique de olho nos dados de seguro-desemprego dos EUA, na decisão de política monetária no Reino Unido e, à noite, em dados do Japão. O petróleo Brent continua em alta após os cortes na produção anunciados pela Opep.

Reforma da Previdência: O Futuro Dos Investimentos No Congresso Nacional

Na cena local, preste atenção redobrada na reação da classe política à proposta de Bolsonaro para aliviar o impacto da reforma da Previdência nas Forças Armadas. Em um claro exercício de patrimonialismo, quebrando todas as promessas que até o momento tinha feito em relação à igualdade de tratamento entre categorias, Bolsonaro favoreceu a antes sua classe e colocou em sério risco a aprovação da reforma da Previdência. O mercado não gostou nem um pouco da brincadeira – e as apostas de um recuo nos planos para os militares estão começando a crescer. Já na primeira reunião sob o comando do novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o destaque foi o anúncio de que os riscos à inflação se mostram simétricos, dando margem para descartar um novo corte na taxa básica de juros Selic – por ora.

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Assim, o investidor se encontra cercado por maiores riscos externos, uma política monetária doméstica que parece estar no limite do estímulo e um governo que não se mostra comprometido com o controle dos gastos e a sustentabilidade das contas públicas. A reforma é condição necessária, mas não suficiente, para o Brasil sair da lama. Na agenda, Bolsonaro viaja a Chile – e já é boicotado pela oposição de lá; Campos Neto encontra o ministro da Economia, Paulo Guedes; teremos resultados trimestrais da Cyrela, Biotoscana e CCR, entre outras, e teleconferências da B2W e as Lojas Americanas. Opere com cuidado, pois o dia se apresenta volátil e com um noticiário pouco previsível.

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