Colaboradores devem mais de R$ 120 milhões à Justiça por acordos de delação, aponta jornal

Por acordos fechados na Operação Lava Jato e em outras investigações, 31 dos 217 colaboradores que fizeram delação premiada estão inadimplentes com a Justiça. As dívidas chegam a R$ 120,8 milhões, segundo anunciou o jornal Estado de S. Paulo nesta segunda feira (24).

Para o levantamento, o jornal teve acesso aos dados do Sistema de Monitoramento de Colaborações (Simco) do Ministério Público Federal, ferramenta digital restrita a membros do Ministério Público.

O atraso nas contas pode levar a multa, abertura de processos administrativos e até rescisão dos acordos, fazendo com que os delatores percam os benefícios acertados após repassarem informações ao Ministério Público e colaborarem com a Justiça.

Dentre alguns inadimplentes estão o ex-senador Delcídio Amaral, que foi cobrado pela Procuradoria Geral da União por uma parcela atrasada de R$ 85 mil da multa fixada em sua delação. O ex-parlamentar pediu um prazo maior para quitar a dívida, pois está contando com a venda de alguns imóveis e o momento está difícil.

O Estado destacou que os dados da plataforma digital apontam que, no âmbito dos acordos fechados, foram pagos em multas R$ 737,2 milhões. Também já foram devolvidos à Justiça um total R$ 385,6 milhões em perdimento de bens, como confisco de veículos e imóveis, o que totaliza R$ 1,12 bilhão recuperados.

A conta, no entanto, não conta com os acordos de leniência fechados por empresas ou delações homologadas em primeira instância.

Até o momento, R$ 437,6 milhões já foram efetivamente devolvidos a empresas, como a Petrobrás e a União. O restante do valor está depositado em contas judiciais da Caixa, a espera de decisão da Justiça para o destino dos recursos.