PN e ON: descubra a diferença das ações preferenciais e ordinárias

Você já deve ter reparado que as ações na bolsa de valores trazem o nome da empresa seguidos pelas siglas PN e ON. Agora, você sabe o que significam? Tratam-se de duas classes diferentes de ações: as preferenciais e as ordinárias.

Elas têm características específicas e é importante que os investidores as conheçam, para que assim seja capazes de tomar uma decisão de investimento bem embasada.

Neste artigo, vamos explicar as especificidades das ações PN e ON, as vantagens e desvantagens de cada uma e como escolher entre elas. Acompanhe!

O que são ações ordinárias (ON)?

As ações ON são as chamadas ações ordinárias. Sua principal característica é conferir aos seus detentores o direito ao voto nas assembleias de acionistas da empresa.

No entanto, para o pequeno investidor, essa possibilidade não faz muita diferença. Isso porque, pelo fato de deter uma parte muito pequena da empresa, o voto dele não vai ter praticamente nenhum peso em qualquer decisão que seja.

Agora, existe um outro benefício importante nas ações ordinárias: elas dão direito ao chamado tag along. Isso quer dizer que, se a companhia for vendida, os acionistas com ações ordinárias têm direito de receber pelo menos 80% do que for pago a título de prêmio de controle.

Vamos explicar melhor. Suponha que as ações ordinárias e preferenciais estejam cotadas a R$50 na bolsa. A empresa é vendida e o comprador ofereceu ao grupo que detém o controle da companhia R$70 por ação. Isso quer dizer que quem tem ações ordinárias tem direito de receber R$56 por ação, enquanto os detentores das ações preferenciais não têm essa opção.

Existe uma outra questão importante em relação às ordinárias. Na bolsa de valores, há o mercado comum e depois três níveis diferenciados de governança corporativa. O mais baixo é o nível 2, em seguida o nível 1 e, depois, o chamado Novo Mercado, que é o patamar mais alto de governança corporativa, reservado às empresas com as melhores práticas nesse sentido.

Nenhuma empresa é obrigada a aderir a esses níveis diferenciados, mas o fato de participar deles dá mais credibilidade à companhia e atesta a qualidade de sua gestão. Por isso, muitas empresas se esforçam para se enquadrar às exigências desses níveis.

Uma dessas exigências é que, no Novo Mercado, as companhias devem ter apenas ações ordinárias. Além disso, nesse nível os acionistas minoritários têm direito a 100% de tag along. O mercado entende que, assim, os interesses dos investidores estão mais protegidos e que a empresa é obrigada a respeitar os seus direitos.

No mercado, você identifica as ações ordinárias pelo número 3 após as quatro letras que compõem o código da ação. Por exemplo: ITUB3, que são as ações ordinárias do Itaú Unibanco, ou VALE3, que são os papéis ordinários da Vale.

O que são ações preferenciais (PN)?

As ações preferenciais não dão direito ao voto, mas, em compensação, conferem aos detentores a preferência no pagamento em caso de falência da empresa. É daí que vem o nome preferencial.

Existe a possibilidade de os preferencialistas terem direito ao voto em duas situações. A primeira delas é se isso estiver previsto nas regras da própria empresa. Além disso, se a companhia não pagar dividendos por três anos seguidos, os acionistas preferenciais ganham esse direito.

Antes da Lei das Sociedades Anônimas, as empresas podiam emitir até dois terços das suas ações como preferenciais, mas isso foi alterado na legislação e agora só é possível emitir uma PN para cada ON. No entanto, várias das empresas mais tradicionais da bolsa são anteriores à legislação e, com isso, existem muitas ações preferenciais circulando no mercado.

Isso nos leva a uma das principais vantagens das PNs sobre as ONs: muitas vezes elas têm maior liquidez e é por isso que tantos investidores as compram.

No mercado tradicional, as ações preferenciais não têm direito a tag along. Isso quer dizer que, se a empresa for vendida, o comprador pode fazer uma oferta aos preferencialistas apenas pelo valor de mercado. Já no nível 2 de governança corporativa, as ações preferenciais têm direito a 100% de tag along, assim como as ordinárias. No Novo Mercado, como dissemos, não são aceitas ações preferenciais.

As ações preferenciais são identificadas normalmente pelo número 4 no código das ações. Assim, ITUB4 são os papéis preferenciais do Itaú Unibanco.

Aqui, há ainda outra questão relevante. As empresas podem emitir diferentes classes de ações preferenciais, com algumas características específicas. É por isso que existem ações PNA ou PNB, por exemplo. Nesses casos, elas podem ser identificadas pelos números 5 ou 6. Assim, por exemplo, BRSR6 são as ações PNB do Banrisul.

Por fim, vale mencionar que existem também as Units, que são “pacotes” compostos por uma certa quantidade de ações ordinárias e preferenciais que são negociados em conjunto, como se fossem uma única ação. A proporção depende da definição de cada empresa. As Units podem ser identificadas pelo número 11 no código. É o caso de SANB11, que são as Units do Santander, formada por 55 ONs e 55 PNs.

Qual é melhor: ONs ou PNs?

A resposta para essa questão é: depende. Em tese, as ações ordinárias protegem melhor o investidor do que as preferenciais, mas, no caso de empresas com bom histórico de governança corporativa e respeito ao investidor, essa diferença pode não ser tão relevante.

Assim, pode pesar mais a liquidez do ativo e, nesse caso, é possível que a melhor escolha sejam os papéis preferenciais.

Por fim, é muito comum que os investidores também tentem aproveitar eventuais distorções de preço entre as ações preferenciais e ordinárias e escolher a que estiver mais descontada. Para isso, fique de olho nas recomendações de analistas especializados, que costumam indicar qual das duas está mais atraente no momento.

Agora você já sabe quais são as diferenças entre ações PN e ON e tem condições de fazer escolhas mais conscientes. Caso a empresa tenha chances de ser vendida e não esteja pelo menos no nível 2 de governança corporativa, as ações ordinárias são mais seguras. Se não for esse o caso, as condições de mercado é que vão dizer qual a melhor opção.

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