Endividamento e inadimplência: você sabe qual é a diferença?

Você sabia que o descontrole em relação às dívidas é um problema que afeta mais de 62 milhões de brasileiros? Isso significa que todo esse contingente de pessoas têm dívidas que não foram pagas na data combinada.

É importante notar que endividamento e inadimplência têm significados distintos — e suas consequências também são diferentes. Pensando nisso, elaboramos este artigo para explicar melhor cada um desses termos, tendo em vista, especialmente, a importância do assunto no atual cenário econômico. Acompanhe!

O que é endividamento

Estar endividado não é, necessariamente, um problema. Existem as dívidas “saudáveis”, que fazemos para comprar um bem que, dificilmente, poderíamos pagar se tivéssemos que quitá-lo à vista.

É o caso, por exemplo, do financiamento imobiliário e de automóvel, ou mesmo do crédito estudantil. Poucas pessoas têm o valor total para comprar um imóvel à vista e, por isso, o crédito é o caminho mais comum.

Causas do endividamento

Todo mundo que tem um compromisso financeiro a pagar está endividado — e isso não é, por si mesmo, nem bom nem ruim.

Quando se faz uma dívida planejada e que cabe no orçamento para adquirir um bem que não poderia ser comprado à vista, é uma forma de conseguir conquistar seus sonhos de forma consciente. Essa é, justamente, a função do mercado de crédito — e não há nada de errado nisso.

O problema surge quando esse endividamento sai do controle. Um exemplo clássico: a pessoa se endivida no cartão de crédito e no cheque especial. Essas são duas linhas que têm taxas de juros muito altas, e a dívida começa a crescer rapidamente. Para quitá-las, toma-se um empréstimo.

Com o tempo, a pessoa volta a entrar no cheque especial e a se endividar no cartão de crédito. Dessa forma, fica com essas dívidas e mais o empréstimo, consumindo uma parcela cada vez maior dos seus rendimentos e comprometendo sua saúde financeira.

Existem inúmeras causas para que isso aconteça. Algumas pessoas compram por impulso, sem calcular corretamente se aquela despesa cabe no orçamento. Também é comum que haja uma queda na renda total — ocasionada, por exemplo, pelo desemprego de um membro da família — e as despesas não sejam ajustadas à nova realidade.

O que é inadimplência

Enquanto o consumidor consegue pagar as suas dívidas, ele está apenas endividado. Se, em algum momento, deixar de honrar algum compromisso financeiro, ele passar a estar inadimplente.

A inadimplência ocorre, portanto, quando há dívidas em atraso. O Banco Central faz uma distinção aqui: ele considera contas em atraso aquelas vencidas entre 15 e 90 dias, e inadimplência as que venceram há mais de 90 dias.

Isso porque a chance de quitar uma dívida que está atrasada há pouco tempo é maior do que a de pagar uma que venceu há muito tempo. Quando se tem uma dívida vencida recentemente, é maior a probabilidade de que aquele tenha sido um descontrole pontual, enquanto dívidas antigas indicam uma incapacidade estrutural para honrar os compromissos.

Causas da inadimplência

Como vimos, a inadimplência pode ser a consequência de um endividamento descontrolado, que cresce de tal forma que a pessoa não tem mais capacidade de honrar os compromissos.

Além das questões pessoais, como o consumo excessivo, é preciso reconhecer que o cenário econômico atual contribuiu para o crescimento da inadimplência. Como mencionado no começo deste texto, 62 milhões de brasileiros têm, pelo menos, uma dívida em atraso — um número bastante alto.

O fato é que houve um período de crescimento econômico relativamente alto no país, no qual também se estimulou a concessão de crédito. Com isso, muitas pessoas tomaram empréstimos ou fizeram financiamentos de longo prazo.

Em seguida, veio uma recessão econômica prolongada, com forte impacto no mercado de trabalho, o que reduziu a capacidade de pagamento dos consumidores.

Soma-se a isso uma questão cultural. Historicamente, o país nunca teve um período muito grande de estabilidade econômica. Na época da inflação galopante, até o começo do Plano Real, era preciso comprar tudo o mais rápido possível quando se recebia o salário, porque o dinheiro se desvalorizava do dia para a noite.

Com isso, não se criou no país uma cultura de poupar dinheiro e nunca houve um investimento sério na educação financeira da população. Assim, as pessoas não têm uma reserva de emergência para as épocas de “vacas magras”, nem fazem as contas corretamente do que aquela dívida representa no seu orçamento a longo prazo.

Consequências da inadimplência

A inadimplência tem consequências bem sérias, que podem prejudicar consideravelmente a saúde financeira das pessoas. Quando se deixa de honrar um compromisso na data correta, incidem juros e multas, o que vai aumentando cada vez mais o valor da dívida.

Além disso, o credor pode inscrever o CPF do devedor nos serviços de proteção ao crédito — o famoso “nome sujo”. Também pode haver cobranças extrajudiciais e judiciais, que, em última instância, podem levar ao bloqueio de contas bancárias e à execução de bens para quitação das dívidas.

É especialmente importante cuidar para não atrasar parcelas de financiamento de carros e imóveis, que podem ser tomados sem a necessidade de execução judicial — uma vez que, enquanto o financiamento não for quitado, o bem pertence à instituição financeira que o financiou.

Como evitar endividamento e inadimplência

O controle na ponta do lápis é a chave para não extrapolar o orçamento e entrar em uma bola de neve de dívidas. Seja por meio de uma planilha ou por programas e aplicativos próprios para orçamento doméstico, é fundamental ter conhecimento exato e realista sobre quais são seus rendimentos e suas despesas.

Os especialistas em educação financeira recomendam que o nível de endividamento não ultrapasse o equivalente a 30% da sua renda mensal. Para ter mais segurança, o ideal é que fique em torno de 20%.

Assim, se você ganha R$10 mil por mês e já paga R$3 mil de prestação de um apartamento financiado, está no seu limite de endividamento. Financiar um carro nessa situação, por exemplo, pode comprometer sua saúde financeira.

Neste artigo, vimos a diferença entre endividamento e inadimplência, as causas e consequências de cada um, e o que fazer para evitar que sua situação financeira se complique. Agora, é hora de colocar as mãos à obra e fazer um bom controle das contas. Seu bolso agradece!

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