6 passos para começar um planejamento financeiro

No último artigo, comentei sobre os motivos pelos quais um plano de previdência privada não deve ser visto como “solução pós-reforma”. Mas, se uma previdência privada não atende (ou não é o suficiente) para garantir um futuro confortável, qual seria o caminho de uma vida financeiramente confortável?

O caminho é a elaboração de um Planejamento Financeiro

Você deve estar se perguntando… Existe uma “fórmula pronta” para um planejamento financeiro? Existe sim. É um método internacionalmente reconhecido e utilizado pelos planejadores financeiros certificados no Brasil e no mundo!

Lembre-se: quando o assunto é finanças, o tempo é seu melhor amigo! Sendo assim, quanto antes começar melhor – mas não tenha pressa ao focar nos resultados, pois a jornada é longa e há muito que aprender nesse caminho.

Trouxe aqui as 6 etapas seguidas pelos profissionais CFP® (Certified Financial Planner – “Planejador Financeiro Certificado”, tradução literal) no atendimento de seus clientes. Fui a fundo nesse assunto para desenvolver esse artigo que permite você, leitor, ter uma direção na hora de organizar suas finanças.

O processo de Planejamento Financeiro em 6 etapas

1ª Etapa: Definir e Estabelecer o Relacionamento com o Cliente

Este é o momento em que o planejador financeiro visualiza superficialmente a demanda do cliente e identifica se está capacitado para atendê-la. Nessa etapa, o planejador já busca definir o objetivo do trabalho, as responsabilidades de ambas as partes e os preços envolvidos durante a prestação do serviço. Você já parou para pensar em quais seus objetivos antes da elaboração de um planejamento financeiro? Já parou para pensar que essa jornada implica em responsabilidade e compromisso com você mesmo? Pois esse é o primeiro passo dessa caminhada!

2ª Etapa: Coletar Informações do Cliente

Antes de traçar onde se quer chegar, precisamos saber onde estamos. Muitos buscam um plano de futuro promissor, mas poucos buscam olhar para sua realidade no presente. É preciso “tirar uma foto” da situação financeira atual e, nessa etapa, o planejador financeiro busca com o maior número de detalhes as informações da vida do cliente com relação a:

  • Gestão Financeira
  • Ativo e Investimentos
  • Seguros
  • Aposentadoria  
  • Situação Fiscal
  • Planejamento Sucessório

Anotou esses tópicos? Teve algum que você sequer havia parado para pensar? Pois é, o planejamento conta inclusive com o quão preparados financeiramente estamos para passar nosso patrimônio aos nossos herdeiros (assunto que causa grandes brigas e afastamentos entre famílias).

3ª  Etapa: Analisar e Avaliar a Situação Financeira do Cliente

Nesse momento, o planejador financeiro busca informações para a elaboração das recomendações para o cliente atingir seus objetivos. Primeiramente, o profissional fará uma conversa para entender a disposição ao risco (quanto o cliente quer correr de risco) e confrontar essas informações com a capacidade de correr riscos (o quanto ele tecnicamente pode correr de riscos).

É sempre muito importante que seja respeitada a disposição do cliente, mesmo que esse tenha uma capacidade muito alta de correr riscos. Mas se, o cliente se mostra muito eufórico para correr riscos e tecnicamente não o deveria, cabe ao planejador alertá-lo de que a sua capacidade de correr riscos precisa ser respeitada para não expor (e eventualmente comprometer) o patrimônio do cliente.

Sabe-se que, teoricamente, quanto maiores os riscos, maiores os retornos que o investidor pode ter. Diante dessas informações e com base nos investimentos que estão de acordo com o perfil do investidor, o planejador irá adequar os objetivos do cliente com a sua realidade. Esses objetivos são frequentemente ligados à formação de patrimônio (aquisição de algum bem ou título), geração de renda (a tão sonhada “renda passiva” onde o “dinheiro trabalha por você”) ou Aposentadoria.

É muito comum ver investidores de primeira viagem que começam a investir sem objetivos específicos e sem saber sua capacidade de correr riscos, ainda há muita ingenuidade em se acreditar que bolsa de valores é como um jogo. Tome cuidado! Mercado financeiro não é brincadeira!

4ª Etapa: Desenvolver e Apresentar as Recomendações de Planeamento Financeiro

No desenvolvimento das recomendações, o planejador financeiro busca as melhores estratégias para chegar ao objetivo do cliente. Diante disso e respeitando a 3ª etapa do processo, o profissional define se a gestão da carteira de investimentos do cliente será feita de forma Ativa (rentabilidade acima dos índices de referência em renda fixa ou variável) ou Passiva (com rentabilidade conforme algum índice de referência).

Aparentemente, faria sentido buscar rentabilidade acima das referências, certo? Errado. Tudo depende do objetivo: formação de um patrimônio ou preservação de um patrimônio já existente. Fique atento! Quanto mais seguros e mais garantidas as rentabilidades das aplicações financeiras, menores são as rentabilidades. Um perfil conservador busca sempre abrir mão da possibilidade de ganhos maiores para não expor seu patrimônio ao risco.

5ª Etapa: Implementar as Recomendações

Após apresentar as recomendações ao cliente, o planejador financeiro orienta todo caminho para colocá-las em prática. Tendo a carteira de investimentos adequada àquele perfil, o cliente precisa dar início às aplicações e verificar a necessidade de possíveis alterações. Esse é o momento de entrar no mercado financeiro pra valer! Cabe ao investidor a responsabilidade de seguir as recomendações, respeitar seu próprio perfil de investidor, fazer manobras em seu cotidiano e simplificar seus gastos mensais com o propósito de conquistar seus objetivos.

Quando o cliente do planejador se trata de uma família, essa família deve entender que todos precisam estar envolvidos e animados com o planejamento financeiro. Para que isso aconteça, o objetivo deve estar alinhado aos interesses de todos.

6ª Etapa: Monitorar a Situação do Cliente

Via de regra, essa etapa é feita anualmente, mas dependendo do caso, a frequência pode ser maior. É muito importante fazer um monitoramento das aplicações do cliente e de todo planejamento financeiro por dois motivos:

  1. O andamento das aplicações podem não estar entregando os resultados almejados: nesse momento, a readequação da carteira de investimentos nem sempre é o ideal, muitos tipos de investimentos requerem um tempo maior de aplicação para que os resultados sejam notados. Sendo assim, se os resultados foram inferiores aos pretendidos é preciso avaliar os motivos de a rentabilidade ter sido aquém e se faria sentido migrar para outros ativos financeiros.
  2. A vida é dinâmica, o perfil do cliente pode mudar: cada fase de vida implica em novas necessidades, ou o que era uma necessidade ontem pode não ser mais hoje. Eventos como a vinda de um filho, perda ou mudança de emprego, problemas de saúde, perda de um familiar, divórcio são situações muito comuns de acontecer mesmo que não estejam dentro de nossas intenções. Esses acontecimentos podem trazer grandes impactos na vida das famílias o que, consequentemente, requer uma adaptação do planejamento financeiro.

Viram o como existe uma fórmula para se planejar financeiramente?

Claro que dentro de cada etapa há muito conteúdo. Por isso, para realizar um planejamento financeiro da forma mais adequada possível, é preciso ter muito conhecimento. Assim como um médico é capaz de receitar o melhor remédio ao diagnóstico de seus pacientes, existem profissionais da área financeira altamente especializados no assunto para te ajudar.

Fazer tudo sozinho pode ser um caminho certo na perda de tempo e dinheiro. Conte com a ajuda de profissionais na hora de se planejar e começar a investir!