Queda de dívida bruta é aprovada por agências de risco, desde que o PIB reaja vigorosamente

Após os veículos de comunicação repercutirem a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, quando disse que a dívida bruta em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) cairá em 2020 pelo segundo ano consecutivo, as agências de classificação de risco decidiram se manifestar.

De acordo com a Reuters, agências como a Fitch, por exemplo, reforçam que, para além de dados pontuais, a economia brasileira precisa reagir com mais força do que em seu cenário base, fato que tem tardado a acontecer.

A vice-presidente e analista sênior de ratings soberanos da Moody’s, Samar Maziad, disse à Reuters que de fato houve uma diminuição no déficit primário e nominal nos últimos anos.

Isso, contudo, não chegou ainda ao ponto em que, no médio prazo, a dinâmica da dívida tornou-se estável ou favorável.

Para ela, isso ocorre especialmente porque o crescimento ainda não se recuperou o suficiente.

Além disso, embora necessário para conter gastos e fazer com que caibam nas receitas, o ajuste fiscal não foi completo.

Nesse sentido, a agência de classificação de risco Fitch prevê que o país crescerá 2,2% em 2020.

Paralelamente, a S&P e a Moody’s especulam um avanço de 2%, também inferior às perspectivas oficiais do governo, de 2,4%.

Maziad disse à Reuters que os dois elementos que vão “realmente determinar a evolução da nota de crédito do Brasil” são um crescimento mais alto, atrelado a aprovação do pacote de reformas propostas pelo governo que estão ligadas à diminuição do gasto no curto prazo.

Assim, inclui-se as propostas de emenda constitucional (PECs) emergencial e do Pacto Federativo; ambas tramitam em fase inicial no Senado e foram propostas para acionar medidas de ajuste nas despesas obrigatórias em situação de desequilíbrio fiscal, mas dividem espaço com outras pautas (as reformas tributária e administrativa, autonomia do Banco Central e mais).