Bolsonaro ameaça demitir o diretor da PF e causa mal-estar com Moro e a corporação

O presidente da República, Jair Bolsonaro, ameaçou demitir o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo na última quinta-feira (23), a fim de medir forças com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para mostrar que tem controle sobre a corporação.

“Agora há uma onda terrível sobre superintendência. […] Se eu não posso trocar o superintendente, eu vou trocar o diretor-geral. Não se discute isso aí”, disse Bolsonaro pela manhã, ao deixar o Palácio da Alvorada. “Se eu trocar (o diretor-geral da PF) hoje, qual o problema? Está na lei que eu que indico, e não o Sérgio Moro. E ponto final”, reforçou Bolsonaro.

A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça, e a ameaça de Bolsonaro reascendeu o temos da cúpula do órgão de interferência política na PF. O ministro não se manifestou, o que deixou delegados insatisfeitos com sua postura.

Embora a lei determine que o presidente tem poder para nomear o diretor geral da PF, é de praxe que isso seja feito pelo ministro da Justiça.

A insatisfação do presidente se deve à resistência de Valeixo e Moro a aceitar a sugestão de nomear o delegado Alexandre Saraiva, da Superintendência do Amazonas, para o lugar de Ricardo Saadi, que deixará o posto no Rio.

Em nota, a PF disse em nota que o delegado Carlos Henrique Oliveira Sousa seria indicado como substituto de Saadi no Rio. A divulgação do novo delegado seria uma forma de Bolsonaro não fazer uma indicação política.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, internamente, delegados da PF interpretam as novas declarações de Bolsonaro como um recado a Moro, que tem adotado agenda própria no ministério e reluta em defender bandeiras do governo, como a flexibilização do porte de armas.

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