Quadrilhas dominam áreas de mananciais e chegam a vender lotes irregulares por até R$ 100 mil

Foto:Maurício Simonetti

Um levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda feira (24), aponta que o crime organizado já fez, pelo menos, 24 invasões a áreas protegidas pela legislação ambiental desde 2018, e chega a vender terrenos nestes locais por até R$100 mil.

Grande parte destes terrenos fica nos mananciais das represas Guarapiranga e Billings. Para um loteamento no Jardim Gaivotas, no Grajaú, extremo sul da capital, por exemplo, há cartazes espalhados de lotes de 125 m² com entrada a partir de R$ 10 mil.

Outro loteamento também está sendo anunciado no Jardim Castro Alves, onde os terrenos custam R$ 20 mil e a divulgação afirma que a compra pode ser feita  “Sem comprovação de renda, sem consulta de SPC e Serasa, financiamento próprio”, destaca os cartazes.

Segundo o Estado, a suspeita de envolvimento do crime organizado em invasões em áreas de mananciais é citada no pedido de criação uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal, que tem a assinatura de 19 vereadores e aguarda apreciação da solicitação de prioridade para instalação.

As regiões mais atingidas são Parelheiros, M’Boi Mirim, Capela de Socorro e Pedreira. Em alguns casos, a mata é mantida na frente dos terrenos para disfarçar o desmatamento, e em outros locais os loteamentos são cercados com muros de concretos pré-moldados para que a vegetação seja cortada no interior.

“O crime organizado viu nessa forma de atuar (invasão de terra) um outro meio de enriquecer, com venda irregular de lotes nessas áreas de proteção. Não dá para dizer que isso acontece de forma generalizada, mas em alguns casos, sim”, disse o promotor Marcus Vinícius Monteiro dos Santos ao jornal.

Autoridades afirmam que muitas invasões estão em terrenos privados ou com escrituras de posse forjadas. Nem todas as áreas têm processos em andamento para desfazer as invasões, pois o procedimento depende da identificação dos autores de crime ambiental por fiscais, ou da notificação do caso ao MPE, que pode pedir o embargo da invasão ou a demolição dos barracos e lotes.